Ano 2008
Primeira reunião dos órgãos municipais foi à mesa do café

“Não tínhamos rigorosamente nada, tivemos que partir do zero. A primeira reunião da comissão instaladora foi realizada na mesa de um café e tivemos logo que começar a definir uma estratégia porque os cidadãos estavam sem serviços municipais”, afirmou Bernardino Vasconcelos, em declarações à Lusa.
Um dos mais novos concelhos português foi criado pela Assembleia da República a 19 de Novembro de 1998, integrando oito freguesias retiradas do vizinho concelho de Santo Tirso, que passou a recusar o acesso aos serviços municipais a todos os residentes na Trofa.
“É uma situação nunca vista em democracia”, lamentou Bernardino Vasconcelos, recordando que a situação foi ultrapassada com a formação de uma equipa que, “em poucos dias, criou as condições necessárias para responder às exigências da vida dos munícipes”.
Os primeiros três anos, que corresponderam à actividade da Comissão Instaladora do Concelho, foram quase integralmente dedicados “a construir a organização municipal”.
O novo concelho, além de não ter serviços municipais, também não tinha instalações e estava confrontado com graves problemas ao nível das infra-estruturas, já que as escolas estavam degradadas, a rede viária necessitava de obras e a água e o saneamento apenas chegavam a uma pequena parte da população.
“A estratégia definida na altura assentava em três pilares. O primeiro era o investimento nas redes de água e saneamento, avançando para a cobertura total do concelho, o segundo a educação, visando criar condições para a aprendizagem das crianças, e o terceiro a acção social, para apoiar os mais necessitados”, recordou Bernardino Vasconcelos.
O autarca, que preside aos destinos do concelho desde a sua criação, liderando primeiro a comissão instaladora e depois o executivo municipal, considera que os objectivos traçados foram cumpridos, apesar de lamentar a falta de apoios do governo.
“Ao longo dos anos, o Governo não tem dado apoio. Houve um ou outro contrato-programa para a requalificação da rede viária, mas, na generalidade, não deu apoio”, frisou, recordando que, para agravar o problema, a data de nascimento do novo concelho impediu o acesso aos fundos de dois quadros comunitários de apoio.
“Sempre lutamos para que a Trofa fosse olhada com discriminação positiva, porque era um concelho novo, sem infra-estruturas, mas os governos nunca foram sensíveis a esta situação”, frisou.
A situação conheceu algumas melhorias com o actual executivo, tendo a Trofa assegurado obras importantes como as variantes à EN 14 e EN 104, a extensão da linha do Metro e a construção da variante da Linha do Minho, que permitirá tirar o comboio do centro da cidade.
“Com a variante ferroviária, a Trofa terá capacidade para se expandir e a chegada do Metro fará o concelho explodir em termos de procura”, afirmou o autarca.
Bernardino Vasconcelos salientou, no entanto, que “a estratégia não é atrair pessoas para residir, mas para viver na Trofa”.
Uma posição geográfica de ligação entre o Porto e o Norte e entre o litoral e o interior, boas acessibilidades, um parque escolar de qualidade e uma cidade segura são alguns dos atractivos que a Trofa tem para oferecer, além de uma redução de 2,5 por cento no IRS para os residentes.
Por outro lado, o concelho conta com um tecido económico forte e diversificado, que deverá crescer nos próximos anos com a criação de uma Área de Localização Empresarial, que deverá atrair novas empresas, além de permitir deslocalizar algumas unidades industriais que se encontram na zona urbana.
“O que vejo para o futuro é uma explosão de crescimento muito grande. As acessibilidades, essenciais para o desenvolvimento, estarão prontas e vejo a economia a crescer claramente porque teremos mais empresas no concelho”, frisou Bernardino Vasconcelos.
Nesta área, merece também especial referência a DNA-Trofa, uma agência de incubação para projectos inovadores, dirigida para “jovens qualificados que saem da universidade e querem desenvolver o seu negócio ou que têm uma boa ideia que pode ser aproveitada por empresários locais”.
Uma década depois de nascer, o mais novo concelho português vai ter finalmente um edifício dos Paços do Concelho, que têm funcionado numa vivenda junto à EN 14.
“Decidimos inicialmente apostar nas redes de água e saneamento, na educação e na acção social, agora é importante criar novas dinâmicas e uma delas é a construção dos Paços do Concelho”, frisou Bernardino Vasconcelos.
A autarquia apresentou três alternativas de localização do edifício, devendo os munícipes exprimir a sua opinião nos próximos meses, após o que será tomada uma decisão final.
O presidente da Câmara da Trofa prevê que, no final deste ano, possam começar os trabalhos de construção daquele que será um dos edifícios emblemáticos do concelho.
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Lusa


