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Ano 2008

” A Bondade que não tenha Beleza faz com que a Beleza não tenha Bondade”

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Encontro-me neste momento em que escrevinho estas linhas perto de Valpaços, junto ao rio Rabaçal, no Parque de Campismo com o mesmo nome. Lugar acolhedor, com reconfortantes frescas sombras, praia agradável e uma água onde todos os dias nos refrescamos nadando e desfrutando de um prazer inigualável.

    A comparação é inevitável. O meu bom e velho "Bicho" perdido na memória da saudade daquele Ave, rio verdadeiro, que nos surripiaram em nome do falacioso progresso e do ilusório crescimento. Sim, fraudulentos, pois o progresso e o crescimento foram apenas para poucos. Para a grande maioria restou apenas a putrefacção, a poluição e o desemprego. Ainda por cima roubaram-nos o rio. O rio com R grande, rio de verdade. Com água. Água a sério, verdadeira, genuína. O rio que nos podia dar o lazer, a água, o prazer, o turismo, verdadeiro desenvolvimento suportado na exploração correcta de todas as potencialidades do rio Ave. Até hoje gastaram-se milhares em estações de tratamento, saneamento e propaganda, muita propaganda…milhares de todos nós. Onde? De que forma? Quem fiscalizou? Quem fiscaliza? Onde estão os resultados? Quando fica despoluído? Não devia estar já despoluído? Quem garante? O que acontece a quem promete e não cumpre? Já tantos por lá passaram… os Palhares, os Azuís, os Coutos, os Fernandes, os Vasconcelos, mais os de Guimarães, os de Famalicão, os de Vila do Conde, os do PS, os do PSD…e nada…nada. Muita promessa solamente. Onde está aquele rio da cor do arvoredo e do lodo, onde ainda se via o pé no sítio onde o mesmo se perdia quando se entrava por ele adentro? Onde estão aquelas margens de areal onde jogávamos, caminhávamos, conversávamos…? onde estão as clareiras rodeadas de árvores onde nasciam churrascos familiares e salutares convívios entre amigos nos fins de tarde e fins-de-semana? Onde pára o tremoço que se vendia no "Bicho"? A azeitona? E os barcos? O barco a remos dos bucólicos passeios do fim da tarde sob o arvoredo denso? Às vezes, únicas testemunhas de um beijo quase clandestino. Quem nos extorquiu o Rio? Quem gastou milhares do erário público na despoluição do Rio sem resultados? A culpa continua a morrer solteira neste país de imaginário e faz de conta onde se continua a entender ser inevitável haver pobres e mãos desempregadas e absolutamente natural os muito ricos serem cada vez mais ricos.

Por mero acaso, hoje, 9 de Agosto de 2008, compro o JN logo de manhã. Sem o saber deparo com o jornal interior dedicado integralmente à Trofa e às festas da Senhora das Dores. Nas grandes parangonas admiro o título da entrevista com o Sr. Presidente da Câmara: «Um lugar para viver, não para morar». Inicio a minha leitura. Muita Bondade. Mas falta-lhe a Beleza. Com tristeza e pesar, noto a ausência total de uma palavra, uma palavra séria, de "P" maiúsculo sobre a despoluição do Ave. Uma palavra sobre o futuro do rio Ave e das populações ribeirinhas. Sobre o seu aproveitamento. Tal como lia e relia as entrevistas dos autarcas do velho e gasto concelho de Santo Tirso, li e reli a gasta e velha propaganda do rol de feitos heróicos destes novos autarcas trofenses que tresandam a eleitoralismo demagógico. Aliás, segundo Castro Fernandes em entrevista dada a jornal nacional no passado recente, o Rio Ave já está despoluído. A patranha era tão grande, tão grande…que, logo de seguida começou a chover copiosamente por diverso tempo. É óbvio que o concelho da Trofa se desenvolveu nestes 10 anos. Certo é que se continuasse no marasmo do poder autárquico tirsense estaria pior. Mas, no global, o concelho da Trofa continua pobre. Pobre socialmente com a sua taxa elevada de desemprego. Pobre culturalmente porque o índice cultural das populações mantém-se deficitário. Pobre economicamente porque o poder de compra do seu povo permanece e decresce mesmo.

