Os portugueses deixaram de acreditar totalmente no resultado do esforço que desenvolveram nos últimos três anos. Primeiro com José Sócrates, depois com Pedro Passos Coelho.

Face aos tempos que se viviam na altura da sua eleição para exercer o cargo de Primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho foi uma lufada de ar fresco. Uma lufada de credibilidade que as diversas intervenções do Primeiro-Ministro eleito foram cimentando durante o primeiro ano de governação.

Mal ou bem, não interessa para o caso, a imagem do Governo ficou abalada aos olhos dos portugueses com o caso do ministro MIguel Relvas.

Por outro lado, as consequências do chumbo do corte do subsídio dos funcionários públicos pelo tribunal constitucional não foi convenientemente explicado aos portugueses. A grande maioria dos portugueses interpretou das palavras do PM que 2013 seria o ano da retoma. Por consequência, a expectativa generalizada não passava por novos cortes passado um mês.

Os portugueses ficaram baralhados e irritados. Mostraram a sua insatisfação na maior manifestação apartidária de todos os tempos. Um dia depois, Paulo Portas veio a público fragilizar o Governo e a coligação PSD/PP, a fim de obter algum lucro político, mas os eleitores já não vão nisso.

Entretanto, o líder do PS, António José Seguro, veio provar que não é alternativa ao Governo. Quando lhe perguntaram o que faria, entre duas ou três medidas soltas, afirmou que implementava bombas de gasolina de baixo preço. Apetece perguntar: Diga lá outra vez??? Está a brincar? Acha que com essas medidas vai-nos colocar na rota do crescimento??

Foi uma barafunda.

Para muitos, e em parte para mim, a origem da desconfiança dos portugueses está na forma de comunicar do Governo.

O Governo deveria ter explicado aos portugueses o péssimo estado das contas públicas. Fruto da má governação dos últimos 20 anos, pelo menos.

Depois, deveria ter explicado o que estava a fazer e os seus efeitos.

Não o fez. Pelo menos, não fez de maneira a que os portugueses compreendessem.

Assim, o Governo deveria explicar as medidas tomadas e os efeitos que tiveram, ou vão ter, sobre as contas públicas. Por exemplo, deveriam explicar quanto vai diminuir o custo com as fundações e com quais, com os institutos públicos e demais extinções de organismos públicos, com as parcerias público privadas, assim como a repercussão anual nos próximos cinco a dez anos. Isto é, existe alterações que se podem verificar em 2013, mas poderão existir outras medidas que apenas se possam sentir nos anos seguintes.

Ao mesmo tempo, as privatizações poderiam ser explicadas de outra forma. Ou seja, é tão importante saber quanto se recebe pela privatização, como saber o que se poupa com essa privatização.

Explicar, ainda, onde é mais difícil reduzir a despesa e a razão dessa dificuldade.

Hoje, e de tanto ouvir falar de finanças, os portugueses têm conhecimento suficiente para poder avaliar com justiça o mérito das medidas e a sua paciência é proporcional à compreensão do trabalho desenvolvido pelos seus governantes.

A outra parte do problema que Portugal enfrenta é o crescimento económico. Não adianta reduzir a despesa sem receitas. Se Portugal não crescer, a despesa poderá diminuir, mas a receita também vai diminuir.

Aqui, a principal tarefa é demonstrar à Europa e à Troika que os pressupostos económicos e financeiros que serviram de base ao acordo de ajustamento não estão correctos. Desde logo, o valor do défice não era de 6%, mas de 8 ou 9%, pelo menos. Por consequência, o esforço é bastante superior ao inicialmente pensado e a probabilidade de matar a economia é substancialmente maior. É bom relembrar aos credores que os nossos principais mercados de exportação não têm o mesmo comportamento que tinham na altura e compram menos. A Alemanha não cresce tanto e a Espanha está em crise.

Assim, e perante os diversos elogios europeus ao trabalho desenvolvido pelo Governo, é absolutamente necessário negociar um plano económico que vise o crescimento enquanto as medidas de redução da despesa tenham o impacto necessário e esperado.

É necessário demonstrar que o doente pode morrer da cura! Os portugueses precisam de acreditar, façam o favor de nos fazer acreditar.

Tiago Vasconcelos

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