Meio século a dançar e a cantar tradições

Dedicam-se há meio século a dançar o “vira” e a levar o nome da Trofa aos mais variados palcos nacionais e estrangeiros. Manter vivos os valores culturais e os costumes das “gentes” da terra é a missão que move o Rancho Folclórico da Trofa, que este ano comemora 50 anos de actividade ao serviço do folclore e etnografia.

Fundado em 1959, por altura da Feira Anual, o Rancho Folclórico da Trofa comemora meio século de existência dedicada à fiel representação dos trajes, danças, cantares, usos e costumes das “gentes” da Trofa. Para assinalar as bodas de ouro, o rancho mais antigo do concelho organizou no passado sábado o sétimo Festival Nacional de Folclore, que teve como palco festivo o Parque Nossa Senhora das Dores. Depois da recepção dos Ranchos pela Câmara Municipal e do Jantar Convívio com os grupos participantes e convidados, o festival protagonizou o seu momento alto com a actuação dos vários ranchos presentes. Para além do anfitrião Rancho Folclórico da Trofa, a animação da noite esteve a cargo do Grupo Folclórico da ACDR Meãs, do Rancho Folclórico As Rosinhas da Borralheira e do Grupo Danças e Cantares de Serreleis.

Comemorar 50 anos de actividade é um privilégio e, sobretudo, quando se garante a continuidade de um trabalho iniciado pelas mãos dos nossos antepassados. “É uma data muito significativa para muita gente e para mim muito mais, porque é uma homenagem ao meu pai que ajudou a fundar o Rancho”, lembrou ao NT/Trofa Tv Alcino Paixão, presidente do Rancho Folclórico da Trofa. A criação do grupo remonta a 2 de Março de 1959, quando um grupo de homens e mulheres bairristas deram asas àquele que é hoje reconhecido como o rancho mais antigo do concelho. Joaquim Paixão, pai do actual presidente, Diamantino Maia, Augusta Reis e Manuela Azevedo são, entre outros, os nomes que tiveram a iniciativa da missão de garantir a preservação dos valores culturais, costumes e identidade da população trofense. “É uma homenagem a eles que do outro lado lá muito longe devem estar satisfeitos e felizes por ver que alguém deu continuidade ao trabalho deles”, sublinhou Alcino Paixão, não deixando de elogiar o empenho do actual grupo que o acompanha. “Tenho uma equipa muito boa, que colabora e trabalha muito”, considerou, salientando estar “convencido” de que o grupo terá “muitos frutos no futuro”. E para tal, o Rancho conta com a energia e a dinâmica da equipa essencialmente jovem que o compõe. “Este é um dos factores que nos permite encarar o futuro com grande optimismo, sendo esta juventude a garantia de que a defesa da nossa cultura e costumes está assegurada”, afirmava Alcino Paixão no seu discurso.

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Ricardo Oliveira, actual vice-presidente do Rancho Folclórico da Trofa, é um dos muitos espelhos da juventude que moram no seio do Grupo. Agora com 23 anos deixa para trás uma infância e adolescência vivida ao som do folclore e da etnografia. Membro do Rancho desde os 2 anos de idade, Ricardo Oliveira espera continuar a fazer parte da segunda família a quem se dedica há 21 anos. A comemoração de meio século de actividade do Rancho significa para o vice-presidente o assinalar de “50 anos de uma existência de uma grande família que, desde 1959 até agora, foi resistindo com altos e baixos”. E de acordo com o responsável, a comemoração das bodas de ouro não se fica pelo Festival Nacional de Folclore que animou o vasto público no passado sábado à noite. “Março será a abertura dos nossos festejos com o Festival de Folclore e que se estenderá até ao final da época de 2009”, assegurou.

Sobre a faixa etária maioritária dos elementos que integram o Rancho, Ricardo Oliveira adiantou que “70 a 80 por cento dos componentes do grupo são jovens até aos 30 anos”. “Depois há os veteranos que servem para nos transportar mais além”, acrescentou.

Questionado sobre as saídas mais marcantes do grupo no último ano, o vice-presidente salientou a actuação em França no início de 2008. “Também fomos ao Algarve onde fomos muito bem recebidos e onde tivemos a honra de participar num grande festival organizado em Vila Real de Santo António”, realçou, frisando que “todas as saídas são sempre boas e mais-valias para o grupo”. “Todas as saídas são grandes marcos porque, para além da grande diversão que é na viagem, depois no local quando transmitimos a arte folclórica sentimo-nos sempre bem”, afirmou ainda.

Essa arte folclórica tão bem dominada pelo Rancho Folclórico da Trofa já possui um vasto currículo no que respeita a saídas para o estrangeiro. A primeira deslocação do Rancho para além das fronteiras foi a Espanha, ao grande festival de Celta de Vigo, em 1985. Já em 1988, a digressão a França foi a primeira de muitas para participar na quarta semana cultural franco-portuguesa.

No futuro, levar o nome do Rancho aos quatro cantos do Mundo continua a ser a principal motivação do Rancho Folclórico da Trofa que, por sua vez, é já dono de um vasto património, tendo o seu próprio espaço com uma sala museu, única na Trofa.