Os elementos da comissão promotora do concelho da Trofa reuniram-se num jantar, no feriado municipal, para falar do passado, comentar o presente e sonhar por um futuro melhor para o município.

 

“Foi lindo”. O desabafo saiu da boca de José Maria Moreira da Silva, na hora de recordar os acontecimentos de 19 de novembro, que levaram à criação do concelho da Trofa. Na altura presidente da Junta de Freguesia do Muro, Moreira da Silva fez parte da comissão que trabalhou afincadamente para que o sonho fosse concretizado.

Quinze anos depois, grande parte dos  elementos da comissão promotora ainda se reúnem, no feriado municipal, para partilhar a nostalgia e avaliar os resultados da criação do município. Valeu a pena? “Sim”, afirma. Era este o concelho que imaginavam? “Como pais, também queríamos o melhor para o seu filho, sonhávamos um concelho completamente diferente, inovador e exemplar, mas viemos a verificar um igual aos outros”, desabafa, manifestando a esperança que “ainda há tempo para recuperar”.

Para Moreira da Silva, “o grande projeto que se eliminou e, à partida, era dos mais importantes, era o trofismo, que desapareceu”. “A massa crítica que a sociedade trofense tinha era deslumbrante, mas está amorfa e isto por culpa do poder político autárquico que, propositadamente, não lhe interessava ter uma massa crítica violenta e a exigir, constantemente”, acrescentou, salientando que “quanto mais o trofismo estiver arreigado, melhor o poder político se vai portar”.

Manuel Silva, por seu lado, considera que “ao longo dos anos, houve problemas de gestão”, mas defende que “passada esta fase difícil, vamos dar a volta”. “Há quem ache que devíamos colocar a corda no pescoço e ir a Santo Tirso pedir desculpa pela forma como as coisas aconteceram, com a ideia de que não fomos capazes de gerir os nossos destinos e que não fomos capazes de corresponder às expectativas que criamos, mas eu digo que apesar dos erros e das dificuldades, valeu a pena. A Trofa é senhora do seu destino e só dela depende”, frisou.

Sobre a hipotética fusão de municípios, tanto Moreira da Silva como Manuel Silva não acreditam que a Trofa seja um deles. “Essa questão não se põe, porque esta pseudo-reforma administrativa nunca atingirá o concelho, porque há outros no país com 2400 e nós temos 40 mil”, afirmou o primeiro. Manuel Silva complementa: “Eu percebo a necessidade de uma reforma administrativa do país, há muito que a defendo, mas a Trofa não está em perigo. O futuro da Trofa passa pela independência, porque tem massa critica, território, economia e condições para ter um bom futuro”.

Este ano, os elementos da comissão promotora reuniram-se num jantar, num restaurante em Santiago de Bougado, onde também relembraram Augusto Vaz e Costa Ferreira, com um minuto de silêncio, e receberam a visita do presidente da Câmara Municipal, acontecimento inédito em 15 anos.