Dizem-se “cansados” das “chatices” que surgem “todos os dias” e só exigem “um local digno” no centro da cidade para trabalhar. Os taxistas da Trofa não querem continuar a ter a praça na Rua Conde S. Bento, local provisório e que se mantém “há dois anos” desde que foram forçados a sair do antigo espaço devido às obras de requalificação dos Parques Nossa Senhora das Dores e Dr. Lima Carneiro.

Na Rua Conde S. Bento, são várias as vezes que automobilistas não respeitam a sinalização que circunscreve alguns espaços do estacionamento para os taxistas. E quando apanham um condutor desrespeitador e mais inconveniente, são “várias as vezes que se liga para a Polícia Municipal e ninguém atende”. “A GNR nem sempre está disponível para estar no local e quando chega aqui já não está cá ninguém”, contam.
Os taxistas sentem também que não são bem recebidos por alguns lojistas. “Nós damo-nos bem com os comerciantes, mas sabemos que alguns estão mortinhos para nos verem fora daqui, não porque querem os lugares vagos para os clientes, mas para eles próprios”, dizem.

Para Valdemar Silva são também gritantes as ocasiões em que se realizam as Sextas Com Vida, nas quais se fecha a rua. No caixote do lixo que mora com o sinal a indicar praça de táxis está afixado um aviso da Câmara a informar a população que, no dia 31 de julho, os táxis parariam “temporariamente, das 19 às 24 horas na Rua D. Pedro V (frente à SportTrofa)”. “Quando fomos para lá, estava entupido de carros, já para não falar que tem uma paragem de autocarro e nada nem ninguém nos garante que não vamos ser multados por parar naquele local. Acabamos por ir embora mais cedo”, contou.
De acordo com os taxistas, o projeto de requalificação dos parques da cidade definia a Praça de Táxis na Rua Padre Joaquim Abade Pedrosa, mas os motoristas não aceitaram. Acabaram por “chegar a acordo” com a Câmara Municipal para a Rua Camilo Castelo Branco, para onde já terão sido encaminhados. “Mas nós não fomos, porque queremos uma coisa decente, não nos podem mandar para cima do cascalho”, reclama Valdemar Silva. Os taxistas querem “dignidade” para trabalhar e sugerem a colocação de sinalização horizontal (no piso) de lugares reservados para o efeito, além da extensão da Praça, porque, segundo Américo Azevedo, o espaço delineado “é curto”, porque têm de “ficar em linha” e não estacionar em espinha. “Precisamos de espaço para, pelo menos, seis carros”, acrescentou. Valdemar Silva aponta para outro pormenor: “Imagine que colocaram tantos bancos no centro da cidade e na nova praça não temos nem um para nos podermos sentar”.

Os taxistas estão descontentes com a atual situação e lastimam a imagem que as pessoas têm da Trofa. “Nem um roteiro existe para os estrangeiros. Quando eles pedem, o que lhes digo é que isto, infelizmente, não é uma cidade, mas uma aldeia grande”, lamentou Américo Azevedo.

O NT pediu esclarecimentos à Câmara Municipal da Trofa, mas até à hora de fecho da edição não recebeu qualquer resposta.