Em agosto de 2020, o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, descreveu a pandemia COVID-19 como tendo causado a maior interrupção da Educação da História e reconheceu “uma oportunidade geracional para (Re)Imaginar a Educação. Devo dizer que os últimos dez meses foram oportunidades para todos, e é-me encorajador ver como professores de todo o mundo aceitaram o desafio de se adaptar e inovar. Temos na Educação um “ecossistema” em constante mudança.

Como bem sabem, passamos de uma Escola que pretendia normalizar, para uma Escola diversificadora hoje! Estamos numa nova Era em que se exige aos professores e às escolas respostas a problemas complexos de natureza diversa como a Covid-19. Isto obriga-nos a um repensar acerca do seu papel interventivo a nível pedagógico em contextos educativos hoje caracterizados pelo aumento da complexidade, incerteza e diversidade. Assim, afirmo que a Educação é uma responsabilidade enorme porque apresenta resultados imediatos e, portanto, são visíveis as consequências das nossas ações. Temos hoje professores fantásticos e de convicção, mas também temos muitos professores resistentes à mudança, pois é difícil lidar com as reações emocionais dos seres humanos face à ameaça de perda da certeza, da previsibilidade e da estabilidade. E agora, para provar a todos que o futuro não é um lugar fixo, e que nós professores devemos apostar numa formação contínua, chegou 2020 e a Covid-19 em força.

Não nos iludamos, os eventos de 2020 e 2021 representam uma crise global de saúde pública, uma crise económica e uma crise humanitária com a Educação na interseção. Houve um impacto significativo, ainda por aferir, nos alunos, educadores e instituições. Como o Coronavírus fechou a Escola em março de 2020, e como ele voltou a fechar em janeiro de 2021? Como estarão os educadores portugueses? Realidade: ansiosos, receosos, preocupados, stressados, ansiosos porque estavam em perda profissional, em stresse e em burnout, pois afinal há uma questão-chave: “como irão continuar a promover as aprendizagens para todos os seus alunos? Agora, a Escola irá novamente regressar com o Ensino em Casa 2.0!

Não estaremos nós a comprometer novamente uma geração – a Geração Covid – por termos ainda profissionais pouco preparados, ou por não existirem ainda os meios tecnológicos adequados, ou então providenciados ainda não em tempo-útil às instituições? Conseguirão, neste Regresso a Casa 2.0, sem aparente planeamento, os profissionais de Educação estimular nos alunos o pensamento crítico e analítico para avaliar cenários e resolver problemas? Estarão preparados para potenciar a imaginação dos alunos e apresentar soluções inovadoras? Estarão preparados para continuar a promover o Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória?

A Escola do futuro é hoje, e não é necessariamente uma escola repleta de tecnologia, mas aquela que permite a cada aluno desenvolver os seus próprios talentos, que promove um ensino diferenciado e inclusivo, onde os alunos são desafiados a pensar, a explorar, a criar e a comunicar. Uma coisa me parece clara que para avançarmos com as aprendizagens necessitamos de instituições, salas de aula, profissionais, agora as casas 2.0 também, todos, em equipa, concentrados na criação de ambientes para a aprendizagem centrada no aluno, ampliada pela tecnologia e que vai além das limitações físicas dos edifícios. Todos estarão preparados para tal?

A Geração Covid não ficará para trás!

Como Professor e Gestor Educacional vi muitas transformações nos últimos 10 anos. Mas a Covid-19 acelerou exponencialmente a transformação digital e então vi anos de mudança traduzidos em semanas. Essa aceleração trouxe transtornos, bem como oportunidades. Sabemos todos que esta disrupção provocada pela Pandemia trouxe a aceleração da Mudança, e criou oportunidades de (Re)imaginar o futuro da Educação. Estaremos prontos a agarrar esta oportunidade? Agora, novamente em Ensino à Distância todos os professores são desafiados a proporcionarem experiências de aprendizagem relevantes e diversificadas aos alunos, mas estarão preparados para tal? Os professores deverão organizar atividades orientadas por problemas e questões abertas que exijam raciocínio, diálogo, discussão de pontos de vista e trabalho colaborativo, estarão preparados para tal? Sim, se recorrem ao trabalho de projeto, à Flipped classroom (sala de aula invertida). Sim, se recorreram às plataformas de Gamificação e aos Exit tickets. Sim, se reforçarem a avaliação formativa e um Feedback mais regular, objetivo e direcionado.

Quando falo em Deep learning, refiro-me a experiências educativas que produzem aprendizagens significativas. São aprendizagens personalizadas e centradas no aluno e que lhe são intrinsecamente motivadoras, com análise de tópicos que são do seu real interesse. Refiro-me a experiências de aprendizagem que fazem com que os alunos queiram insistir, persistir e ter sucesso. Essa combinação de autonomia, compromisso e trabalho significativo inspira alunos e professores. A Pandemia de Covid-19 veio para ficar e continuará a obrigar-nos, diariamente, a (Re)imaginar a Educação e a criar mudanças positivas para o futuro da aprendizagem dos nossos alunos: a Geração Covid não pode esperar!

Luís Filipe Moreira

Gestor da Mudança e Inovação Pedagógica

Professor