Mais uma vez o povo português vai ser convocado para depositar o seu voto nas urnas. Estas Eleições Presidenciais/2011 têm uma característica sui generis: um candidato, Cavaco Silva, seduz o eleitorado para ganhar; os outros tentam que haja uma segunda volta.

O eleitor português, no próximo dia 23, vai ter as seguintes opções: ir votar ou abster-se. Se escolher a abstenção, ficando em casa ou ir passear, ficará passivamente à espera do desenrolar dos acontecimentos. Se decidir ir votar, tem três hipóteses: votar em branco, como forma de protesto ou porque não se sente esclarecido, ou ainda, porque não concorda com os candidatos e com as suas propostas; anular o voto, como forma de protesto pela promessa que não foi consumada e neste caso até poderá escrever no boletim “o que lhe vai na alma”, anulando com militância o boletim de voto e por último tem a opção de votar um voto válido, escrevendo a cruz no quadrado ao lado do seu candidato preferido.

O eleitor, ao escolher esta última opção de voto válido, vai estar confrontado com as seis opções, tantos são os candidatos, que se apresentam no boletim e que são por esta ordem:

Cavaco Silva, o actual Presidente da República, que se recandidata apoiado pelo PSD, CDS-PP e MEP e que se apresenta com o slogan “Acredito em Portugal”. A sua maior bandeira é “ser Moderador de conflitos, garante de equilíbrios”;

Defensor de Moura, ex-Presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo é militante socialista e candidato independente, apresenta-se com o slogan “Contra a Resignação”. Tem como bandeira bem forte a “Regionalização e o Combate à Corrupção e ao Clientelismo”.

Francisco Lopes, candidato oficial do PCP, apresenta-se com o slogan “Uma Candidatura Patriótica e de Esquerda”. A bandeira da sua candidatura é “um projecto ancorado na constituição e nas conquistas de Abril”.

José Manuel Coelho, deputado pelo PND à Assembleia Regional da Madeira, tem como slogan “Basta de Pastéis, Coelho a Belém”. A sua bandeira é “A voz dos escalões mais baixos da sociedade contra os que roubam impostos.

Manuel Alegre, ex-candidato derrotado nas últimas eleições presidenciais e candidato oficial do PS e do BE, apresenta-se desta vez com o slogan “Contrato Presidencial – Uma nova esperança para Portugal”. Afirma ter como bandeira “Não serei neutro, como nunca fui, na luta pela decência da democracia e pela transparência da vida pública, contra o clima de permanente insinuação e suspeição que mina a confiança dos cidadãos”.

Fernando Nobre, candidato independente e médico fundador da AMI, apresenta-se com o slogan “Recomeçar Portugal”. Afirma que “trabalhará, para que a sociedade portuguesa e todas as suas instituições passem a reconhecer o mérito, a premiar a excelência e a recusar a impunidade”.

Com a vitória, quase certa, de Cavaco Silva e a derrota, quase garantida, de Manuel Alegre, o secretário-geral do PS e primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, vai também ter uma vitória, que no seu caso é dupla: manterá em Belém um forte aliado ao combate à crise e livra-se de Manuel Alegre, o seu maior adversário dentro do Partido Socialista.

Consumado o acto eleitoral, o que se espera e deseja é que no futuro próximo sejam evitados os cenários mais pessimistas de dissolução da Assembleia da República, novo PEC e chegada do FMI. Para tal, é preciso uma boa prestação do Governo na recuperação da economia sem aniquilar o estado social.  

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