Falar de voluntariado é falar de um binómio entre quem ajuda e quem quer ser ajudado. Ser-se voluntário em qualquer coisa ou por qualquer causa, implica em primeiro lugar, aquele mote inato no coração, que estimula cada ser humano a ajudar o seu semelhante.

Tratar-se-á, pois com certeza, de uma “lei da existência”.

O voluntário que ajuda sente uma alegria, que é muito maior do que a acção realizada, quando consegue oferecer algo de si próprio, gratuitamente, aos outros, e aquele que voluntariamente aceita a ajuda sente um raio de esperança. Isto acontece em qualquer parte do mundo, e não obrigatoriamente, ou em exclusivo, por e para indigentes.

Neste ano de 2011, em que a Europa o dedica ao Voluntariado, mas já no remoto ano de 2001, então proclamado Ano Internacional do Voluntariado, permanece a enigmática questão:

O que leva um voluntário a dedicar a sua vida ao próximo?

Precisamente por isto, “…o Voluntariado constitui um factor peculiar de humanização: graças às diversas formas de solidariedade e de serviço que promove e concretiza, torna a sociedade mais atenta à dignidade do homem e às múltiplas expectativas. Através da actividade que desempenha, o Voluntariado faz a experiência de que, só através da dedicação ao próximo, a criatura humana se realiza plenamente a si mesma…”(Wojtyła, Karol Józef – 2001).

Na hodierna vida social, a solidariedade emerge como sinónimo de voluntariado. Compreender, nos dias de hoje este espírito de entreajuda, por certo bem longínqua no tempo, melhor se define, por necessidades de combater os incêndios, em Portugal, no reinado de D. João I (1385-1433). Surge assim o homem da bomba…o Bombeiro Voluntário… “que em caso que se algum fogo levantasse, o que Deus não queria, que todos os carpinteiros e calafates venham àquele lugar, cada um com seu machado, para haverem de atalhar o dito fogo. E que outros sim todas as mulheres que ao dito fogo acudirem, tragam cada uma seu cântaro ou pote para acarretar água para apagar o dito fogo. Estabelecia também que os pregoeiros da cidade saíssem de noite pela ruas, a avisar, em voz alta, os moradores, de que deveriam tomar cuidado com o lume em suas casas…”. (D. João I, através da Carta Régia de 23 de Agosto de 1395)

No presente, vemos com grande atenção os números do fenómeno do voluntariado e também o consideramos muito em particular, o número de bombeiros voluntários, 58477 elementos, num total geral: http://www.prociv.pt/assbom/Pages/CorposdeBombeiros.aspx, a 25de Março de 2011 às 11 horas, em Portugal Continental, e inscritos no Corpo de Bombeiros Voluntários da Trofa, estão 176 pessoas.

Dar uma ideia da magnitude deste fenómeno, ao nível concelhio, passa por dar importância e notável empenho ao Banco Local de Voluntariado da Trofa, formado em 18 de Janeiro de 2007. E considerando o número crescente de voluntários, há tendência para se fortalecer o número de pessoas profissionais para proporcionar uma melhor eficiência. A difusão do dito profissionalismo faz correr o risco de fomentar nas pessoas uma atitude de dispensa do dever de servir o próximo.

O voluntariado na protecção civil é uma escola de altruísmo e os seus agentes voluntários são os que permanecem relacionados institucionalmente consagrando tempo e energia gratuita com os demais. Este mesmo voluntariado depende, então, da orientação que se desperta nos que são voluntários e os seus testemunhos, de homens e de mulheres, são os exemplos para o mundo dos voluntários.

João Pedro Goulart – Comandante dos Bombeiros Voluntários da Trofa

 

Desde que nasci já o meu pai, o meu avô, os meus dois tios e a minha prima, eram bombeiros nesta mesma corporação, e talvez por esse factor já o “bichinho” de ser bombeiro existia dentro de mim, um pouco adormecido.

Por volta dos meus seis/sete anos de idade ingressei na fanfarra da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Trofa e durante os 10 anos que andei na fanfarra que me inscrevi como Cadete nesta corporação, aos 14 anos, vindo posteriormente a dedicar-me apenas a esta grande causa.

No anos que se seguiram a minha “paixão”, o meu “amor” e a grande vontade de ajudar o próximo cresceram imenso, tendo realizado um sonho que sempre me acompanhou ao longo da vida. Para mim ser bombeiro é uma vocação pelo simples prazer de proteger a vida, não existindo nada mais nobre do que salvar vidas, entendendo disso mais que ninguém pois investimos de corpo e alma numa profissão de alto risco.

