O mês de Janeiro aproxima-se rapidamente e será, mais uma vez, ocasião de os nossos compatriotas usarem da sua principal arma: o voto.

Tenho afirmado, várias vezes, que a democracia não se esgota no voto: há muitas outras formas de uso do direito de cidadania.

É, contudo, no voto que os cidadãos são verdadeiramente soberanos. O voto é a grande arma num regime democrático.

A votação que se aproxima será, talvez, das mais disputadas, sendo de prever que se repita um cenário semelhante ao de 1986, entre Mário Soares e Freitas do Amaral, em que escassas dezenas de milhar de votos foi a diferença entre o vencedor e o vencido.

Todos os candidatos são credores da mesma dignidade. Todos se prontificam a servir o seu país numa função de grande dignidade.

Apesar da dignidade que é reconhecida a todos os candidatos, penso não estar enganado ao prever uma segunda volta entre Mário Soares e Cavaco Silva.

Estes dois candidatos são apoiados pelos dois maiores partidos (O PS tem dois candidatos) e, embora as sondagens dêem resultados desequilibrados neste momento, e de Soares sair desfavorecido em favor de Alegre, a dinâmica da campanha irá colocar os candidatos ordenados segundo uma lógica eleitoral que, neste momento ainda não é visível.

A luta promete ser dura porque ambos os candidatos são de grande nível e têm muita força política.

Não escondo, como nunca escondi, o meu voto: voto no Dr. Mário Soares. Tem o perfil adequado para o cargo, ao contrário dos outros candidatos que têm bom perfil para outros cargos. Designadamente, o Dr. Cavaco Silva tem um perfil mais executivo e não estará no lugar certo se for eleito Presidente da República.

E será mais difícil governar um país com dois líderes com perfil executivo e decidido, como são José Sócrates e o Dr. Cavaco Silva.

Mário Soares tem um passado, nalguns casos polémico, dada a época em governou, mas é uma figura determinante na História recente de Portugal.

Sobre o seu passado político, principalmente dos últimos trinta anos, haverá muito ainda a dizer e não faltarão oportunidades para o fazer daqui até ao dia 22 de Janeiro de 2006.

Neste momento, importa realçar a sua grande vantagem relativamente aos outros candidatos: Soares tem a vantagem de ser ponderado – a idade a isso ajuda – e ter uma pujança física e intelectual de fazer inveja aos adversários.

Foi uma lição de ciência política a sua intervenção há poucos dias no edifício da Alfândega, no Porto, onde veio apresentar as linhas mestras da sua campanha. Foi uma lição de ciência política aplicada a uma campanha. Soares sabe do que fala e a sua “genica” intelectual e física é de fazer inveja a todos os adversários. A sua lucidez política espanta os mais lúcidos.

Ninguém como Soares sabe do que fala quando fala de política. Nenhum dos candidatos sabe, como Soares, quando fala no cargo que vau desempenhar.

Estas qualidades do Dr. Mário Soares em nada desvalorizam os seus adversários. Pelo contrário, a candidatura do Dr. Mário Soares irá levar a campanha eleitoral e um nível muito elevado.

Portugal sairá a ganhar com o prestígio internacional que Mário Soares levará à suprema magistratura da nação portuguesa.

Eu apoio Mário Soares.

Voltarei, muito provavelmente, a este tema

 

 

Afonso Paixão