Carlos Martins, presidente da Junta de Freguesia do Muro acredita que o “próximo ano é de investimento no Muro”. Na Assembleia de Freguesia o autarca e os membros discutiram alguns assuntos de interesse para a freguesia, assim como a localização da futura construção dos Paços do Concelho.

A Assembleia de Freguesia do Muro decorreu na quinta-feira, “apenas para cumprir a lei”. Sem nenhum ponto na ordem do dia para discutir, os membros da Assembleia falaram sobre alguns assuntos de interesse para a freguesia: a necessidade de obras na Estrada Nacional 318, as obras de requalificação realizadas no lugar de Agra da Cana, o estado do espaço que circunda a capela de S. Pantaleão e a passagem do Metro pela freguesia.

Carlos Martins abriu a sessão esclarecendo que “a Junta de freguesia não tem dinheiro, mas também não tem dívidas muito atrasadas”. No entanto, Carlos Martins garantiu que “o próximo ano é de investimento no Muro”. “Tenho a intuição de que se vai fazer cá alguma coisa”, acrescentou. Mas mesmo com esta convicção, Carlos Martins lamentou o facto de ainda não ter sido colocado um novo piso na Estada Nacional (EN) 318. Considerando que “a estrada está insuportável” o autarca adiantou que o pedido para a realização da obra já foi feito pela Câmara Municipal à Estradas de Portugal.

Para Vítor Maia, membro do PSD “o mínimo que se podia fazer era tapar os buracos” na referida estrada. “Porque se puserem um tapete novo, os moradores vão pedir umas lombas para os carros não passarem a tanta velocidade”, alertou.

Não concordando com a opção de tapar apenas os buracos, Carlos Martins exige “um piso novo”. “É uma entrada do concelho da Trofa, por isso queremos mais”, frisou. Lamentando o facto de os investimentos “serem todos em S. Martinho de Bougado”, o autarca ameaçou: “Vamos para a Maia”.

Vítor Maia alertou ainda para “o caos” que se encontra junto à Capela de S. Pantaleão, onde “só se passa de jipe, ou tractor”, por isso sugeriu “fechar o espaço”, entrando “em acordo com os proprietários e com a Igreja”. Mas Carlos Martins foi mais longe e adiantou que o espaço vai deixar de ser um local “de consumo de drogas, de prostituição e bruxarias”. O espaço vai ser fechado ao trânsito e o autarca acredita que “até ao final do mandato vai ser um local bonito”.

Quanto às obras de requalificação realizadas no lugar de Agra da Cana, Carlos Martins esclareceu que foi feita “uma intervenção de fundo” nos tubos por onde passam as águas pluviais. Justificando o valor elevado da empreitada com a complexidade da mesma: “Foi preciso colocar sarjetas, paralelo, caixa, tubos e cortar tudo porque estava tudo muito entupido”.

E enquanto umas obras se concretizam, outras vão esperando, como é o caso da empreitada do Metro cujo início é, ainda, uma incógnita. Carlos Martins assumiu o propósito de que é necessário “voltar novamente à carga”. Com o mesmo concordou Maria Dolores, murense que no período de intervenção do público apelou à realização de um abaixo assinado. “Ou vamos com bandeiras pretas até Lisboa se for preciso”, acrescentou. Para além de Maria Dolores, também Cristina Maia alertou para o facto de que no espaço da antiga estação “estão a crescer ervas” e o local “já se torna perigoso”. Reconhecendo que o Largo da Estação é um “local central da freguesia”, Carlos Martins prometeu a limpeza do espaço.

 

Pelo Muro e pelos murenses, nem que vá contra o CDS”

 

No entanto, a questão que gerou menos consenso foi a posição tomada por Carlos Martins, presidente da Junta de Freguesia, na Assembleia Municipal de 9 de Junho onde foi discutida a realização de um referendo sobre a localização dos Paços do Concelho no lugar da Estação.

Carlos Martins reafirmou que era “contra a localização”, mas votou contra a realização do referendo uma vez que a questão estaria “mal formulada” e que se tratava de “uma moção de censura”.

Contra esta decisão estavam os membros do PSD na Assembleia de Freguesia, nomeadamente Armando Sanches que garantiu que Carlos Martins “não ficou bem na fotografia”. “Devia era puxar os interesses para a freguesia do Muro”, acrescentou, considerando que a construção vai ficar localizada “num buraco” e que a escolha do local estaria relacionada com “interesses”. “Um utente da freguesia do Muro tem que atravessar o concelho todo para ir à Câmara Municipal”, frisou.

Também José Fernando Martins (PSD) criticou a atitude do presidente da Junta em votar contra o referendo, uma vez que “grande parte do concelho está descontente com a localização”. Para Vítor Maia “todos os partidos políticos deveriam fazer uma proposta”, uma vez que concorda que a Estação “não é o melhor local” para a construção. “A construção deve ser mais centralizada para servir todas as freguesias”, adiantou.

Pessoalmente também Inês Neves, membro do PS “ponderaria outra localização” a fim de “criar uma nova centralidade”. No entanto, garante: “Acho que em primeiro lugar era preciso decidir”.

Acusado de não garantir os interesses dos murenses Carlos Martins foi peremptório: “Pelo Muro e pelos murenses, nem que vá contra o CDS”.

Recordando o dia da apresentação pública da localização da construção Carlos Martins garantiu que foi o presidente da Junta que “fez mais barulho”. “Não vejo afirmação dos outros presidentes de Junta, falam apenas em surdina”, acrescentou. Quanto ao facto de ter votado contra o referendo solicitado pelos membros social-democratas na Assembleia Municipal, Carlos Martins lembrou que o seu voto não alterava o resultado, uma vez que “três elementos do PSD não estiveram presentes”, justificou. Agora o autarca murense prevê que o orçamento onde for contemplada a verba para a construção da infra-estrutura “não vai ser aprovado”, recordando que “o PS não tem maioria” no órgão autárquico.

“E posso saber como vai votar o orçamento da construção da Câmara?”, questionou Armando Sanches. Alegando que não sabe “o que vai acontecer no dia de amanhã”, Carlos Martins frisou que apenas decidiria no dia o seu voto. “Não sei se nesse orçamento vai ter um pavilhão com piscinas e um Centro de Dia para o Muro, aí eu não posso votar contra”, alertou.