O presidente do CD Trofense, Rui Silva, reconheceu que esta primeira época do clube da Trofa no escalão máximo do futebol português “não foi devidamente preparada”.

O Trofense ocupa o 14º lugar da Liga Portuguesa de Futebol, com 18 pontos, seguindo um lugar acima da “linha de água”, mas apenas com mais um ponto do que Rio Ave e Belenenses, 15º e 16º classificados, respectivamente.

Em entrevista publicada no sítio oficial do clube, na Internet, Rui Silva disse que a época 2008/2009 – primeira temporada do clube na Liga Principal em 28 anos de história – “não foi devidamente preparada” e explicou as razões.

“Percebo hoje que esta época não foi devidamente preparada. A prova disso foi que não fizemos sequer um ponto nas cinco primeiras jornadas. Ainda hoje estamos a pagar essa factura. Se desses 15 pontos tivéssemos feito pelo menos cinco, estaríamos a meio da tabela classificativa. Mas estamos a emendar tudo isso”, disse o dirigente.

Numa entrevista exclusiva, Rui Silva falou ainda da escolha do treinador Tulipa, que substituiu António Conceição à terceira jornada, do processo disciplinar recentemente instaurado ao médio Sidney e dos rumores que davam como certa a entrada de Carlos Janela, ex-director desportivo do Belenenses, para o cargo de director desportivo.

“Nunca foi ponderada essa hipótese, mesmo sabendo que seria uma grande mais-valia para a estrutura do Trofense. É um profissional de reconhecida qualidade, com um currículo de respeito, mas está fora de questão essa hipótese”, garantiu Rui Silva, lembrando que Carlos Janela colaborou de forma “esporádica” com o Trofense, nomedamente na contratação do médio Hugo Leal e do avançado Charles Chad.

Rui Silva explicou: “peço-lhe colaboração sempre que necessito, pois é uma pessoa das minhas relações pessoais, confio na sua seriedade e experiência e que está no mesmo pé de igualdade com todos os empresários que estão no mercado e que trabalham connosco”.

Sobre Tulipa, o presidente trofense disse que o facto de, recentemente, o clube da Trofa ter renovado contrato com o treinado por mais uma época e meia, ou seja, até ao final da temporada 2009/2010, “prova a confiança que está a ser depositada neste jovem técnico”.

Rui Silva descreveu Tulipa como “um treinador moderno, estudioso, muito ponderado, com grandes conhecimentos do que é o futebol a nível nacional e mundial”.

Questionado sobre os maus resultados da equipa e do facto dos últimos desaires (derrotas em Coimbra, frente à Académica, e em casa, com Vitória de Setúbal, ambas por 1-0) terem sido alvo de contestação por parte dos adeptos, o dirigente disse “compreender” porque “é muito grande a vontade de ganhar” e de “ficar na Liga”: “logo quando perdemos ficamos magoados”, justificou.

A propósito dos clubes que têm revelado viver com dificuldades financeiras que resultam do não pagamento aos jogadores, Rui Silva apelidou esta situação de “concorrência desleal” e vincou que o Trofense apoia as medidas da Liga de Clubes e do Sindicato de Jogadores.

“Apoio totalmente as medidas que a Liga e o Sindicato dos Jogadores preconizam. Espero que na próxima época não hajam mais Amadoras ou outros clubes incumpridores. Dificuldades todos temos, mas não pagar salários e atrasar mais de dois meses é muito grave”, afirmou o dirigente trofense, garantindo que na Trofa “todos os compromissos são honrados e estão em dia”.

Por último e relativamente ao processo disciplinar instaurado a Sidney, Rui Silva, sem entrar em pormenores e escusando-se a revelar o teor e as razões deste processo, referiu que nunca aceitará “comportamentos que ponham em causa a integridade e a coesão do grupo de trabalho”.

“Temos princípios bem definidos. Quem os pisar sofrerá as consequências e assumirá as suas responsabilidades. Em matéria de disciplina e ética, sou muito intolerante”, concluiu.