Rui-Silva

Em dia de aniversário a Trofa regozija-se por todos os feitos alcançados e que permitiram o desenvolvimento do concelho. A subida de do Clube Desportivo Trofense foi, sem sombra para dúvidas um dos marcos históricos do concelho. O presidente do emblema da Trofa, Rui Silva apresentou uma visão crítica e construtiva do passado, presente e futuro.

Sobre os últimos dois anos à frente dos destinos do Clube, o 28º Presidente do C.D. Trofense, Rui Silva afirmou que o balanço efectuado é extremamente positivo, pois “conseguimos alcançar todos os objectivos propostos em Junho de 2006”. O responsável salientou o processo de subida à Primeira Liga em somente duas épocas, ultrapassando o objectivo inicial de consolidação do Clube na 2ª Liga, o esforço e o investimento ao nível das infra-estruturas, reconhecendo o Complexo Desportivo C.D. Trofense em Paradela como um espaço de referência para a formação desportiva e cívica dos atletas do Departamento de Formação. Rui Silva sublinhou ainda o aumento significativo do número de sócios efectivos e pagantes (600 sócios em 2006 para 2900 em finais de 2008), a mobilização e o envolvimento da população do concelho da Trofa neste novo projecto, acrescentando que na época 06/07 a média de assistência aos jogos foi de 900 espectadores, caminhando para os 1800 espectadores na época 07/08 e a profissionalização da gestão do Clube, sendo definidos vários departamentos de acção como: departamento de marketing e comunicação, formação, futebol profissional, organização de jogos, financeiro, jurídico e relações públicas.

Neste balanço, Rui Silva referiu que quando abraçou este projecto encontrou “um clube com poucos recursos e com uma gestão amadora”, reconhecendo e enaltecendo o significativo empenho e contributo da anterior direcção, vestindo sempre a camisola em prol do Clube.

A histórica subida ao principal escalão de futebol obrigou a grandes investimentos: “A construção e o melhoramento das infraestruturas do clube – Estádio e Complexo Desportivo – representou a maior fatia do investimento global. Este foi garantido através de dois empréstimos, um efectuado por mim na primeira época e outro feito pela banca esta época”, referiu. Rui Silva revela ainda que “para este investimento não ser ainda mais elevado contei com o apoio de alguns amigos do clube como são os casos das empresas Metalogalva e Eurico Ferreira, entre outros”.

O C.D. Trofense possui um estádio com capacidade para 5100 espectadores sentados (em 2006, a capacidade era 1100, passando para 3200 na época 07/08), condições ímpares para a comunicação social, sócios e adeptos e condições para transmissões televisivas (até ao momento já foram realizadas 4 transmissões televisivas em directo).

De igual modo, “o Complexo Desportivo C.D. Trofense que, recentemente enriqueceu o património do clube, possui dois campos em relva sintética de última geração, balneários e áreas de apoio com todas as condições necessárias para os mais de 300 atletas do Departamento de Formação que, semanalmente, frequentam esta infraestrutura.”

 

A ausência da Liga Intercalar e a saída de Toni

Nesta visão crítica dos últimos dois anos, Rui Silva fala abertamente sobre os principais erros na gestão do clube. “O processo moroso de renovação do técnico António Conceição, condicionando todo o planeamento para a época 08/09 e a não participação na edição 08/09 da Liga Intercalar foram dois erros na nossa gestão”. Rui Silva reconhece um conjunto de factores que contribuíram para esta decisão conjunta com António Conceição, mas hoje em dia não tem dúvidas que a participação na prova organizada pela Associação de Futebol do Porto, teria sido uma boa aposta e oportunidade para a observação de jovens jogadores. “Se essa oportunidade surgisse hoje, com certeza que não a deixaríamos fugir”.

Um dos temas que marcou o início da temporada foi a rescisão de António Conceição (rescisão do contrato por mútuo acordo ao final da 3ª jornada da 1ª Liga). Rui Silva garante “que os resultados obtidos até à 3ª jornada, 4 derrotas em 4 jogos oficiais, incluindo a Taça da Liga, não foram o principal motivo para a rescisão entre as duas partes”, afirmando “que a sintonia, que pautou o êxito da época passada, tardava em aparecer esta época, resultando em divergências inultrapassáveis, nomeadamente na política desportiva do futebol profissional do clube.”

