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Ano 2008

Revolução das mentalidades: a educação

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"Casa roubada, trancas à porta" é o ditado popular que melhor se aplica ao que temos assistido, ao longo das últimas semanas, no mediático caso do telemóvel, ocorrido na escola secundária Carolina Michaëlis. Por ironia do destino, graças à filmagem feita com recurso a um telemóvel, o país assistiu, incrédulo, à inqualificável disputa de um outro telemóvel entre uma aluna e a respectiva professora. O país mediático acordou para a realidade da indisciplina dos alunos e para a realidade da falta de autoridade dos professores.

 O país político apressou-se em tentar encontrar desculpas e a propor projectos de leis de última hora para remendar a situação. Mas, como "só se lembram de Santa Barbara quando troveja", assim que o apetite mediático do caso se esgotar, o tema será novamente esquecido. Situações como a ocorrida na Carolina Michaëlis, ou ainda mais graves como agressões físicas, insultos, destruição e vandalização de património, são uma realidade diária nas escolas do nosso país. O que aqui está em causa não é a indisciplina dos alunos. O que aqui está em causa não é a falta de autoridade dos professores. É, isso sim, uma questão bem mais profunda e estrutural. O que verdadeiramente está em causa é o modelo de sociedade que estamos a (des)construir.

O sistema de educação é a pedra de toque de qualquer sociedade que deseje ser desenvolvida, moderna, avançada e que deseje triunfar num mundo globalizado. O quadro de valores sociais é o nosso bilhete de identidade colectivo que nos distingue dos outros que globalmente competem connosco. A escola é um dos locais privilegiados onde as crianças e os jovens constroem o seu quadro de valores morais e intelectuais e que marcará para sempre as suas vidas e o seu comportamento social. Mas este não é o único local. O primeiro de todos tem de ser a família. É aí que reside o primeiro problema.

A crescente desresponsabilização e a desvalorização do papel da família no processo de educação surgem, nos dias de hoje, como a primeira ameaça ao desenvolvimento integral das crianças e dos jovens. O processo de socialização e aprendizagem começa com o primeiro choro vital no momento do parto. Há até quem defenda que começa ainda antes, quando o feto ainda está no ventre da mãe. É, pois, impossível dissociar a família do processo de educação. Os primeiros valores morais e sociais são construídos no meio da família e serão sempre a principal referência para as crianças e para os jovens. Quando a família entra em crise, são os filhos os primeiros a sofrerem um processo de desconstrução.

Só depois da família é que surge a escola no processo de formação das crianças e jovens. A escola surge na sequência e em intima relação com o processo familiar. Os problemas e as carências familiares do educando são transportadas para a escola e vice-versa. E aqui coloca-se a questão do papel da escola. A escola é um espaço que desempenha três papéis centrais: um espaço de socialização, um espaço de construção de valores e um espaço de ensino/aprendizagem. Estes três espaços funcionam de uma forma sistémica. Se um deles falhar, todos os restantes sentirão repercussões. De igual forma, se o substrato familiar falhar o sistema escolar será afectado.

Importa, pois, saber quais os valores que queremos cultivar no ambiente escolar. Importa, pois, clarificar quais as funções sociais da escola. Importa, pois, estabilizar a política educativa que tem sido construída ao sabor das mudanças de governo e de ministro.

A escola pública corre o risco de deixar de ser um espaço de valorização para se transformar num espaço de contaminação. A escola pública tem de voltar a premiar o mérito e a penalizar o incumprimento; a valorizar a ética e a penalizar o desrespeito; a elogiar o cumprimento das regras e a sancionar as infracções. Rigor é provavelmente o verbo que mais vezes deveria ser conjugado, não só nas contas públicas, mas também no sistema educativo e de valores éticos a promover. Infelizmente parece que a ética foi excluída do discurso e, sobretudo, da praxis política.

