Desde o início destas crónicas – já lá vão 4 anos – que o objetivo passou sempre por descentralizar os conteúdos e tentar chegar um pouco a todas as freguesias deste jovem concelho. Uma freguesia que tem sido abordada escassas vezes e que faz com que eu me penitencie perante vós é a de Alvarelhos que, apesar da sua enorme história que atravessa vários séculos e é transversal a várias épocas, tem estado um pouco ausente destas inquirições pela história.

Conhecida em termos históricos, sobretudo pelo seu castro, Alvarelhos tem outros pontos de interesse no seu património, concretamente a sua igreja paroquial, que é um dos seus maiores ex-libris, marcando, obviamente, a vivência da sua comunidade.

Uma igreja com uma arquitetura bastante interessante, que, em 1574, pertencia ao padroado real e integrava a Diocese do Porto. Na prática, era a concretização da influência do poder político na esfera regular da atividade religiosa, podendo ser encarado como um sinal da importância desta comunidade na sua região.

Nos anos seguintes, irão surgir os habituais registos de casamento, óbito, os normais procedimentos administrativos na Igreja, todavia, o atual edifício é de apenas do início do século XVII. Numa fase inicial, irá receber grandes e imponentes romarias, justificando alguns estudiosos que as mesmas eram provocadas devido à devoção de S. Caetano.

Percebendo que S. Caetano tinha falecido algumas dezenas de anos antes, e atendendo ao empenho desta figura nas causas religiosas, concretamente a Ordem dos Cléricos Regulares, é normal que gozasse de bastante prestígio e fosse também bastante venerado.

Na estrutura física deste monumento religioso é possível observar várias datas que são elementos fundamentais para tentar descobrir a história daquele importante espaço. Essas datas são: 1643, 1682, estendendo-se ao longo dos tempos e torna possível perceber que era uma igreja bastante importante com um número crescente de fiéis, atendendo a que os momentos de crescimento são suportados por esses elementos.
Uma importante achega é que as datas são bastante próximas, podendo ser justificado como um sinal de crescimento exponencial e contínuo comprovando a argumentação referida no parágrafo anterior.

Se é leitor assíduo destas crónicas, saberá certamente que em tempos idos foi abordada a seguinte problemática: a popularidade dos santos era crescente ou então pura e simplesmente o seu culto era substituído por outro que, por razões várias, era acolhido de forma mais intensa pela comunidade.

Na freguesia de Alvarelhos irá acontecer o segundo ponto da explicação, supramencionado que era resultar com que nos anos da década de 1730 a comemoração de S. Caetano fosse terminada, desconhecendo a razão para esse facto.

Uma romaria que apenas se iria realizar durante um século, sendo uma marca do passado longínquo desta comunidade, que iria no decorrer desse século nas memórias paroquiais referir que a paróquia era dedicada a Santa Maria, tal como no presente.

Sem deixar de sugerir que esta é uma igreja que merece uma visita, termino com a referência importantíssima que Alvarelhos é uma paróquia com bastante importância no passado recente, sendo inclusivamente das freguesias com mais dinamismo económico e social do futuro concelho da Trofa no início da era contemporânea, comprovando a sua enorme vitalidade.