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Edição 742

Produtores de leite pedem ajuda a Marcelo

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O preço do leite, os custos de produção, a possível redução do apoio da PAC e a reputação do setor agrícola foram “preocupações” que a APROLEP levou até Marcelo Rebelo de Sousa, durante a visita do chefe de Estado a uma empresa agrícola familiar, em Esposende.

A 10 de maio, a Sociedade Agrícola Carreira Gonçalves, em Esposende, recebeu a visita do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. Durante a visita, na qual foi mostrado ao chefe de Estado como estão alojadas 180 vacas leiteiras e lhe dado a provar o leite e o queijo produzidos por aquela empresa familiar, a Associação dos Produtores de Leite de Portugal (APROLEP), aproveitou para “pedir a intervenção” de Marcelo nos assuntos que, atualmente, “mais preocupam os agricultores e produtores de leite”.
Em nota de imprensa, a APROLEP – que é presidida pelo produtor da Maganha Jorge Oliveira – especificou que um dos temas abordados foi “o preço do leite e custos de produção”, sobre os quais, argumenta, está refletida a subvalorização do setor, “sem qualquer indicação” de inversão da tendência, o que “causa uma grande revolta, preocupação e desânimo” no seio dos profissionais.
“Em fevereiro de 2021, o preço médio ao produtor foi 30 cêntimos por quilo, o terceiro mais baixo da Europa. Em dezembro de 2020 o preço da ração começou a subir. Há agricultores a pagar 40 cêntimos por quilo de ração. Apesar de ser apenas 20 por cento da quantidade total de alimento ingerida por uma vaca, a ração representa 50 por cento dos custos de uma vacaria. Com isto, houve um aumento nos custos de dois cêntimos por litro de leite, sem qualquer compensação até ao momento”, expôs a associação.
As “perspetivas” de redução do apoio por via da PAC (Política Agrícola Comum da União Europeia), com que os agricultores foram “confrontados” no final de 2020, também foi um assunto abordado pela APROLEP, que se mantém reticente quanto à “compensação” anunciada pelo Ministério da Agricultura, através do “ajuste dos pagamentos ligados e à introdução de ‘eco-regimes’”. A “incerteza sobre o orçamento disponível para essas medidas” cria uma névoa de “preocupação”, admite a associação.

As vacas e a “má imagem” na comunicação social e escolas

Outro dos problemas apontados a Marcelo Rebelo de Sousa foi o que os produtores consideram a “imagem negativa” que está a ser associada à agricultura e à pecuária “nas escolas e na comunicação social”, nomeadamente no que diz respeito ao impacto provocado por estas atividades nas alterações climáticas.
“As vacas são apontadas como causadoras do aquecimento global, mas os dados da Agência Portuguesa do Ambiente mostram que a agricultura representa apenas dez por cento da emissão de gases de efeito de estufa (GEE), metade dos quais na pecuária. As vacas leiteiras são apenas 16 por cento do total de bovinos existentes em Portugal, pelo que as emissões do setor devem representar menos de um por cento das emissões do nosso país”, calcula a APROLEP.
A associação vai mais longe no tema e garante que, “no caso específico das vacas leiteiras, os dados disponibilizados pela Agência Portuguesa do Ambiente apontaram uma redução de 18 por cento da emissão de metano entre 1990 e 2017, devido à redução do efetivo leiteiro”. “Isso é confirmado pelos dados do último recenseamento agrícola, que apontaram uma redução de 11 por cento no número de vacas leiteiras entre 2009 e 2019”.
Sobre o “carbono libertado pelos animais”, a APROLEP aponta nova estimativa: “Fazendo o balanço de todo o complexo agro-florestal, contabilizando o carbono captado nas pastagens e floresta, estima-se que o setor contribua apenas com um por cento das emissões de GEE em Portugal, sendo, portanto, abusiva e tendenciosa a tentativa de atirar para a agricultura e para as vacas a culpa do aquecimento global”.

