As empresas de pequena e média dimensão têm vindo a contribuir, ao longo dos anos, para a criação de novos postos de trabalho. PME continuam a apresentar vantagens competitivas face às grandes empresas.

Entre 2002 e 2010, 85 por cento do total líquido dos novos postos de trabalho na União Europeia (UE) foi criado por pequenas e médias empresas (PME). Segundo um estudo sobre o contributo essencial das PME para a criação de emprego, apresentado pela Comissão Europeia, neste período, o emprego líquido criado pela economia empresarial da UE aumentou, em média, 1,1 milhão de novos postos de trabalho anuais.

Com uma taxa de um por cento por ano, o crescimento do emprego PME foi mais elevado do que aquele registado nas grandes empresas, com 0,5 por cento. A única exceção registada foi no setor do comércio, devido ao aumento significativo de grandes empresas comerciais, sobretudo no setor da venda, manutenção e reparação de veículos automóveis, onde o emprego nas PME aumentou 0,7 por cento face a 2,2 por cento nas grandes empresas.

Dentro das PME, as microempresas, com menos de dez trabalhadores, são as responsáveis pelo crescimento líquido do emprego na economia empresarial, com 58 por cento. Também as novas empresas, com menos de cinco anos, assumem responsabilidade pela maior parte dos novos postos de trabalho.

As que estão ligadas aos serviços empresariais são responsáveis por 27 por cento dos novos postos de emprego, enquanto as novas empresas ligadas aos setores dos transportes e da comunicação contribuem de forma mais pequena, com seis por cento.

Para António Tajani, vice-presidente da Comissão Europeia e responsável pela Indústria e Empreendedorismo, as pequenas empresas estão a cumprir o seu papel como principais geradoras de novos postos de trabalho. “O seu contributo significativo para a criação de emprego realça a crescente relevância económica das PME e a necessidade de apoiar estas empresas a todos os níveis”, salientou.

De acordo com o mesmo estudo, a crise da economia refletiu-se em empresas de todas as dimensões, sobretudo as microempresas que ficaram mais vulneráveis. No período de 2009 a 2010, o número de postos de trabalho nas PME decresceu, em média, 2,4 por cento por ano, contra 0,95 por cento nas grandes empresas. Esta evolução manteve-se negativa em 2010 e as expectativas para 2011 melhoravam aquando do momento em que o estudo foi realizado.

De um modo geral, os efeitos negativos da crise mais importantes para as empresas foram a redução geral na procura dos seus produtos e serviços, o agravamento das condições de pagamento pelos clientes e a escassez de fundo de maneio. Este estudo distinguiu ainda duas dimensões principais: a qualidade do emprego e a qualidade do trabalho. Se por um lado o emprego nas pequenas empresas é menos produtivo, menos remunerado e menos sindicalizado do que o emprego nas grandes empresas, por outro lado as microempresas apresentam uma vantagem competitiva face aos seus concorrentes relativamente ao ambiente de trabalho, ao equilíbrio entre a vida profissional e privada e uma maior flexibilidade do horário de trabalho.

Janine Mouta

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