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Edição 720

Refugiado num bunker nuclear

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Após ter colocado o futuro do concelho da Trofa em xeque, com este estranho caso do aterro sanitário, o executivo Sérgio Humberto virou o bico ao prego, quando se apercebeu que o seu segredo, afinal mal guardado, poderia ter um impacto eleitoral negativo, construindo e disseminando a narrativa anti-aterro. Em entrevista recente ao Porto Canal, Sérgio Humberto afirmou mesmo estar preparado para usar uma “bomba atómica”, referindo-se ao corte de estradas do concelho.

Tem sido interessante verificar, ao longo dos últimos cinco anos do percurso do autarca trofense, a prevalência de elementos e imagens associadas aos períodos que antecedem e sucedem à Segunda Guerra Mundial. Desde a censura, muito comum nas ditaduras fascistas e comunistas, aquando, por exemplo, do boicote ao trabalho deste jornal numa sessão pública de esclarecimento no Muro, em Outubro de 2015, à perseguição política do Clube Slotcar da Trofa, passando por uma série de artifícios de propaganda, muito à imagem das ditaduras daqueles e de outros tempos, sem esquecer, claro, o episódio do “gosto” facebookiano em duas publicações de um funcionário da câmara, conhecido nas redes sociais por recorrer ao discurso de ódio e à ocasional ameaça – eu já fui alvo de duas ou três – que sugeriu a transformação da Assembleia da República numa câmara de gás, ideia que terá agradado ao edil, pese embora a pertença dos seus companheiros Alberto Fonseca e Sofia Matos no hemiciclo.

Agora, em plena crise do aterro sanitário, provocada pelo executivo que dirige, o autarca trofense ameaça usar uma “bomba atómica”. Não obstante, parece ter-se refugiado num bunker nuclear, a julgar pelas sucessivas ausências nos protestos contra a vinda do aterro, ao lado dos quais afirma estar. No primeiro, o executivo foi representado por Sérgio Araújo. No segundo, por Lina Ramos. Domingo passado foi a vez de António Azevedo. E o presidente, que afirma estar ao lado dos trofenses, apesar da defesa do projecto, da desvalorização dos impactos sanitários e ambientais evidentes e da negociação secreta com a Resinorte, continua escondido, sem dar a cara, a fazer-se representar pelos seus generais, que começam a escassear.

Estranho muito esta atitude do presidente, até porque os protestos têm acontecido durante o fim-de-semana. E, mesmo que fossem durante a semana, estamos a falar do presidente omnipresente, que marca presença em praticamente todos os eventos e acontecimentos de relevo na Trofa, sempre rodeado pelas objectivas dos fotógrafos da câmara municipal, que dão origem a gloriosos álbuns de fotografias no Facebook da autarquia. E agora nem vê-lo! Nem ele nem a sua estratega, Zita Formoso, também presença habitual nas acções onde o presidente se apresenta, desde os tempos da campanha eleitoral de 2013, ainda Sérgio Humberto era apenas um candidato.

Que se passará com o nosso presidente, que justifique estas sucessivas ausências? Estará Sérgio Humberto com medo de enfrentar a população, olhos nos olhos, refugiando-se atrás de comunicados e vereadores que são enviados, à vez, para dar o peito às balas? Receará o presidente ser recebido com a mesma hostilidade com que Sérgio Araújo foi recebido no primeiro protesto? Desconheço os motivos que justificam esta ausência, mas, sejam eles quais forem, a ausência é notória e tem uma leitura política óbvia.

Porque ser autarca não pode ser uma missão apenas para os dias bons. Tem que ser, igualmente, uma missão para os dias maus. Aparecer em festas, ou transformar inaugurações e eventos públicos em comícios, é muito fácil. Encarar o povo quando as coisas correm mal é que já não é para todos. Só para aqueles que não devem, não temem e que colocam a sua terra e os seus munícipes acima de tudo. Outros escondem-se, em bunkers ou atrás dos seus oficiais, quando as coisas correm mal.

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Memórias e Histórias da Trofa: Melhoramento da rede viária da Trofa

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Os grandes investimentos de obras públicas na Trofa normalmente são conseguidos com grandes dificuldades, não sendo apenas uma situação das últimas décadas, mas sim um sinal da nossa sina, atendendo que parece ser um problema que já tem quase séculos de existência.

Folheando as páginas da imprensa local ao longo de décadas desde os meados do século XIX é possível concluir que as obras na Trofa aconteciam a um ritmo bastante lento e somente após vários anos de súplicas e pedidos ao poder local, regional e até nacional.

Nesse sentido, temos o exemplo da melhoramentos na Trofa que ocorreriam em dezembro de 1920, referindo que esses pedidos já eram realizados ia para 30 anos.

O primeiro pedido era referente a um arruamento antiquíssimo e muito conhecido, sendo um caminho existente desde a passagem interior da linha férrea pelos baixos da ramada do lavrador Vinhas até a estrada que liga com a de Vila do Conde e Santo Tirso.

