Cumprindo a tradição, a procissão em honra de Nossa Senhora das Dores saiu à rua e milhares de pessoas encheram o centro da Trofa para participar nesta demonstração de fé.

As cores vivas, a decoração artesanal e os pequenos pormenores que fazem a diferença vão ficar na memória dos milhares de pessoas que assistiram à procissão em honra de Nossa Senhora das Dores, na tarde de domingo. Movidos pela fé ou pela curiosidade, muitos foram os que não quiseram perder a oportunidade de comprovar a grandiosidade dos dez andores que desfilaram pelas ruas de S. Martinho de Bougado. Entre cada uma das estruturas, os católicos mais novos da paróquia de S. Martinho protagonizaram cenas bíblicas, que faziam referência às sete dores da santa. Na cauda da procissão seguiam centenas de devotos, que quiseram saldar as promessas feitas a Nossa Senhora das Dores em momentos de aflição, enquanto que nos passeios ou nas bermas das ruas, milhares de pessoas optavam apenas por ficar a assistir. Nas janelas de muitas habitações, colchas e cobertas embelezavam o percurso. Da Capela de Nossa Senhora das Dores, foram lançadas pétalas quando o andor da santa passou. A romaria é também sinónimo de negócio e entre “dois banquinhos, cinco euros” e “bebidas fresquinhas”, os vendedores convidavam o público a comprar ainda antes da procissão começar. Mais uma vez, a tradição manteve-se e trofenses, e não só, saíram à rua para demonstrarem a fé que os une a Nossa Senhora das Dores.


Luciano Lagoa, pároco de S. Martinho, mostrou-se contente com a forma como decorreu a demonstração de fé: “Estou realmente muito satisfeito, pois foi uma procissão muito bem organizada, com os quadros (bíblicos) muito bem definidos e os andores muito bonitos”.

Luciano Lagoa acredita que os trofenses nunca vão perder a fé e que as festas continuarão a existir.

“Se algum dia falhar a fé dos trofenses em Nossa Senhora das Dores, perde-se também grande parte da identidade da Trofa. A Trofa também cresce com estes valores cristãos “, defendeu.

Enquanto pároco de S. Martinho de Bougado, Luciano Lagoa confessa que “é cada vez mais difícil organizar as festas, por vários motivos, mas há sempre muitas pessoas que dão o corpo ao manifesto” para a tornar possível. “Desde já, deixo uma palavra de apreço a todos os que contribuíram para as festas deste ano”, acrescentou.

Na recta final da romaria, Manuel Dias, coordenador-geral da Comissão de Festas, considera que o número de pessoas a assistir à procissão é mais uma prova da sua qualidade: “Hoje (domingo) é o culminar do reconhecimento das pessoas”. “Desde o início, todos trabalhamos para organizar umas festas dignas e, de facto, foram”, sublinhou. Esta Comissão tentou mostrar “à juventude” que “as festas não devem acabar e que só continuam se os jovens aderirem e perceberem a importância da sua organização pelo povo”.

Para os trofenses que vão assumir a organização do próximo ano, Manuel Dias deixou um conselho simples: “Trabalhar”. “Nós estamos totalmente disponíveis para prestar toda a colaboração possível”, assegurou.

Pela primeira vez na qualidade de presidente da Câmara Municipal na romaria da Senhora das Dores, Joana Lima participou na procissão e mostrou-se orgulhosa pelo trabalho desenvolvido. “O colorido dos andores, as bandas de música que marcaram o ritmo, os figurantes e o público fizeram desta procissão um momento muito bonito”, declarou. A autarca referiu, ainda, a importância de apoiar as comissões de festas: “A Câmara Municipal tem a obrigação moral e até política de se associar e apoiar umas festas desta dimensão, que têm uma expressão regional e até nacional”.

Entre o público, o destaque foi para o elevado número de crianças e jovens presentes: “Para além de estarem presentes e participarem na procissão, os jovens vão, no momento certo, assumir as suas responsabilidades enquanto cidadãos e enquanto católicos para darem continuidade às festas de Nossa Senhora das Dores”.

Depois de terminada a procissão, era tempo de desmontar os andores e guardar as decorações para o próximo ano.