Hoje, com 23 anos, ainda sirvo esta grande causa e sou funcionário na Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Trofa, das 9 horas às 18horas, tendo a função de secretário administrativo, ou seja, secretário do comando.

Todos os anos que dediquei, e que irei dedicar, aos bombeiros são uma mais-valia para mim, pois desde cedo comecei a ter noção da responsabilidade que tenho em ajudar o próximo, sentindo-me orgulhoso por a sociedade contar comigo e com todos os meus colegas bombeiros, de norte a sul do país, formado assim uma única força, a dos “Soldados da Paz”.

Ricardo Simão Moreira Costa – Bombeiro 3ª, n.º 144

 

Desde criança que queria ser bombeiro e com o passar dos anos resolvi ingressar na corporação dos Bombeiros Voluntários da Trofa.  Quando completei a formação para o ser notei que estava a ser responsabilizado para o que é ser verdadeiramente bombeiro voluntário. Neste momento já com 18 anos de bombeiro voluntário, sei que sempre quis ajudar o próximo e valorizo o que é ser voluntario.

Todos os dias, surgem novos desafios e temos momentos de tudo, pois por vezes não se olha a possíveis consequências do perigo que se corre em prol de quem espera a nossa ajuda. E é com estes exemplos daquilo que passamos diariamente que sei que ainda são  poucas as pessoas que tem noção do que é ser voluntário.

Simão Carlos Cruz Veloso – Voluntário n.º 18

 

Ser bombeiro não estava inicialmente nos meus planos de futuro, no entanto a vontade de poder ajudar o próximo, que me foi incudida desde cedo pelos meus pais, falou mais alto. Entrei na corporação a 6 de Março de 2001 e talvez tenha sido um pouco tarde, mas quando penso não terá sido o pior, pois nesta altura já temos a vida mais organizada. Isto porque também é importante consolidar a vida familiar com a vida de voluntário o que não e fácil.

Bombeiro não é só um homem ou uma mulher que vai socorrer aquele que pede auxílio. Nós somos os amigos que damos um carinho para poder aliviar a dor que por vezes não é física. Ser voluntário nos bombeiros é como diz o lema: “Nós vamos, mas não sabemos se voltamos”. Por vezes as pessoas pensam que ganhámos por fazer o serviço nocturno, mas não recebemos nada, embora a associação se responsabilize pelo almoço ou pequeno-almoço.

Será que é fácil ser voluntario? Não. Será que alguém estava disposto em pleno Verão com temperaturas altas, a deixar o lugar na praia para ir combater um incêndio no mato, que não sabemos a que horas irá acabar? Será que alguém gostaria de receber uma chamada de madrugada no Inverno, a chover e muito frio, para acudir quem precisa, quando poderia estar a dormir em casa, na cama quentinha? Eu falo em casa porque um voluntário não é só aquele que está no quartel.

Sou voluntário com grande prazer e satisfação e orgulho-me do que sou e do que faço. Também tento incutir esta vontade nos meus filhos pois, acho que todos precisámos de bombeiros voluntários. Hoje eu para eles, amanhã eles para mim.

Rui Manuel da Costa Ferreira – Voluntário n.º122

 

Ser bombeiro voluntário é uma das mais nobres funções que um ser humano pode exercer enquanto vivo. Poder ajudar as pessoas e a natureza é sempre bom.

Estar disponível a qualquer hora e em qualquer situação, sem remuneração, deveria ser entendido pelo resto da população como um acto a valorizar e não a desvalorizar.

A primeira vez que ouvi a sirene estava em casa e de imediato acorri ao quartel perguntando se podia ser útil, tinha seis meses de bombeiro. Era um incêndio florestal que estava a deflagrar e que estava a pôr em perigo habitações. O Comandante da corporação dos Bombeiros da Trofa, olhou para mim e disse, que não havia farda disponível e eu respondi: “Tenho a minha farda no carro”. Foi então que ele disse: “Então seja bem-vindo”.

Tenho imenso prazer quando me reconhecem na rua pelo trabalho que faço como assalariado e como voluntário. No entanto as tarefas de bombeiro não são feitas apenas de paixões, são feitas também de sacrifícios e dissabores. O que me custa mais no trabalho de bombeiro é tudo o que envolva crianças, a morte também é difícil, mas quando há crianças é prioritário. E hoje com 20 anos de bombeiro estou satisfeito com o meu trabalho nesta corporação. Também tento incutir esta vontade nas minhas duas filhas pois, acho que todos precisámos de bombeiros voluntários. Hoje eu para eles, amanhã eles para mim.

Joaquim Alberto Maia Mendes n.º 125