rui-pereiraRui Pereira desapareceu de Famalicão faz segunda-feira dez anos. Sem dados novos, o processo foi transferido da Polícia Judiciária para o Ministério Público há cerca de um mês. Já só os pais ainda têm esperança.

“O processo relativo ao desaparecimento de Rui Manuel Correia Pereira já não se encontra na Polícia Judiciária da directoria Norte e foi transferido para o Ministério Público de Vila Nova de Famalicão”, disse à Lusa fonte da Polícia Judiciária (PJ) do Porto. O próximo passo será o arquivamento.

Rui Pereira desapareceu há dez anos, no dia 02 de Março de 1999, quando brincava no Parque de Sinçães, junto ao bairro onde vivia.

“Nunca mudámos de telefone, nem de casa porque, um dia, quando o Rui puder telefonar ou voltar, queremos que nos encontre no sítio onde nos deixou”. A esperança que resiste é de Laurinda Meira, a mãe de Rui Pereira.

A família do jovem, agora com 24 anos, vive “suspensa” à espera de qualquer indício sobre o seu paradeiro. O mesmo acontece com as buscas policiais.

“Só se surgirem novas pistas é que o processo volta para a Polícia Judiciária”, referiu fonte da PJ.

“Ninguém desiste do Rui e todos acreditamos que ele está preso ou drogado em qualquer lado e que um dia vai voltar para casa”, diz a mãe, que só quer ter fé nas pistas que parecem surgir de vez em quando. Muito de vez em quando.

“Há pessoas que dizem que o viram na Suíça, mas desde há três anos que da PJ não temos qualquer tipo de informação”. É novamente Laurinda Meira a falar, que “gere” na solidão a ausência do filho, nos longos intervalos de tempo sem o marido, emigrado em França vai para muitos anos.

“Falo com a fotografia dele todas as noites, toda a família anda com a fotografia dele na carteira e garanto que, se o visse agora, mesmo dez anos depois, o reconhecia”, disse.

A investigação ao desaparecimento do menor lutou sempre contra a falta de pistas, afirma à Lusa fonte da PJ.

Os únicos factos que constam do processo referem apenas que, na tarde do dia 02 de Março, Rui brincava com um amigo no parque quando foi chamado pelo condutor de um automóvel.

“O meu filho foi falar com o homem, entrou no carro e nunca mais soubemos nada dele”, recordou a mãe.

A fé de Laurinda em reencontrar o filho parece não ter fim. Contudo, garantiu à Lusa que o maior apoio que recebeu foi de Filomena Teixeira, a mãe de Rui Pedro, o menino de Lousada que desapareceu um ano e um dia antes de Rui Pereira.

“É tudo muito estranho, os dois meninos têm o mesmo nome, viviam em terras perto uma da outra e desapareceram no intervalo de um ano”, refere a mãe do jovem de Famalicão.

Rui Pedro Teixeira Mendonça foi o primeiro caso mediático do desaparecimento de uma criança em Portugal. Desapareceu no dia 04 de Março de 1998 quando andava de bicicleta e nunca mais foi visto.

A mãe nunca desistiu de procurar o filho: recorreu a várias autoridades, criou o site www.ruipedro.net e fundou a Associação Portuguesa de Crianças Desaparecidas. Onze anos após o desaparecimento de Rui Pedro, Filomena está internada num hospital do Porto.

“Alguém, em alguma parte do mundo, sabe o que aconteceu e onde está o meu filho e acredito que a verdade vai ser conhecida”, espera Laurinda Meira.