Na reflexão sobre o presente, Rui Silva fez uma abordagem ao futebol português, afirmando que “para lidar com as actuais dificuldades são necessários dirigentes com novas mentalidades”, sublinhando “o papel de liderança e de trabalho de equipa como estratégia para o desenvolvimento sustentado do futebol. Não podemos exigir apenas melhores futebolistas, também é necessário exigir melhores dirigentes.” Rui Silva refere-se ao Presidente da Liga de Clubes (LPFP), Hermínio Loureiro, como um exemplo a seguir: “veio revolucionar as mentalidades, credibilizar o Futebol Português e inovar na liderança e gestão da Liga de Clubes, sendo certo que não se muda em dois anos procedimentos e rotinas de 30”. Lembrou ainda que “os clubes têm grandes responsabilidades no desenvolvimento de uma liga profissional com mais valor, pelo facto de serem eles que aprovam os regulamentos”.

O presidente focou ainda a situação económica/financeira do futebol português, associando-a à da sociedade em geral. “O futebol está em crise, sendo incompreensível a existência de clubes que não cumpram os compromissos e as obrigações com os seus profissionais. É necessário um plano de gestão rigoroso e ajustado às possibilidades de cada clube para combater a crise. O Trofense tem um orçamento rigoroso, sendo seguido de forma cuidada e criteriosa.”

Para Rui Silva o tema ordenados em atraso “reflecte uma pura concorrência desleal, sendo da responsabilidade da Liga de Clubes a resolução desta infeliz realidade. Os orçamentos deste tipo de clubes não são caros nem baratos, são simplesmente gratuitos, pois eles não pagam. Mesmo assim o Trofense não desviará um milímetro a sua estratégia quanto à questão salarial, não pagando mais do que pode pagar, com o risco inerente de ter uma equipa menos competitiva”.

“Se um dia acontecer um caso de ordenados em atraso no cube, eu bato com a porta e sou o primeiro a demitir-me. Para mim, os jogadores enquanto homens estarão sempre em primeiro plano. Não é possível estabilidade profissional sem estabilidade pessoal e familiar”, acrescentou.

 

A contratação de Tulipa

A contratação do técnico Tulipa foi uma nova aposta, numa nova mentalidade e novos métodos de trabalho para o Trofense. “A selecção do novo treinador foi criteriosa, passando pelo processo de análise e de apreciação de 3 treinadores. A escolha recaiu nele pelas suas competências pessoais e profissionais manifestadas ao longo do seu percurso profissional no Ribeirão e no Estoril. O trabalho em equipa é uma das características-chave para o nosso clube, reflectindo os métodos de Tulipa. Ele revelando um perfil de treinador e pessoa que se enquadra com o Presidente e a Direcção. Contudo todos os projectos vivem de resultados. O futebol é um jogo, mas com confiança e avaliação contínua, o trabalho e os resultados poderão surgir”.

Rui Silva afirma estar satisfeito com o actual plantel, mas pede tempo para que este grupo de trabalho possa assimilar e operacionalizar as ideias de Tulipa, para assim surgirem os resultados esperados e sublinha que está satisfeito com o plantel. “Consideramos este grupo de trabalho muito forte e unido, confiando nas suas capacidades. Hugo Leal surgiu de uma excelente oportunidade para contratar um jogador de muita qualidade”.

O presidente afirma que “queremos ser mais profissionais e rigorosos” na política de contratações, sublinhando o recente reforço do gabinete de prospecção e detecção de talentos com a presença de um técnico experiente, o Professor Porfírio Amorim, que trabalhará em articulação com o Presidente, com o treinador do plantel sénior e o coordenador do departamento de formação.

“Ao sermos exigentes com o modelo de organização que queremos implantar no futebol profissional do clube, fazendo questão que nada falte aos profissionais que o servem, não podemos permitir o mínimo desvio por parte destes profissionais, aos deveres e obrigações a que estão vinculados”, afirmou.

