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O secretário-geral do PSD, Miguel Macedo, tentou sossegar os protestos dos militantes que não conseguiram actualizar a tempo as suas quotas, devido à devolução dos vales postais, incluindo esses filiados, à última da hora, nos cadernos eleitorais. A medida criou, porém, polémica.

 

Na Trofa, por exemplo, um candidato a delegado quer impugnar as eleições. Amorim Pereira, membro do Conselho de Jurisdição, dá-lhe razão e avisa "Não pode haver uma lei do quero, posso e mando". Marques Mendes votou em Fafe, alheio à polémica que marcou a sua eleição em directas.

Conforme o JN já noticiou, centenas de militantes do PSD estavam impedidos de votar nas directas de ontem porque foram-lhes devolvidos os vales postais usados para o pagamento das quotas. Ontem, Miguel Macedo tentou resolver a situação, enviando um fax aos presidentes de mesa das secções afectadas, pedindo-lhes que "acrescentassem manualmente" esses filiados nos cadernos eleitorais. E justificou-se com "o atraso dos CTT".

Porém, a medida mexe com a eleição dos delegados, até porque o número de congressistas atribuído a cada secção é fixado segundo os militantes com as quotas em dia. Daí a polémica gerada, que levou a que, na Trofa, um dos candidatos a delegados queira impugnar as eleições.

Vigilância apertada

"É um bocado estranho. Incluir nomes à mão é uma coisa do século passado. Se um partido como o PSD não consegue organizar um acto eleitoral com 55 mil militantes como se propõe governar o país?", questiona Cândido Azevedo, que encabeçou uma lista contra o "vice" da Câmara, António Pontes, e Tiago Vasconcelos, filho do líder concelhio, Bernardino Vasconcelos.

Devido à polémica na maior secção do PSD, o processo eleitoral na Trofa foi um dos mais vigiados do país. Além de ter sido acompanhado por quatro delegados, dois de cada facção, ainda teve a supervisão da Jurisdição Distrital, que foi também a Matosinhos e Felgueiras.

Miguel Macedo justifica a inclusão, ontem, de 46 novos militantes no caderno eleitoral da Trofa com o facto dos vales postais desses filiados terem sido devolvidos indevidamente pelos serviços centrais do partido.

Amorim Pereira alega, porém, que o secretário-geral não tem competência para alterar os cadernos. "Não pode ultrapassar as regras do partido e alterar cadernos em cima das eleições. Isso tinha que ser visto pela Jurisdição, caso a caso", explicou, ao JN.

O membro do Conselho de Jurisdição Nacional avisa "Não pode haver uma lei do quero, posso e mando. O secretário-geral não pode querer fazer tudo".

Fonte JN