A situação demográfica verificada a nível mundial nos últimos anos, teve uma explosão com um aumento de cerca de 80 milhões de habitantes por ano e uma duplicação nos últimos 30 anos, mas tem tendência a implodir. O número de filhos por mulher tem baixado significativamente, passando de 5, há pouco mais de duas décadas, para 2,7 atualmente. As estimativas para esta taxa, em termos médios e mundiais, apontam para 1,5 filhos por mulher.

As transformações verificadas em termos demográficos, no decorrer dos tempos, apontam para a existência de um equilíbrio até ao século XIX, entre uma forte mortalidade e uma intensa fecundidade, mas a partir do século XX esse equilíbrio deixou de se verificar devido à melhoria das condições de vida e de higiene, que provocaram uma diminuição da mortalidade.

É curioso verificar que o aumento significativo de habitantes à face da terra esteve associado ao melhoramento das condições de vida e aos progressos constantes da medicina, e que a diminuição de filhos por mulher também está associada a esses fatores, mas acrescido de outros como a crise, a educação e a igualdade do género. Para assegurarem um melhor futuro para os seus filhos, os casais optam por ter menos filhos, até porque a diminuição da mortalidade infantil também leva a que os casais se apercebam que já não necessitam de ter muitos filhos para assegurar a descendência.

A elevação da escolaridade também contribuiu para o decréscimo da população, bem como a igualdade de direitos entre homens e mulheres. Contrariando a tendência do passado, as jovens passaram a estudar até mais tarde, adiando assim o seu casamento e o seu primeiro filho. O casamento tardio e a atividade profissional intensa, reduzem a hipótese de a mulher ter muitos filhos. Também a contraceção contribuiu para este decréscimo do número de filhos por mulher, notando-se, a nível mundial, a diferença entre as regiões do mundo onde os meios anticoncecionais são prática corrente e aquelas onde esses meios estão ainda pouco difundidos e, talvez por isso, pouco utilizados.

Um outro problema demográfico mundial é o envelhecimento da população, que quase quadruplicou o número de pessoas com mais de 65 anos nos últimos 50 anos. Este aumento tende a continuar. A esperança média de vida tem vindo a aumentar um ano em cada cinco anos que passam. No início do século XIX, a esperança média de vida no mundo era de 25 anos, estando hoje nos 66 anos e prevendo-se, para 2050, a chegada aos 76 anos. Em Portugal a esperança média de vida também tem vindo a aumentar, estando à volta dos 80 anos.

O problema demográfico em Portugal tem vindo a agravar-se nos últimos anos. Em apenas uma década, passou-se de 1,6 crianças por mulher para 1,3. A idade média com que ocorre o nascimento de um filho passou dos 28 anos, no início do século XXI, para os 30 anos. As mulheres valorizam mais a componente da carreira profissional, tentando não sacrificar a vida privada. São opções. Muitas vezes tentam conseguir conciliar a vida profissional com a maternidade, sendo que a maior parte das vezes a solução é adiar e, naturalmente, diminuir o número de filhos.

Muitos casais jovens não conseguem passar a fase do go go dá dá, também em virtude da atual crise – económica, financeira, desemprego, precariedade e mobilidade no emprego (quando existe). Nestes tempos atuais, ter filhos é considerado um luxo, e com isso o futuro é posto em causa, pois é necessário assegurar a substituição de gerações. Segundo estudos, para existir um equilíbrio de gerações, a média deveria de ser 2,1 filhos por mulher. A situação demográfica, a continuar assim, atingirá, em 2050, os quatro idosos para apenas um jovem. Serão muito poucos a trabalhar para muitos! Até para as empresas a situação pode ser grave. É urgente alterar o rumo.

José Maria Moreira da Silva

moreira.da.silva@sapo.pt

www.moreiradasilva.pt

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