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Edição 742

Pó dos Arquivos: Manuel José de Faria Romano

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Corria o ano de 1883, quando, a 3 de Setembro, Zeferino Maria Furtado de Mendonça, professor da escola de Alvarelhos, pediu à câmara para estar ausente do magistério, ficando a substitui-lo Manuel José Faria Romano. Foi concedida a licença, tão somente por trinta dias. Novo requerimento, apresentado em 19 de Novembro, mereceu idêntico despacho: “Deferido, deixando pessoa habilitada a reger a cadeira”.
Já a 30 de Julho desse ano, o professor efectivo Zeferino Maria Furtado de Mendonça, apresentara o pedido de aposentação em virtude de se achar “moral e fisicamente impossibilitado” de exercer o seu magistério. Sujeito a exame sanitário, a junta médica deu parecer favorável à sua aposentação. Mas foi, apenas, na sessão de 19 de Janeiro de 1885, que a Câmara Municipal de Santo Tirso aprovou a aposentação do professor Zeferino, com a pensão de sessenta e quatro mil reis, e nomeou professor interino da dita cadeira de Alvarelhos, Manuel José de Faria Romano.
Auto de juramento e posse:
“Aos dezanove dias do mês de Janeiro do ano de mil oitocentos e oitenta e cinco, na vila de Santo Tirso e secretaria da Câmara, onde se achava o presidente, José Joaquim Machado da Cunha Faria e Almeida, aí compareceu Manoel José de Faria Romano, nomeado em sessão de hoje para o lugar de professor interino da escola do sexo masculino da freguesia de Alvarelhos, e pelo presidente lhe foi deferido o Juramento dos Santos Evangelhos, encarregando-lhe ser fiel ao Rei, obediente à Carta Constitucional, Acto Adicional e mais leis do Reino, e de bem e fielmente desempenhar o lugar para que foi nomeado, e aceite por ele o mesmo juramento, assim o prometeu cumprir. E para constar, se lavrou o presente auto, que ambos vão assinar.”
C. M. de Santo Tirso, Livros de Actas, Sessão de 19 de Janeiro de 1885, Vol. n.º 16 (1883-1885)

Manoel José de Faria Romano nascera em Barcelos, a 7 de Fevereiro de 1856. Eis o assento do seu baptismo:
“Manoel, filho legítimo de Manoel José de Faria e sua mulher Antónia, do lugar de Vila, desta freguesia de São Miguel de Chorente, neto paterno de José de Faria e de Ana Maria, do mesmo lugar e freguesia, e materno de José Rodrigues e de sua mulher Rosa, da freguesia de Negreiros, nasceu aos sete dias do mês de Fevereiro de mil oitocentos e cinquenta e seis, e foi solenemente baptizado na Pia Baptismal desta Igreja, com imposição dos Santos Óleos, por mim, Lourenço José de Magalhães, Reitor dela, aos onze dias do dito mês e ano. E para constar fiz este assento, era ut supra.”
Paróquia de Chorente,
Baptismos, 006 (1829/1865) – fls. 51

Em Alvarelhos, o professor conheceu a rapariga com quem veio a casar, no dia 8 de Maio de 1884:
Aos oito dias do mês de Maio do ano de mil oitocentos e oitenta e quatro, nesta igreja paroquial de Santa Maria de Alvarelhos, concelho de Santo Tirso, diocese do Porto, na minha presença compareceram os nubentes Manoel José de Faria Romano e Maria Dias dos Santos, com todos os papeis do estilo correntes e sem impedimento algum, canónico ou civil, para o casamento; ele da idade de vinte e oito anos, solteiro, professor público de instrução primária, natural da freguesia de Chorente, concelho de Barcelos, diocese de Braga, morador nesta de Alvarelhos, no lugar do Ribeiro; e ela da idade de dezassete anos e meio, com a competente autorização de seus pais, solteira, agricultora, natural desta freguesia de Alvarelhos e nela moradora no lugar da Giesta, os quais nubentes se receberam por marido e mulher, e os uni em Matrimónio, procedendo em todo este acto conforme o rito da Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romana. E para constar lavrei em duplicado este assento que, depois de ser lido e conferido perante os cônjuges, pais da nubente e testemunhas, comigo o assinaram, menos a cônjuge e sua mãe, por não saberem escrever. Era ut supra. O Reitor, Manuel da Silva Moreira.

