Diz a Associação Galgueira e Lebreira do Norte que o Rancho Folclórico do Divino Espírito Santo organizou uma corrida de galgos que “vai ficar para a história do ano”. Pelo menos, o “recorde nacional” de animais inscritos foi batido, garante o presidente do Rancho, Carlos Ferreira, que também deu graças à ajuda de S. Pedro, com um domingo soalheiro.

Cento e dois cães estiveram na pista da Urbanização de Trinaterra, em S. Mamede do Coronado, vindos de, praticamente, todo o país para participar numa prova que contava para o campeonato nacional nas categorias de cachorros, adultos e importados. “Se os galgueiros fazem 300 e 400 quilómetros para vir a S. Mamede do Coronado, é porque há qualidade na organização”, sublinhou Carlos Ferreira, que não escondia o contentamento de um evento com êxito.
Uma das presenças mais notadas foi a de João Moura Caetano, mais conhecido pelas lides tauromáquicas, mas que também calimenta com gosto pelos galgos. Veio ao Norte porque é uma região que “tem muitos aficionados que tratam os animais e o desporto com muita verdade e amor”. João Moura Caetano participou com três cães, mas garantiu que “mais importante que a competição é apreciar os bons galgos”.
Já José Pereira, de Ribeirão, Vila Nova de Famalicão, teve seis animais em prova. O aficionado tem galgos há 15 anos, alimentando uma paixão que se explica pelo carácter “dócil” dos animais. Por dia, caminha com eles durante meia hora e ao fim de semana treina numa pista similar à de S. Mamede do Coronado.
Apesar de ser um desporto caro, José Pereira garante que nesta circunstância se aplica a máxima de que “quem corre por gosto não cansa”.
A presença de mais de cem animais na prova faz crescer a ambição da organização de “fazer melhor” nos próximos anos, mas para isso é preciso “mais apoios”, confessou Carlos Ferreira. Este é um dos eventos em que o Rancho Folclórico mais aposta para a angariação de fundos que sustentam as despesas de cada época.
O presidente da Associação Galgueira e Lebreira do Norte, Fernando Lopes, elogiou o altruísmo dos elementos da coletividade mamedense. “Conseguem erguer uma prova fora do normal, com uma excelente pista, bons prémios, mantendo o grande respeito pelos animais. E ainda fazem um bom almoço”, afirmou, referindo-se à tasquinha montada, onde foram servidas refeições para angariar fundos.
Cinco anos de Rancho
Foi uma corrida contra o tempo a montagem da prova, uma vez que, no mesmo fim de semana, o Rancho Folclórico do Divino Espírito Santo festejou o quinto ano de existência com um jantar, na sede, em Mendões. O balanço de mais um ano “é positivo”, garantiu Carlos Ferreira, que reconheceu “alguns sobressaltos, que foram ultrapassados com muito trabalho e sacrifício”.
O presidente da coletividade não tem dúvidas que, atualmente, o Rancho é uma referência no concelho, também graças ao processo federativo, que aprimora a sua atividade para manter vivas as tradições dos antepassados.
Este ano, o festival do Rancho realiza-se mais cedo, a 29 de julho, uma vez que o grupo tem já agendadas “participações em festivais internacionais muito importantes para o futuro”.