Por estes dias tem-se assistido à apresentação das medidas constantes do Orçamento de Estado para o próximo ano.

Medidas duras para todos nós, aparentemente mais duras para uns do que para outros. Aparentemente mais revoltantes para muitos do que para alguns. Certo é que vai prejudicar todos nós.

Certo, certo é que muitos portugueses vão ter dificuldades de chegar ao dia 20 de cada mês com “fôlego” para pagar as suas contas. Imagine-se como vão chegar ao fim do mês.

Desde o corte do 13º mês e subsídio de Natal, passando pelo aumento do IMI e eletricidade, até ao corte de salários reais e diminuição de deduções à colecta, entre muitas outras medidas que irão afetar o rendimento disponível das famílias e as suas depauperadas finanças.

Que fazer? Protestar?

Apetece-me fazê-lo como a muitos, muitos portugueses. Se o fizesse, faria ao Sábado. Desse modo, não prejudicaria a necessidade que o país tem de não perder dias de trabalho, tão necessários á recuperação económica de Portugal. Mas, não protesto pelas medidas de austeridade que “mexem no meu bolso” porque percebo que são inevitáveis, têm mesmo de ser tomadas. Caso contrário, Portugal deixaria de existir a breve prazo.

Mas, se protestasse pelas medidas de austeridade, fazia-o em frente a casa do Eng. Sócrates. O Eng. Sócrates não foi o único responsável, mas foi o último Primeiro-Ministro que pôde evitar o descalabro em que nos encontramos e não foi capaz de o fazer. Pelo contrário, andou a brincar com o presente dos portugueses fazendo acreditar que a bonança estava a bater à porta. Iludiu, adiou e enganou os portugueses.

Agora, resta-nos alterar hábitos e costumes adquiridos nos últimos 25 anos. Temos de voltar aos tempos de por remendos no cotovelo das camisolas, joelheiras nas calças e nova sola nos sapatos velhos para que durem mais tempo. Temos de voltar ao tempo de aproveitar a comida do jantar para a merenda do dia seguinte no trabalho. Temos de voltar ao tempo da solidariedade com o vizinho mais necessitado. É tempo de poupar ao máximo e ajudar o próximo.

Vergonha? Vergonha é não ter e fazer de conta que se tem muito.

Mas, também, já é tempo de taxar o património dos mais abastados e de anunciar medidas que ajudem a economia.

Como afirma Miguel Cadilhe há alguns anos, devia ser taxado o património líquido dos mais abastados para diminuir a dívida.

Como muitos afirmam, e eu estou de acordo, não chega as medidas de austeridade sem implementar medidas que impulsionem a economia como, por exemplo, pagar as dívidas do Estado às PME, que permitiria a injeção de muitos milhões de euros na economia local e a criação de novos empregos, aumentar a percentagem dos fundos comunitários no investimento das empresas e das autarquias, que permitiria a criação de riqueza e emprego, e considerar o investimento como custo fiscal do ano a que respeita o mesmo, que permitiria mais investimento em tecnologia e instalações e consequente criação de emprego e maior competitividade das empresas.

Vou esperar que o Governo anuncie medidas que proporcionem o crescimento da nossa economia e equacione o imposto sobre o património.

Até lá, resta a esperança que o trabalho sério do Governo tenha o resultado desejado.

Tiago Vasconcelos

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