Bernardino Vasconcelos (foto de joao abreu miranda)O município da Trofa nasceu há 10 anos mas Bernardino Vasconcelos, actual presidente da Câmara, ainda se lembra da primeira reunião da comissão instaladora, realizada na mesa de um café, para decidir o que fazer num concelho sem nada.


 “Não tínhamos rigorosamente nada, tivemos que partir do zero. A primeira reunião da comissão instaladora foi realizada na mesa de um café e tivemos logo que começar a definir uma estratégia porque os cidadãos estavam sem serviços municipais”, afirmou Bernardino Vasconcelos, em declarações à Lusa.

    Um dos mais novos concelhos português foi criado pela Assembleia da República a 19 de Novembro de 1998, integrando oito freguesias retiradas do vizinho concelho de Santo Tirso, que passou a recusar o acesso aos serviços municipais a todos os residentes na Trofa.

    “É uma situação nunca vista em democracia”, lamentou Bernardino Vasconcelos, recordando que a situação foi ultrapassada com a formação de uma equipa que, “em poucos dias, criou as condições necessárias para responder às exigências da vida dos munícipes”.

    Os primeiros três anos, que corresponderam à actividade da Comissão Instaladora do Concelho, foram quase integralmente dedicados “a construir a organização municipal”.

    O novo concelho, além de não ter serviços municipais, também não tinha instalações e estava confrontado com graves problemas ao nível das infra-estruturas, já que as escolas estavam degradadas, a rede viária necessitava de obras e a água e o saneamento apenas chegavam a uma pequena parte da população.

    “A estratégia definida na altura assentava em três pilares. O primeiro era o investimento nas redes de água e saneamento, avançando para a cobertura total do concelho, o segundo a educação, visando criar condições para a aprendizagem das crianças, e o terceiro a acção social, para apoiar os mais necessitados”, recordou Bernardino Vasconcelos.

    O autarca, que preside aos destinos do concelho desde a sua criação, liderando primeiro a comissão instaladora e depois o executivo municipal, considera que os objectivos traçados foram cumpridos, apesar de lamentar a falta de apoios do governo.

    “Ao longo dos anos, o Governo não tem dado apoio. Houve um ou outro contrato-programa para a requalificação da rede viária, mas, na generalidade, não deu apoio”, frisou, recordando que, para agravar o problema, a data de nascimento do novo concelho impediu o acesso aos fundos de dois quadros comunitários de apoio.

    “Sempre lutamos para que a Trofa fosse olhada com discriminação positiva, porque era um concelho novo, sem infra-estruturas, mas os governos nunca foram sensíveis a esta situação”, frisou.

    A situação conheceu algumas melhorias com o actual executivo, tendo a Trofa assegurado obras importantes como as variantes à EN 14 e EN 104, a extensão da linha do Metro e a construção da variante da Linha do Minho, que permitirá tirar o comboio do centro da cidade.

    “Com a variante ferroviária, a Trofa terá capacidade para se expandir e a chegada do Metro fará o concelho explodir em termos de procura”, afirmou o autarca.

    Bernardino Vasconcelos salientou, no entanto, que “a estratégia não é atrair pessoas para residir, mas para viver na Trofa”.

    Uma posição geográfica de ligação entre o Porto e o Norte e entre o litoral e o interior, boas acessibilidades, um parque escolar de qualidade e uma cidade segura são alguns dos atractivos que a Trofa tem para oferecer, além de uma redução de 2,5 por cento no IRS para os residentes.

    Por outro lado, o concelho conta com um tecido económico forte e diversificado, que deverá crescer nos próximos anos com a criação de uma Área de Localização Empresarial, que deverá atrair novas empresas, além de permitir deslocalizar algumas unidades industriais que se encontram na zona urbana.

    “O que vejo para o futuro é uma explosão de crescimento muito grande. As acessibilidades, essenciais para o desenvolvimento, estarão prontas e vejo a economia a crescer claramente porque teremos mais empresas no concelho”, frisou Bernardino Vasconcelos.

    Nesta área, merece também especial referência a DNA-Trofa, uma agência de incubação para projectos inovadores, dirigida para “jovens qualificados que saem da universidade e querem desenvolver o seu negócio ou que têm uma boa ideia que pode ser aproveitada por empresários locais”.

    Uma década depois de nascer, o mais novo concelho português vai ter finalmente um edifício dos Paços do Concelho, que têm funcionado numa vivenda junto à EN 14.

    “Decidimos inicialmente apostar nas redes de água e saneamento, na educação e na acção social, agora é importante criar novas dinâmicas e uma delas é a construção dos Paços do Concelho”, frisou Bernardino Vasconcelos.

    A autarquia apresentou três alternativas de localização do edifício, devendo os munícipes exprimir a sua opinião nos próximos meses, após o que será tomada uma decisão final.

    O presidente da Câmara da Trofa prevê que, no final deste ano, possam começar os trabalhos de construção daquele que será um dos edifícios emblemáticos do concelho.

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Lusa