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Assim, ao contrário da imagem que a imprensa transmite, não coloco o acento tónico do problema nos alunos mas sim nos encarregados de educação e no conjunto de valores e objectivos que estruturam a escola pública hoje em dia.

Não considero o aluno uma vítima ou um "coitadinho". É aquilo que a família e o sistema educativo permitem que ele seja. O que mais me preocupa é que os alunos de hoje serão os pais de amanhã; os alunos de hoje serão os profissionais de amanhã; os alunos de hoje serão os professores de amanhã; os alunos de hoje serão os políticos de amanhã; e todos sabemos que só se podem defender e transmitir os valores e os princípios que fazem parte do nosso código moral individual. Se eles não existirem…

Assusta-me esta espiral de falta de rigor, de falta de exigência, de falta de mérito que conduz a uma generalização do facilitismo, da irresponsabilidade, da falta de valores éticos, ao triunfo do "chico-esperto" e que nos encaminha para a degradação dos valores sociais. Urge romper com esta espiral. Haja coragem política, pois estamos já saturados deste jogo do "faz-de-conta".

Helder Santos

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Ano 2008

Cinco mulheres atropeladas, duas em estado grave

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 Dois feridos graves e três ligeiros é o balanço de um acidente de viação, esta segunda-feira, junto à empresa Ricon, em Ribeirão. O condutor do veículo terá ligado ao sogro a pedir auxílio, abandonando depois o local do sinistro, visivelmente transtornado. As mulheres já não correm risco de vida.

 José Marcelino nem queria acreditar no que viu quando regressou de uma tarde de pescaria. “Quando me aproximei do meu carro, que tinha ficado estacionado no sentido Ribeirão/EN14, vi que estava virado em sentido contrário e só quando cheguei perto da viatura me apercebi do que tinha acontecido. Tinha o carro com a parte lateral esquerda completamente desfeita”, adiantou ao NT, José Marcelino ainda mal refeito do susto.

O proprietário do Opel Vectra ainda estava incrédulo com os contornos deste acidente. “Ouvi sirenes enquanto estava a pescar mas como tinha o meu carro bem estacionado nunca pensei que a minha viatura estivesse envolvida”, adiantou.

O palco do acidente foi a Avenida da Indústria, perto da empresa têxtil Ricon, envolvendo três viaturas ligeiras e, segundo o NT conseguiu apurar, resultou de “uma colisão lateral entre dois ligeiros seguida de despiste e atropelamento de cinco peões”, adiantou fonte da Brigada de Trânsito de Braga, que esteve no local.

Alegadamente, as duas viaturas seguiam no mesmo sentido: “Uma das viaturas ia estacionar e a outra tocou-lhe, despistou-se e atropelou as pessoas que iam na berma, batendo ainda numa terceira viatura que estava estacionada. De acordo com a Brigada, trata-se de uma zona sem passeio, mas os peões “circulavam do lado correcto da estrada, com o trânsito de frente”. Os veículos seguiam no sentido poente-nascente, em direcção à EN14.

O acidente terá acontecido às 12.50 horas quando as vítimas, com idades entre os 30 e os 45 anos, regressavam ao trabalho após a hora de almoço. Segundo o NT conseguiu apurar, duas das mulheres são residentes na Trofa e as outras três serão de Ribeirão.

As vítimas foram transportadas para o Hospital S. Marcos em Braga e para o Centro Hospitalar do Médio Ave, unidade de Famalicão.

A mulher de 34 anos de idade, residente na cidade da Trofa, está estável e internada em Braga e segundo um familiar contactado pelo NT, “sofreu fracturas nas duas pernas, num braço e na bacia, apresentando ainda costelas partidas com perfuração dos pulmões, mas não corre riscos de vida”, adiantou. A vítima esteve consciente e contou aos familiares como tudo aconteceu: “Estava a chover, o veículo seguia em direcção à EN 14, estava a ultrapassar um outro que se encontrava parado, acabando por embater no veículo, abalroando ainda uma segunda viatura, e acabou por colher as cinco funcionárias da Ricon”.

