A criação do Conselho de Bacia do Leça é fundamental para o sucesso da despoluição do rio, já que permitirá a coordenação de esforços entre todos os municípios atravessados por este curso de água.

Esta posição foi hoje defendida por Guilherme Pinto, presidente da Câmara de Matosinhos, salientando que é “necessário uma política conjunta de todos os municípios para o rio Leça”.

O autarca recordou que a Junta Metropolitana do Porto (JMP) “está a fazer um esforço” nesse sentido, mas considerou que ainda é insuficiente para os objectivos que se pretende atingir.

Guilherme Pinto salientou que a Câmara de Matosinhos dedica uma “atenção especial” ao rio Leça, que é o principal curso de água que atravessa o concelho, acrescentando estar em curso “um rigoroso programa” para aumentar a taxa de cobertura da rede de saneamento.

A autarquia prevê que a rede de recolha de efluentes abranja todo o concelho dentro de cinco anos, altura em que Matosinhos deixará de contribuir para a poluição doméstica do Leça.

Nas margens do rio, depois de limpas, a Câmara de Matosinhos já construiu duas áreas de lazer, estando previstas mais quatro, além de uma rede de circuitos pedonais e de ciclovias que vai ligar todos estes espaços.

“Estamos a fazer o nosso trabalho, mas era fundamental que o rio chegasse a Matosinhos (onde desagua no mar) menos poluído”, afirmou Guilherme Pinto.

Para que isso seja possível, Castro Fernandes, presidente da Câmara de Santo Tirso, concelho onde nasce o Leça, também defendeu a importância de uma “visão conjunta”, salientando, no entanto, que o processo de despoluição “deve começar da nascente para a foz”.

“Fazer a despoluição do rio a partir da foz sem atender ao que se passa a montante não faz sentido”, frisou o autarca, assegurando que os níveis de poluição do Leça são reduzidos no concelho de Santo Tirso e vão ser ainda mais reduzidos a curto prazo com a conclusão de várias obras na área do saneamento.

Castro Fernandes recordou ainda um plano antigo para a bacia do rio que previa a construção de uma pequena barragem no concelho de Santo Tirso, o que permitiria regularizar o caudal, factor especialmente importante no Verão.

A Câmara da Maia, que aderiu em Julho de 2008 ao protocolo de despoluição lançado há dois anos pelo município de Valongo, também está a desenvolver esforços para reduzir a poluição do rio.

“Neste concelho já não existem fontes de poluição industrial”, assegurou Helena Lopes, directora do Departamento de Ambiente da Câmara da Maia.

“O problema é a poluição doméstica”, frisou esta responsável, acrescentando que, num universo de cerca de 50 mil fogos, este problema ainda se coloca actualmente em cerca de três mil casas.

Na Maia, o rio percorre cerca de sete quilómetros em dois troços distintos, mas um deles, mais urbano, que começa em Águas Santas, passa por Gueifães e termina em Nogueira da Maia, ainda não teve nenhuma intervenção.

No outro troço, que começa na freguesia da Maia e termina em Moreira, já tiveram lugar intervenções ao nível da limpeza das margens e do dessassoreamento do leito do rio, estando a ser instalado um parque de lazer que deve abrir “antes do Verão”.