 

Trofense é imagem do concelho

Rui Silva afirma que o Trofense é, actualmente, um veículo privilegiado de divulgação e de promoção do concelho. “Esta realidade deve-se a um trabalho contínuo e estruturado, desenvolvido pelo clube ao nível da imagem e da promoção. Modéstia à parte somos um clube diferente… fomos capazes de criar uma imagem de marca e de referência do nosso Clube e de promover o envolvimento dos Trofenses, estreitando a relação Clube / adeptos.” Afirma também “que o Clube é reconhecido pela sua capacidade de saber receber, sublinhado a acção pioneira da oferta de lanches em todos os jogos em casa a todos os adeptos, mesmo os da equipa adversária. “Esta acção só é possível pelo contributo da conceituada marca Panike, que como patrocinador oficial do Clube abraçou esta acção.”

O presidente reconhece como fundamentais os apoios dos patrocinadores, em especial do principal, Grupo Ricon, e do parceiro institucional Câmara Municipal da Trofa para viabilizar o seu projecto. “O Grupo Ricon é patrocinador do Clube há 10 anos e como bom patrocinador tem estado nos momentos bons e maus do clube. Enalteço a relação cordial que o clube tem com a autarquia e reconheço o esforço da Câmara Municipal da Trofa, na pessoa do Senhor Presidente, em contribuir para o desenvolvimento do clube”.

Rui Silva sente que o tecido empresarial local está com o clube, contando com o patrocínio de empresas como o Grupo Trofa Saúde (Hospital Privado da Trofa), Panike, Trofauto e Projectlider. “Cada vez mais, o nosso clube tem condições para dar o devido retorno em relação ao investimento feito pelos patrocinadores. Isto deve-se à visibilidade em participar na 1ª Liga e à estruturação de um plano estratégico de marketing. Hoje o Trofense tem uma projecção nacional e empresas como a Exchange e a Real Seguros escolheram patrocinar o Trofense por este motivo”.

 

Presidente felicita Trofa pelo 10º aniversário

Durante a abordagem desta temática, o Presidente confessou que “gostaria de ter mais apoio dos Trofenses, principalmente, nos momentos menos bons do Clube. “a nossa intenção é dar muitas alegrias aos nossos sócios, adeptos e simpatizantes. Acreditem neste projecto, encham o nosso estádio e apoiem incondicionalmente a nossa equipa. Considero que a chegada à 1ª Liga é um grande feito, mas este feito será ainda maior se conseguirmos permanecer o maior número de anos na elite do futebol profissional em Portugal, manutenção essa que será uma tarefa árdua, mas também aliciante, pois revemo-nos no espírito empreendedor, dinâmico e lutador do povo Trofense, e iremos lutar até o último minuto, se assim for necessário, com todas as nossas forças pela manutenção.”

Rui Silva endereçou ainda felicitações ao concelho da Trofa pelo seu 10º aniversário. “O ano de 2008 assinala dois marcos históricos na vida dos Trofenses: os 10 anos do Concelho da Trofa e a épica subida à 1ª liga nos 78 anos de vida do Clube. Hoje, os Trofenses podem orgulhar-se da história da sua terra e das conquistas do nosso clube. Não poderia deixar de reconhecer os significativos contributos que os vários executivos têm prestado ao concelho em geral e ao Trofense em particular.”

 

O Futuro

Numa perspectiva de futuro, Rui Silva afirmou a intenção de recandidatar-se a mais um mandato de 2 anos, para dar continuidade ao seu projecto, para “tornar o clube mais forte, tentando reunir sinergias e esforços para recuperar o forte investimento realizado”.

A longo prazo, Rui Silva definiu como principais linhas orientadoras: “consolidar a posição do Clube na 1ª Liga, profissionalizar o Clube e a sua gestão a 100%, tornando num clube-empresa, apostar na formação de jovens talentos, tornando-os activos do Clube, criar e consolidar a marca Trofense, através de um plano de marketing articulado e sustentado, envolver a população do Concelho da Trofa, atingindo os 4000 sócios, continuar apostar no clube como veículo de promoção e de referência do Concelho, terminar o seu novo mandato com endividamento reduzido e controlado, deixando o clube em boas condições para uma possível sucessão”

Em jeito de conclusão Rui Silva agradeceu a todos os que “de forma directa e indirecta têm contribuído para o crescimento sustentado do clube, tornando-o mais forte e mais capaz para lidar com as dificuldades e com o futuro.”