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Outra das vítimas, que se encontra internada no Hospital de S. Marcos, apresenta lesões na coluna.

O condutor do veículo, que ficou “transtornado com o acidente”, abandonou o local “com medo que lhe batessem”, segundo confirmou a esposa, garantindo que ele ia entregar-se às autoridades.

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Ano 2008

Campeonato nacional é objectivo a alcançar

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Juniores do Trofense lideram campeonato

 Todas as equipas dos diferentes escalões do Clube Desportivo Trofense aceitaram o desafio de atingir os nacionais e os resultados começam a aparecer. Actualmente todas ocupam os primeiros três lugares do campeonato, e em posição privilegiada surgem os juniores, que lideram a 1ª divisão distrital.

 O frio que se sente no Complexo de Paradela nesta altura do ano não é obstáculo para os jovens que integram os escalões do Clube Desportivo Trofense. O sonho de um dia chegar ao patamar mais alto do futebol faz com que os poucos graus centígrados sejam esquecidos e a bola torna-se no único acessório de valor para os pequenos craques em altura de treinos e jogos.

Com a nova direcção liderada por Rui Silva, o departamento de futebol do Trofense modificou estratégias e delineou novas metas, numa clara aposta na formação para conferir ao clube expressividade na captação de jovens talentos. Todas as equipas dos diferentes escalões aceitaram o desafio de atingir os nacionais e os resultados começam a aparecer. Actualmente todas ocupam os primeiros três lugares do campeonato, e em posição privilegiada surgem os juniores, que lideram a 1ª divisão distrital, com quatro pontos de avanço sobre o segundo classificado, Paços de Ferreira. Todos alimentam o sonho de qualquer jovem no seu lugar: serem chamados para integrar o plantel sénior da equipa.

Jorge Gonçalves é o treinador da equipa há três anos. Já tinha integrado o departamento de formação noutra altura e depois de um período em que experimentou outros clubes decidiu “aceitar o convite do coordenador Jorge Maia” para abraçar um projecto de quatro anos, que está “a correr conforme o planeado”, afirmou em entrevista exclusiva ao NT/TrofaTv.

Os dois primeiros anos serviram para “criar condições para tornar a equipa competitiva”, no sentido de atingir a subida aos nacionais. “Esse é o patamar onde os jogadores poderão evoluir melhor”, referiu.

O projecto não abrangeu apenas o escalão júnior e os resultados de um trabalho “árduo” começam a notar-se: “Neste momento, nas camadas jovens, os juniores estão em primeiro lugar, os juvenis estão em terceiro lugar a um ponto do segundo, os iniciados estão em segundo lugar e os infantis ocupam o terceiro lugar”.

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Actualmente a ocupar, confortavelmente a liderança, os jogadores desfrutam do sucesso “confiantes no seu valor”. No entanto, há necessidade de “equilibrar as mentalidades para que eles não se deslumbrem”, adiantou Jorge Gonçalves que reforçou o facto dos feitos de hoje “serem fruto de um trabalho de três anos”.

O técnico considera que os resultados positivos são fruto da sintonia entre o departamento de formação e a direcção do clube e sabe que Tulipa, treinador da equipa sénior, está atento ao trabalho desenvolvido pelos juniores. “Existe uma grande comunicação entre o departamento e a equipa técnica profissional. Sei que (Tulipa) já veio ver um ou dois jogos da equipa e alguns juniores têm ido treinar com os seniores com alguma regularidade. Integraram, aliás, o jogo da Liga Intercalar e fizeram uma boa figura, com um excelente desempenho”, acrescentou.

O treinador acredita nas capacidades dos jovens para poderem fazer parte do plantel sénior, mas não esquece que “existem muitos outros factores, como estar no sítio certo no momento certo, a posição do jogador ou se o treinador estiver mais necessitado e também há o aspecto da coragem para o fazer”.

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