Marco Cunha foi ordenado presbítero a 29 de junho e no dia seguinte celebrou missa nova em S. Martinho de Bougado.

Apesar do cansaço, o orgulho estava estampado no rosto de Inês Cunha. Na manhã de domingo, já o sol ia alto, olhava com vaidade para o esplendoroso tapete de flores, artisticamente decorado no largo fronteiriço à Igreja Nova, local onde cerca das 16 horas, o sobrinho Marco Cunha ia celebrar a sua missa nova. O trabalho começou 15 dias antes, na preparação “dos verdes” e a semana seguinte foi dedicada às flores, colhendo os girassóis plantados exclusivamente para esta ocasião. Foi desta forma que Inês, juntamente com “a família toda” e “amigos”, cerca de 35 pessoas, mostrou “a consideração, carinho e amor” que tem pelo sobrinho, o novo presbítero trofense.

Marco Cunha recebeu a “imposição das mãos” do Arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, na noite anterior, no Colégio das Caldas da Saúde, em Santo Tirso, tornando-se mais um presbítero ao serviço da Igreja Católica. Familiares e amigos estiveram presentes na cerimónia que também contou com dezenas de sacerdotes da Ordem da Companhia de Jesus e do pároco de S. Martinho de Bougado, Luciano Lagoa.

No domingo à tarde, na Igreja Nova, em plena terra natal, Marco Cunha celebrou a missa nova, assistida por centenas de pessoas, e animada com solenidade pelo coro paroquial. A celebração foi acompanhada por dezenas de sacerdotes, entre os quais o Superior da Ordem dos Jesuítas.

Após o “beija-mão” – gesto tradicional dos cristãos ao novo padre -, seguiu-se um lanche convívio aberto a todas as pessoas que quiseram participar.

Para Marco Cunha foram “dois dias de grande consolação e de grande intimidade com o Senhor Deus”. “Foram dois dias em que vi muito do que é a minha vida concentrado no amor de Deus. Senti Deus muito próximo, enquanto estava ajoelhado na ordenação. Na missa nova, depois ver este empenho das pessoas da paróquia, com o tapete de flores lindíssimo, o coro, os acólitos e outras pessoas, nem consigo encontrar palavras para descrever a emoção que senti”, referiu em declarações ao NT.

“Esta é uma ocasião muito importante na renovação da fé, pois vemos alguns dos nossos a assumir responsabilidades na vida da Igreja”, afirmou Luciano Lagoa sobre a ordenação de Marco Cunha. O pároco agradeceu “a todos os grupos que trabalharam, desde a liturgia à festa”. “Toda a gente viveu esta missa nova de um dos seus filhos e, para mim é muito grato salientar este facto de em dois anos seguidos termos dois filhos desta terra a assumir o sim a Jesus Cristo na vida sacerdotal”, sublinhou. Recorde-se que, em 2012, S. Martinho de Bougado também celebrou a missa nova de Pedro Miguel Rodrigues, natural de S. Martinho de Bougado.

Formado em Engenharia Civil, Marco Cunha ouviu o “chamamento de Deus”, aos 27 anos, entrando para o Noviciado da Companhia de Jesus, em Coimbra, em setembro de 2002. “A vida foi-se encaminhando e a certa altura, quando já estou a trabalhar, vejo que a minha vida está a caminhar, mas percebo que há alguma coisa que me falta. Aí, procurei um padre jesuíta que me ajudou a perceber para onde é que Deus me estava a chamar”, contou.

Já enquanto estudava no Porto, Marco Cunha conheceu o Centro de Reflexão e Encontro Universitário dos Jesuítas, onde travou amizade com alguns jesuítas, percebendo que “aquelas pessoas tinham em Deus o fundamento da sua vida”. Este foi um dos primeiros passos para perceber que também ele tinha em Deus o fundamento da sua existência. Depois de frequentar o Noviciado, Marco Cunha estudou Filosofia, em Braga, rumando de seguida para Moçambique, onde deu aulas de matemática e ajudou a paróquia. Daí, foi para Roma, onde estudou Teologia na Universidade Gregoriana. Nessa cidade, foi ordenado diácono a 10 de abril, na Igreja de Gesú.