Assim, não basta acenar com o saneamento básico. É preciso pô-lo a funcionar efectivamente. A colocação de canos e ligações dá apenas canos e ligações colocados. Quase sempre sem qualquer fiscalização. Nos últimos dez anos o concelho perdeu o comboio de linha estreita. Até à data, incumpridas estão as promessas do metro em via dupla. Dez anos e nenhuma das variantes tão apregoadas desde o tempo de Joaquim Couto se iniciou. Em dez anos não se elaborou, discutiu e aprovou um Plano Director Municipal com cabeça, tronco e membros, verdadeiro motor de um crescimento sério e sustentado.

Não será por acaso que a entrevista mencionada não tenha uma palavra sobre o PDM e sobre a despoluição do Rio Ave. Recuperar margens e azenhas de nada servirá com o rio poluído. O coração continua ferido de morte.

Uma visão estratégica para o concelho que não passe pela despoluição do rio Ave, considerando-o como um dos eixos aglutinadores das populações trofenses, como um verdadeiro motor de desenvolvimento táctico do concelho, de forma a aumentar e aperfeiçoar todas as suas potencialidades, é uma visão política que nunca o foi, absolutamente condenada ao fracasso, mesmo que saia vitoriosa nas urnas. Daí que : "A Bondade que não tenha Beleza faz com que a Beleza não tenha Bondade".

Atanagildo Lobo.

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Ano 2008

Cinco mulheres atropeladas, duas em estado grave

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 Dois feridos graves e três ligeiros é o balanço de um acidente de viação, esta segunda-feira, junto à empresa Ricon, em Ribeirão. O condutor do veículo terá ligado ao sogro a pedir auxílio, abandonando depois o local do sinistro, visivelmente transtornado. As mulheres já não correm risco de vida.

 José Marcelino nem queria acreditar no que viu quando regressou de uma tarde de pescaria. “Quando me aproximei do meu carro, que tinha ficado estacionado no sentido Ribeirão/EN14, vi que estava virado em sentido contrário e só quando cheguei perto da viatura me apercebi do que tinha acontecido. Tinha o carro com a parte lateral esquerda completamente desfeita”, adiantou ao NT, José Marcelino ainda mal refeito do susto.

O proprietário do Opel Vectra ainda estava incrédulo com os contornos deste acidente. “Ouvi sirenes enquanto estava a pescar mas como tinha o meu carro bem estacionado nunca pensei que a minha viatura estivesse envolvida”, adiantou.

O palco do acidente foi a Avenida da Indústria, perto da empresa têxtil Ricon, envolvendo três viaturas ligeiras e, segundo o NT conseguiu apurar, resultou de “uma colisão lateral entre dois ligeiros seguida de despiste e atropelamento de cinco peões”, adiantou fonte da Brigada de Trânsito de Braga, que esteve no local.

Alegadamente, as duas viaturas seguiam no mesmo sentido: “Uma das viaturas ia estacionar e a outra tocou-lhe, despistou-se e atropelou as pessoas que iam na berma, batendo ainda numa terceira viatura que estava estacionada. De acordo com a Brigada, trata-se de uma zona sem passeio, mas os peões “circulavam do lado correcto da estrada, com o trânsito de frente”. Os veículos seguiam no sentido poente-nascente, em direcção à EN14.

O acidente terá acontecido às 12.50 horas quando as vítimas, com idades entre os 30 e os 45 anos, regressavam ao trabalho após a hora de almoço. Segundo o NT conseguiu apurar, duas das mulheres são residentes na Trofa e as outras três serão de Ribeirão.

As vítimas foram transportadas para o Hospital S. Marcos em Braga e para o Centro Hospitalar do Médio Ave, unidade de Famalicão.

A mulher de 34 anos de idade, residente na cidade da Trofa, está estável e internada em Braga e segundo um familiar contactado pelo NT, “sofreu fracturas nas duas pernas, num braço e na bacia, apresentando ainda costelas partidas com perfuração dos pulmões, mas não corre riscos de vida”, adiantou. A vítima esteve consciente e contou aos familiares como tudo aconteceu: “Estava a chover, o veículo seguia em direcção à EN 14, estava a ultrapassar um outro que se encontrava parado, acabando por embater no veículo, abalroando ainda uma segunda viatura, e acabou por colher as cinco funcionárias da Ricon”.

