Pior que uma ditadura, só uma falsa democracia! Enquanto que numa ditadura o povo sabe como é, o que conta e o que pode e não pode dizer, numa falsa democracia, o povo pensa que pode dizer o que pensa e afinal não pode!

     Muito recentemente o Professor Charrua foi exonerado pelo poder socialista depois de ter dito uma piada, sobre a licenciatura de José Sócrates, a um seu colega, que, qual delator, foi de imediato dizer à comissária política do partido socialista na DREN – Direcção Regional de Educação do Norte. Esta por sua vez, não se fez rogada e mesmo sem ouvir o seu chefe, desde logo o demitiu do cargo, no qual parece que exercia a sua função  muito bem e já há muitos anos. Claro que os responsáveis socialistas vêm, mais tarde, a terreiro dizer que esta delegada teve um excesso de zelo, mas nada fizeram para repor a situação e como prémio desse excesso de zelo, esta delegada viu-se, passado pouco tempo, a ser reconduzida no mesmo cargo por mais alguns anos.

     Também, o Presidente do Conselho de Administração do Hospital de S. João da Madeira, foi exonerado do seu cargo por ter afirmado publicamente a sua opinião sobre o encerramento das urgências que é contrária à política de saúde do actual governo socialista. O Ministro da Saúde despachou de imediato a sua exoneração com o argumento de falta de lealdade. É grave, é perigoso e constitui uma falta grave, ter-se opinião. É isto o que pensa o actual governo socialista!

     Ainda mais recentemente, foi a exoneração da directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho, que veio demonstrar o nível de cultura democrática do actual poder socialista. Esta directora foi exonerada por causa de um cartaz que gozava com declarações do ministro da Saúde. Mais uma vez os responsáveis socialistas vieram a terreiro dizer que caiu mal essa exoneração e que o Ministro da Saúde, Correia de Campos, usou de "excesso de força", num caso que poderia ter sido resolvido de outra maneira. Mais uma vez os socialistas disseram o que quiseram dizer, para ficar tudo como dantes!

     Para quem preza a democracia e os seus valores, estas exonerações deveriam ser incompreensíveis, principalmente para os socialista que não se podem esquecer que fazem parte de um partido político que faz parte da fundação da democracia e foi sempre um defensor da liberdade de expressão.

     O grave do acto de exoneração da directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho é que tem contornos de delação e de perseguição política em virtude de ter sido um membro da Juventude Socialista de Vieira do Minho o "cidadão" que pediu o Livro Amarelo do estabelecimento para se queixar do cartaz da polémica.

     Um cartaz que reproduzia uma entrevista do ministro da Saúde, publicada no Jornal de Notícias, dizendo que nunca iria a um serviço de atendimento permanente (SAP). Relatado ao PS local, o caso foi remetido ao PS nacional e o ministro da Saúde tomou as medidas que achou devidas. Caiu a directora do centro de saúde, Celeste Cardoso, esposa de um vereador independente da autarquia de Vieira do Minho, apoiado pelo PSD. Que fora nomeada para o lugar pelo Governo PSD/CDS, por "manifesto favor político", deixou escapar o Ministro da Saúde, numa conferência de Imprensa convocada à pressa para justificar o injustificável. Correia de Campos negou, contudo, estar em causa qualquer perseguição política. Ai não, senhor Ministro, então o que é? No tempo da ditadura era perseguição política e agora nesta democracia o que é?

     Nesta linha de acção, quem é que vai condenar este homem pelas suas "gafes jocosas"? Vale tudo! E depois ficam muito espantados por Salazar ter sido a personalidade portuguesa mais votada. Com este tipo de democratas… venha o diabo e escolha!

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                 José Maria Moreira da Silva

           moreira.da.silva@sapo.pt