Normalmente estaria a escrever sobre o décimo terceiro aniversário d o nosso Concelho.

Não o faço, porque a autarquia decidiu comunicar que vai anunciar (escrevo este artigo a 22 de Novembro) um plano de reestruturação financeira. Este plano está estreitamente ligado a mais um ano de Concelho e mandato do actual executivo camarário. Não gosto de ser demagógico e injusto, muito menos de forma premeditada. Assim, no próximo artigo não deixarei de abordar mais um aniversário do concelho da Trofa, mesmo que desfasado no tempo.

Aquando da entrada de Portugal para a antiga CEE, CE a partir de 1992, tivemos de ceder em diversas áreas como, por exemplo, agricultura e pescas. A indústria nacional não se antecipou aos desafios do futuro da época, mantendo a aposta no baixo custo em detrimento da inovação, excepto raros casos de sucesso, algumas multinacionais investiram em território nacional fruto dos enormes subsídios e do baixo custo do factor trabalho. O país vivia uma “euforia expansionista”, onde a despesa aumentava. O acesso ao crédito era moda, comprar carro e casa era simples, os hábitos de consumo mudaram e o consumidor tornou-se mais sofisticado.

Mais tarde, com a progressiva aproximação dos custos de trabalho aos do país de origem dessas multinacionais e o fenómeno dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), com a China à cabeça, a provocar a deslocalização da produção para Oriente, surgiu a ideia luminosa do país orientar a sua economia para os serviços. Não é preciso ser muito entendido de economia para perceber que um país não pode viver somente de serviços. O turismo não dá para tudo.

Vivemos os últimos anos insuflados por apoios, subsídios e crédito para manter os padrões de consumo que, entretanto, se tornaram uma forma de estar e viver.

Quando pusemos os pés no chão, já foi tarde. A dívida é grande (País, famílias e empresas) e com surpresas diárias de “facturas na gaveta”, a capacidade de produção está terrivelmente afectada, a desconfiança dos mercados é enorme, o custo da dívida é muito pesado (País, famílias e empresas) o desemprego teima em crescer, a insegurança aumenta todos os dias e há quem ponha o regime em causa. Para mal dos meus pecados, nem o FCP ajuda.

Paralelamente, a Europa viveu os mesmos vícios. Globalmente, sofre da mesma doença com algumas excepções.

A Europa, como um todo, está a perder batalha atrás de batalha contra os BRICS. Eles estão a colonizar a Europa.

Por outro lado, a Alemanha está a conseguir o que não conseguiu pela força das armas. Actualmente, a Senhora Merkel governa a Europa sem o voto dos portugueses. Merkel comanda os destinos do Continente mais antigo. Antigo e amorfo.

Não me parece que a Alemanha e a Europa estejam a seguir a estratégia correcta. Aliás, parece que andam a brincar ao esconde-esconde e já não têm idade para isso. A Europa está sem estratégia e reage tarde e em má hora.

A Alemanha sem uma Europa forte não vai longe. A Europa sem estabilidade e competitividade será comandada pelas próximas (?) potências económicas.

A questão que se coloca é, pois, como é que a Europa consegue atingir o crescimento económico e a estabilidade social?

Tem uma de suas hipóteses: Voltar atrás, cada país por si mantendo o mínimo de aprofundamento económico e político; Dar o passo em frente, caminhando para a união política.

Pelos diversos argumentos económicos, políticos e sociais apresentados pelos defensores de um e outro caminho a tomar, eu opto pela segunda hipótese.

Com o estado actual de aprofundamento da União ou dar o passo atrás, para mim, é a mesma coisa. Ou seja, Portugal é da Europa.

Caso haja aprofundamento da União, a Alemanha pode continuar a mandar, mas todos nós poderemos decidir pelo voto. Os Europeus poderão condicionar a economia europeia através do voto. Portugal estará na Europa e, por incrível que pareça pela suposta perda de soberania (se é que ainda existe), terá uma voz mais forte, mesmo sendo um pequeno país.

Tiago Vasconcelos

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