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Outra das vítimas, que se encontra internada no Hospital de S. Marcos, apresenta lesões na coluna.

O condutor do veículo, que ficou “transtornado com o acidente”, abandonou o local “com medo que lhe batessem”, segundo confirmou a esposa, garantindo que ele ia entregar-se às autoridades.

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Ano 2008

Campeonato nacional é objectivo a alcançar

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Juniores do Trofense lideram campeonato

 Todas as equipas dos diferentes escalões do Clube Desportivo Trofense aceitaram o desafio de atingir os nacionais e os resultados começam a aparecer. Actualmente todas ocupam os primeiros três lugares do campeonato, e em posição privilegiada surgem os juniores, que lideram a 1ª divisão distrital.

 O frio que se sente no Complexo de Paradela nesta altura do ano não é obstáculo para os jovens que integram os escalões do Clube Desportivo Trofense. O sonho de um dia chegar ao patamar mais alto do futebol faz com que os poucos graus centígrados sejam esquecidos e a bola torna-se no único acessório de valor para os pequenos craques em altura de treinos e jogos.

Com a nova direcção liderada por Rui Silva, o departamento de futebol do Trofense modificou estratégias e delineou novas metas, numa clara aposta na formação para conferir ao clube expressividade na captação de jovens talentos. Todas as equipas dos diferentes escalões aceitaram o desafio de atingir os nacionais e os resultados começam a aparecer. Actualmente todas ocupam os primeiros três lugares do campeonato, e em posição privilegiada surgem os juniores, que lideram a 1ª divisão distrital, com quatro pontos de avanço sobre o segundo classificado, Paços de Ferreira. Todos alimentam o sonho de qualquer jovem no seu lugar: serem chamados para integrar o plantel sénior da equipa.

Jorge Gonçalves é o treinador da equipa há três anos. Já tinha integrado o departamento de formação noutra altura e depois de um período em que experimentou outros clubes decidiu “aceitar o convite do coordenador Jorge Maia” para abraçar um projecto de quatro anos, que está “a correr conforme o planeado”, afirmou em entrevista exclusiva ao NT/TrofaTv.

Os dois primeiros anos serviram para “criar condições para tornar a equipa competitiva”, no sentido de atingir a subida aos nacionais. “Esse é o patamar onde os jogadores poderão evoluir melhor”, referiu.

O projecto não abrangeu apenas o escalão júnior e os resultados de um trabalho “árduo” começam a notar-se: “Neste momento, nas camadas jovens, os juniores estão em primeiro lugar, os juvenis estão em terceiro lugar a um ponto do segundo, os iniciados estão em segundo lugar e os infantis ocupam o terceiro lugar”.

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Actualmente a ocupar, confortavelmente a liderança, os jogadores desfrutam do sucesso “confiantes no seu valor”. No entanto, há necessidade de “equilibrar as mentalidades para que eles não se deslumbrem”, adiantou Jorge Gonçalves que reforçou o facto dos feitos de hoje “serem fruto de um trabalho de três anos”.

O técnico considera que os resultados positivos são fruto da sintonia entre o departamento de formação e a direcção do clube e sabe que Tulipa, treinador da equipa sénior, está atento ao trabalho desenvolvido pelos juniores. “Existe uma grande comunicação entre o departamento e a equipa técnica profissional. Sei que (Tulipa) já veio ver um ou dois jogos da equipa e alguns juniores têm ido treinar com os seniores com alguma regularidade. Integraram, aliás, o jogo da Liga Intercalar e fizeram uma boa figura, com um excelente desempenho”, acrescentou.

O treinador acredita nas capacidades dos jovens para poderem fazer parte do plantel sénior, mas não esquece que “existem muitos outros factores, como estar no sítio certo no momento certo, a posição do jogador ou se o treinador estiver mais necessitado e também há o aspecto da coragem para o fazer”.

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