Também em Alvarelhos nasceram as suas filhas: a Anatilde (em 1886); a Maria (em 1889); a Prudência (1893); e a Venância.
Desta filha, que veio a casar com Américo Alves da Cruz, nasceu, em São Cristóvão do Muro, a Maria Fernanda, em 1944.
Livros Paroquiais de São Cristóvão do Muro, Ano de 1944. Baptizados, fls. 3v.
A Junta de Paróquia de Alvarelhos, eleita em 1886, era constituída pelos seguintes cidadãos: José de Moura Coutinho, José Alves Maia e Faustino Cândido d’Oliveira Maia.

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Edição 742

Primeiro-ministro escolhe chairman da Frezite para tomar conta do dinheiro da “bazuca”

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O empresário José Manuel Fernandes foi um dos nove escolhidos pelo primeiro-ministro, António Costa, para monitorizar a “bazuca” europeia. A aposta na industrialização do país e dissipação das desigualdades sociais, nomeadamente em termos de habitação, são algumas das apostas do governo para aplicar os fundos do Plano de Recuperação e Resiliência.

O renomado empresário que, em 1978, fundou a Frezite, uma multinacional portuguesa com empresas em várias localizações no Globo, como Alemanha, República Checa, Polónia, Reino Unido, Espanha, Brasil, Finlândia e México, afirma estar “honrado com o convite” que lhe foi dirigido “pessoalmente” pelo primeiro-ministro. José Manuel Fernandes garante que este é o momento de “aproveitar esta oportunidade que é única de criar instrumentos para desenvolver a coesão social, porque um dos componentes da ‘bazuca’ é a construção de habitação para melhorar efetivamente as condições de habitabilidade para famílias que estão extremamente carentes, e para alavancar setores importantes como a indústria”.
O empresário realçou o facto de, com a pandemia, ter ficado “a nu” as fragilidades da economia, muito assente e dependente do turismo. “Iniciamos o ano de 2020 de uma forma exagerada, entusiasmados com o turismo que foi a área que mais quebrou com a pandemia. Os bloqueamentos de mobilidade das pessoas entre países e dentro do nosso país e os confinamentos vieram mostrar que se Portugal tivesse uma economia estruturada de outra forma, assente na indústria ao serviço do conhecimento, era capaz de responder de uma forma mais equilibrada. A restauração também quebrou de uma forma vertiginosa de forma que estamos hoje numa situação em que o governo apercebeu-se destes défices e a ‘bazuca’ vem nesse sentido de potenciar o desenvolvimento da nossa economia em algumas áreas”.
A variante à Nacional 14 foi tema incontornável para José Manuel Fernandes, que relembrou que “o primeiro-ministro António Costa e o presidente da Infraestruturas de Portugal tomaram consciência da importância vital para a economia da região e do país desta acessibilidade”, cujo investimento está incluído no Plano de Recuperação e Resiliência, assim como “outras obras de acesso, por exemplo às áreas empresariais em Santo Tirso”, concluiu.

Perfil de José Manuel Fernandes

Nasceu em 1945, em Lisboa, e é licenciado em Engenharia Mecânica, e bacharel em Eletrotecnia e Máquinas pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e Instituto Industrial do Porto.
Sócio-fundador do grupo empresarial Frezite, em 1978, com sede na Trofa e com empresas em vários países, exercendo atualmente funções de chairman.
Antes da atividade empresarial, exerceu atividade como diretor industrial e administrador em várias empresas.
No espaço associativo, é membro do Conselho Geral da Associação Empresarial de Portugal, Presidente da assembleia-geral da AIMMAP (Associação dos Industriais Metalúrgicos, Metalomecânicos e Afins de Portugal) e foi, até 2020, presidente da direção da AEBA e membro do Conselho da Indústria da CIP – Confederação Empresarial de Portugal.
Presidiu ainda à Comissão de Fiscalização da privatização dos Estaleiros de Viana do Castelo, a convite do Governo, e como professor convidado tem participado em vários eventos na abertura de cursos de MBA, em diversas universidades e escolas de Gestão, em temas sobre a internacionalização da Economia.
Conferencista em vários eventos em Portugal e no estrangeiro, assim como articulista em vários órgãos de comunicação, subordinados aos temas da produtividade, competitividade e internacionalização. Publicou, em pleno período da Troika, o livro “Caminhos do Exportador em Estratégias de Internacionalização”, em 2.ª edição.

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