No debate público promovido pela Junta de Freguesia de S. Martinho de Bougado sobre a reforma da administração local a maioria dos participantes mostrou ser a favor da fusão das freguesias, incluindo o presidente da Junta, José Sá.

A Junta de Freguesia de S. Martinho de Bougado realizou na segunda-feira, dia 21, uma discussão pública sobre o Documento Verde da reforma da administração local. A sessão foi moderada por Carlos Almendra, que começou por fazer uma abordagem histórica sobre a divisão administrativa em Portugal, seguindo-se uma explicação aprofundada sobre o Documento Verde da Reforma da Administração Local e a sua aplicação “previsional” ao concelho da Trofa.

Segundo o Documento Verde as freguesias que são sede do município e que distem a menos de três quilómetros de raio entre si deverão ter um mínimo de 15 mil habitantes, logo S. Martinho de Bougado (15.153 habitantes) deverá ser fundida com Santiago de Bougado, uma vez que esta última, segundo os censos de 2011, apenas tem 6.395 habitantes. Vasco Pereira, tesoureiro da Junta de Freguesia de S. Martinho de Bougado, foi o primeiro a intervir para dizer que não concorda com as fusões de forma cega. “Acho que as juntas de freguesia existem para resolver os problemas das pessoas e esse deverá ser o parâmetro mais importante. Concordo, por isso, com a agregação das freguesias, mas considero que com estes limites estamos a exagerar e acho que vamos correr o risco de ter freguesias que têm uma população muito maior do que muitos concelhos”, adiantou o tesoureiro.

Jorge Campos defendeu que estes debates devem partir, primeiramente, dos municípios e não das freguesias. “A discussão tem de partir da Câmara Municipal da Trofa, é um erro estar a discutir a nossa freguesia, o nosso posicionamento descontextualizado do nosso concelho. Acho que a autarquia deveria apresentar uma proposta e depois esta deveria ser levada à Assembleia Municipal e às Assembleias de Freguesia. Não tenho posição tomada relativamente a esta questão, mas gostava de ouvir as pessoas, porque neste momento, temos 120 concelhos no País que têm menos habitantes que S. Martinho de Bougado, e isso, naturalmente, dá que pensar”, asseverou.

E se para uns a posição ainda não é clara outros há que não têm dúvidas. Emília Cardoso defende que por questões económicas se devem fundir as juntas freguesias. “Se estamos a falar em contenção de despesas penso  que devemos realmente fundir as juntas de freguesia. Não devemos mexer nas freguesias em si pois elas têm a ver com a nossa pertença, com a nossa história e na minha opinião isso não custa dinheiro nenhum e não traz qualquer problema à situação em que vivemos”, adiantou.

Isabel Cruz também fez questão de deixar clara a sua posição quanto à fusão das freguesias. “Mesmo que no futuro o caminho seja uma Junta de Freguesia do ponto de vista da organização política de S. Martinho e de  Santiago, eu viverei sempre em S. Martinho de Bougado. É preciso separar aqui que a freguesia não vai deixar de existir no mapa, a freguesia mantém-se. Isso seria o desejável, porque por muito que queiramos cada freguesia tem as suas características, e a identidade de um povo são para toda a vida e não devemos destruí-las”, afirmou. 

Luís Pinheiro também admitiu ser a favor desta medida, desde que sejam tomadas algumas considerações. “Estou completamente de acordo que as Juntas de Freguesia se juntem não perdendo a denominação. No caso de S. Martinho e Santiago de Bougado caso se venham a unir, considero que, administrativamente, a gestão dessas duas freguesias deveria  ser feita apenas com um executivo, e penso que esse executivo deveria ser eleito por elementos de uma freguesia e de outra, para que posteriormente as pessoas se pudessem identificar com o executivo que lá está”, asseverou.

António Vieira foi um dos intervenientes que mostrou ser contra esta proposta. “Acho que este Documento Verde é um perfeito disparate e por isso sou contra. Na minha opinião as freguesias não gastam dinheiro nenhum, isso é mero masoquismo anti-democrático”, afirmou. 

Pedro Reis, foi o único jovem que interveio neste debate público e questionou o autarca José Sá, relativamente à sua posição. “Estamos a falar em termos administrativos das fusões das freguesias, mas devemos recuar ao passado. Na década de 70/80 tentou-se fundir o Clube Desportivo Trofense e o Atlético Clube Bougadense e que acabou por fracassar devido a várias divergências. Será que nos tempos que correm essas divergências foram ultrapassadas? Será possível esquecer o bairrismo e funcionar como uma verdadeira estrutura? O que é que o presidente da Junta acha desta situação?”, questionou.

José Sá mostrou ser a favor da fusão das freguesias bem como dos clubes de futebol existentes, tudo em prol de uma cidade só. “Este seria o momento ideal após a fusão das freguesias para acabarmos com as rivalidades, de forma que teria muito orgulho em que os clubes também se fundissem para podermos trabalhar em parceria numa cidade só. Relativamente à fusão das freguesias sou da opinião que deve ser feita essa reforma  administrativa, defendo que não se de-ve acabar com a identidade dos povos nem com a das freguesias, mas que deve ser feita esta reforma nas entidades. Acho que é importante a redução de juntas, muito embora em termos económicos o resultado será zero”, afirmou o presidente da Junta.

Apesar da importância deste tema a reunião pública contou com pouca participação dos habitantes de S. Martinho de Bougado.

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