A construção da Plataforma Logística Maia/Trofa, uma das duas plataformas urbanas integradas na rede nacional lançada pelo governo em Maio de 2006, foi adiada por falta de capacidade do promotor, a construtora SOMAGUE.

“O promotor afirmou continuar interessado no investimento, mas revelou ter problemas para o realizar num prazo razoável”, disse hoje à Lusa fonte do Gabinete para o Desenvolvimento do Sistema Logístico Nacional (GabLogis).

Esta plataforma tem um investimento previsto de 232 milhões de euros, dos quais 224 milhões são destinados à construção da plataforma e os restantes oito milhões para a construção dos acessos.

A SOMAGUE pediu um adiamento do investimento sem data marcada, o que, na prática, significa que o processo está parado.

Na sequência desta posição da construtora, já transmitida ao governo, a fonte contactada pela Lusa admitiu que “poderá ser necessário” encontrar um novo promotor para esta plataforma logística.

Por outro lado, a fonte também admitiu que a Plataforma Logística Maia/Trofa possa vir a ser construída num local diferente do que está actualmente previsto, alegando que os preços dos terrenos são muito elevados.

“Se os preços são elevados para o actual promotor da plataforma, também o serão para outros eventuais interessados”, salientou a fonte do GabLogis.

A configuração inicial da implantação desta plataforma logística já foi alterada várias vezes, devido ao facto de abranger terrenos de elevada importância agrícola.

Na sequência de contactos com as câmaras da Maia e da Trofa e da associação de agricultores local acabou por ser definida uma nova configuração, tendo a área sido reduzida de 170 para cerca de 80 hectares.

A localização da Plataforma Logística Maia/Trofa situa-se no denominado Vale do Coronado, abrangendo terrenos da Reserva Agrícola Nacional, o que tem gerado alguns protestos de ambientalistas locais.

Nesse sentido, foi lançada a 19 de Outubro de 2008 uma campanha contra a construção da plataforma naquele vale agrícola, liderada pela denominada rede de cooperação CONVERGIR, que envolve cerca de duas dezenas de associações de ambiente, urbanismo e ordenamento do território.

“A implantação da plataforma logística nos terrenos agrícolas do Vale do Coronado acabará por levar à ocupação de todos esses terrenos, destruindo assim uma das maiores manchas de solo arável existente na Área Metropolitana do Porto”, refere um documento divulgado pela CONVERGIR.

Para esta rede, “a eventual destruição do Vale do Coronado terá implicações ambientais enormes em toda a região, destruindo um valioso ecossistema que, não obstante as enormes pressões urbanísticas de que tem sido alvo, foi possível até agora preservar”.

Nesse sentido, defende a necessidade de encontrar uma localização alternativa para a plataforma logística, “em local onde não sejam destruídos valores patrimoniais e naturais insubstituíveis”.

A Rede Nacional de Plataformas Logísticas, apresentada pelo governo em Maio de 2006, envolve um investimento global de 1,7 mil milhões de euros.

A Plataforma Logística Maia/Trofa foi concebida para dar apoio logístico à Área Metropolitana do Porto, sendo também um complemento logístico ao Porto de Leixões.

A sua construção pretende dar um novo impulso ao desenvolvimento económico local e regional, através da reorganização dos fluxos logísticos provenientes da região litoral norte de Portugal, da Galiza e da Beira Alta.

A Lusa contactou a SOMAGUE para obter um comentário sobre o processo de construção da Plataforma Logística Maia/Trofa, mas tal não foi possível em tempo útil.