“As palavras” de Eugénio de Andrade misturavam-se com o “Poema à Mãe” do mesmo autor. Das alusões ao Dia da Mãe, os discursos mudavam repentinamente o sentido e recordavam o “País em inho”, de Manuel Alegre: “E já não posso suportar tanta doença/ tanta cebola a fazer de flor tanta mezinha/ tanta Zita Santa Zita tanto rito/ tanto guisado e catecismo. Tantas coisas em inho./ Neste país quietinho, ó Pascoais. Neste país quietinho.”

Antes ainda, chegou ao Café Refúgio, em Guidões, na noite de sábado, o “Operário em construção” de Vinicius de Moraes: “E foi assim que o operário/ do edifício em construção/ que sempre dizia sim/ começou a dizer não./E aprendeu a notar coisas/ a que não dava atenção…”.

Foi assim mais uma edição da iniciativa “Hoje vou ao café… ouvir poesia”, promovida pela Câmara Municipal da Trofa. Esta atividade é organizada mensalmente, numa das oito freguesia do concelho. Em abril, foi a vez dos guidoenses se renderem à poesia, depois de Santiago e S. Martinho de Bougado, Muro, Alvarelhos, S. Mamede e S. Romão do Coronado. A próxima deverá ser em Covelas.

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