O desejo da comunidade era a reconversão daquele caminho em uma estrada de cinco ou seis metros para Paradela ou macadamizar o atual caminho, alargando-o e tirando-lhe algumas curvas mais salientes.
O terceiro pedido era referente a uma rua de oito metros que tinha de ser construída, ou aparentemente estaria a ser realizada a sua construção, ocupando os terrenos do lavrador Mateus, Joana Dias, Vinha e Paulinho deste da estrada que ligava Vila do Conde a Santo Tirso com a sua passagem a ser efetuada junto à passagem inferior do caminho de ferro ao pé dos grandes armazéns do senhor Silva e companhia.

Importante referir que para auxiliar a população era preciso dinheiro, havendo um investimento também na iluminação pública que era indispensável, como também concretizar outros investimentos como levar água de Valdeirigo, macadamizar várias ruas para fazer com que elas deixassem de ter um aspeto tosco e básico em terra para dar mais qualidade à circulação de pessoas e viaturas, recordo que neste período da história a Trofa era uma localidade em crescimento acelerado e estava a lançar as sementes para se tornar na cidade referência que é na atualidade.

As obras estavam em crescendo, era mais que muitas, fruto talvez do desinteresse do poder local e regional nesta pequena localidade que estava conforme foi descrito no parágrafo anterior a viver momentos de dinamização económica, estando por último projetada a construção de uma Avenida da Senhora das Dores até ao Rio Ave.

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Alteralismo

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Há uns anos, foram editados alguns livros de auto ajuda, que coincidiu com o período em que estive divorciado. Não foi a leitura de nenhum desses livros que me ajudou a divorciar, mas um deles, quiçá o mais famoso, que comprei e depois de ler verifiquei que foi um engano, serviu de óptima prenda para uma amiga desesperada…eu despachei o livro e ela ficou impressionada, pensando que sou uma pessoa sensível à natureza feminina!

Este livro chama-se “O Segredo”, com muitas páginas que se resumem ao seguinte: Não é preciso agir, apenas pensar convictamente e insistentemente no que se quer. Essa vontade é transmitida ao universo e em troca recebemos a concretização do desejo! Neste ritual há uma regra de ouro: nunca pensar no “não” nos nossos desejos!
Discordo completamente!

Neste período, encontrava-me amiúde, no café, com dois bons amigos, que para não serem identificados vou tratá-los com os nomes alterados, são o Tóó e o ZéTóó. Tínhamos conversas animadas e entusiastas. Quem olhasse para nós, pela pinta, pensava, “Estão a falar de miúdas!”…em 98% dos casos tinham razão! E nos 2% que sobravam, quando entrava uma miúda gira, havia pareceres!

Basicamente as conversas pareciam um jogo de futebol português, muito pontapé na bola e pouco tempo útil de jogo! Mas o pouco que havia entusiasmava-nos e era o que fazia os nossos encontros diferentes!
Eu, o Tóó e o ZéTóó, éramos (e somos), pessoas de agir, mas na altura estávamos em estados de maturação e consciência diferentes. O Tóó e o ZéTóó, tinham uma primeirinha muito boa, mas a custo metiam a segunda, quanto a mim, talvez pelo divórcio recente, ia metendo as mudanças até me “enfaixar”!

Numa dessas conversas falávamos na influência do meio e dos outros em nós mesmos, mas com segurança afirmávamos que tínhamos de ser o agente principal das nossa vidas! Rapidamente chegámos à conclusão que desde a existência da civilização, muita gente falou e escreveu sobre isto…mas não sabíamos o que lhe chamaram!

Numa mesa de café nasceu o “ALTERALISMO”!

Eu, o Tóó e o ZéTóó, criámos algo que sempre existiu, mas não tinha nome…ou se tinha, desconhecíamos!

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Após essa descoberta, no aniversário do Tóó, num restaurante do Porto, com cerca de trinta convidados, o aniversariante, sem aviso prévio, chama-me para declarar ao mundo o “ALTERALISMO”! Tóó olhava para mim como o homem de ação, o “James Bond” do “ALTERALISMO”!

O “ALTERALISMO” tal como “O Segredo”, poderia ser editado em livro com 200 páginas, mas também se resume a meia dúzia de ideias, expostas nessa noite memorável…para o aniversariante (começou a namorar)!
Expliquei que não nascemos etiquetados com a história da nossa vida.

Temos de ser o motor dela mesma e assumir o papel principal, avançar e arriscar as portas entreabertas e vencer o medo do caminho estreito!

Mesmo quando o que queremos está para além de uma parede de betão e nos “esborrachamos”, voltamos para trás, tristes, mas quem sabe se não ficaram fendas e a parede de betão um dia vem abaixo!

Toda a gente me ouvia com atenção tal que, enquanto discursava, já pensava em criar uma seita e pedir o dízimo! Nessa noite arranjámos alguns seguidores na esperança de que também eles nos ajudassem a entender isso do “ALTERALISMO”!

Entre esta criação (que já existia!) e o “Segredo”, ou sou ALTERALISTA! 

António Machado, poeta sevilhano, nascido no séc. XIX, escreveu, “Caminhante, não há caminho, faz-se caminho ao andar!”. Eu, o Tóó e o ZéTóó, criámos o que já existia, o “ALTERALISMO”!

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