Milhares de pessoas assistiram à quarta edição da Super Especial da Trofa, vibrando com as manobras e a habilidade dos pilotos, que se estrearam num novo circuito, junto à Estação da CP.

Velocidade, manobras perigosas, perícia e alguns acidentes sem gravidade. Foi assim ao longo de toda a tarde de domingo, 10 de julho, junto à zona da nova Estação da CP. A 4ª edição da Super Especial da Trofa juntou cerca de vinte mil pessoas (dados da organização) no maior evento de automobilismo do concelho.

A prova deste ano contou com mais de 70 pilotos inscritos, que tiveram a possibilidade de participar nas duas mangas. E ainda que o início tinha ficado marcado por alguns acidentes numa curva enganadora, o novo percurso junto à nova Estação da CP parece ter agradado a público e organização.

O diretor da prova, Carlos Cruz, defendeu que “este traçado é totalmente diferente do anterior”, que era “muito mais estreito, na Estrada Nacional 14, que tem apenas duas faixas de rodagem”. “Também o público que aqui esteve de forma nenhuma poderia ser suportado no anterior circuito”, uma vez que os espaços que existiam “eram diminutos e as pessoas acabavam por se cansar. De facto, aqui uma pessoa, em qualquer lugar, vê uma grande parte do percurso. Tentámos fazer com que nunca estivessem muito tempo sem ver o carro”, acrescentou.

Manuel Rocha veio da Póvoa de Varzim de propósito à Trofa para ver a Super Especial, que considerou um evento “bom e interessante”. Já José Carneiro teve de andar pouco para chegar ao local da prova, já que é da aldeia de Ervosa, em S. Martinho de Bougado. A acompanhar a Super Especial pelo segundo ano, garantiu que “este percurso é melhor que o anterior”. Também a jovem Tânia Costa não quis perder nenhum momento da prova e embora reconheça que este é um desporto mais apreciado “pelos homens”, achou a prova “divertida”. “Está bem organizada e, pelo menos, é melhor aqui do que lá em cima (EN 14)”.

Rui Alves faz parte da organização e também participou na prova, mas confessou que preferia “a pista anterior”.

O colega da organização, Rui Azevedo, explicou que “há duas componentes que é necessário analisar”: “A desportiva, da qual o piloto tira partido e, nesse sentido, o anterior trajeto tem mais-valias, e em termos de impacto para o público e deste ter possibilidade de visionar melhor o próprio trajeto”.

Aleixo Roriz, elemento da organização, piloto e representante da Ford Daro na Super Especial da Trofa, não podia estar mais de acordo: “O traçado incluía quatro passagens na mesma reta, o que também permitiu evitar custos adicionais na vedação e houvesse, acima de tudo, mais segurança e as pessoas puderam estar sentadas na esplanada a ver o espetáculo. Na pista anterior era difícil ver todo percurso e todo o recinto e nesta havia a possibilidade de ver os carros na zona de parque de assistência e no trajeto”.

Esta prova contou ainda com algumas acrobacias especiais. Depois de anos de expectativa, o avião da Ford encheu os céus da Trofa. “Tinha comentado com algumas pessoas que, se tudo corresse bem, o avião estava cá. Estava tudo combinado, mas poderia haver um imprevisto e depois ficávamos mal vistos. Foi uma dívida que eu tinha para com a Trofa e desta vez conseguimos trazer o avião”, explicou Roriz.

A Daro é uma das patrocinadoras da prova e Aleixo Roriz diz que esta é “uma aposta bem ganha”.

Apesar de existirem menos pilotos que o ano anterior, houve mais carros em pista, uma vez que, ao contrário do que acontecia em anos anteriores, um carro podia apenas ser conduzido por um piloto. “Esta forma é bem melhor, porque assim as pessoas não vêm o mesmo carro duas vezes. Por outro lado, o ano passado chegamos ao final e só os 20 melhores é que faziam uma segunda manga. Este ano, demos oportunidade a todos de fazerem uma segunda passagem”, declarou Carlos Cruz.

Também Rui Alves garantiu que “houve mais qualidade”.

 

 

Alcino Ferreira homenageado

A tarde foi também de reconhecimento pelos feitos de uma antiga glória trofense no mundo do automobilismo. Alcino Ferreira participou em mais de 800 provas ao longo de 40 anos e a organização decidiu fazer-lhe uma homenagem no intervalo da prova. O antigo piloto não escondeu a surpresa: “Quando me chamaram pensei que fosse para me disponibilizarem um carro para eu dar uma volta, mas na verdade foi melhor, porque uma volta eu posso dar em qualquer altura”. “Estou grato às pessoas que se lembraram de mim”, acrescentou, sem esconder que esta é uma homenagem “um pouco merecida”. “A verdade é que em todas as corridas que eu fiz nunca levei mais nada a não ser o Cinoco, que é a minha casa, e a Trofa. Nunca levei mais publicidade nenhuma. Em certa medida acho que divulguei bastante o nome da Trofa e que incentivei um pouco o lançamento de alguns dos atuais pilotos, como por exemplo, o Rui Azevedo, que começou rapazinho como meu navegador em ralis. Não quero elogiar-me, mas acho que talvez merecesse qualquer coisa, porque dinamizei um pouco o automobilismo desportivo na Trofa”, explicou.

Rui Alves e Rui Azevedo anunciaram no final da prova que não pretendem continuar a ser os responsáveis pela organização da Super Especial da Trofa: “Vamos continuar de fora, sem deixarmos de estar envolvidos, mas todos nós temos a nossa vida profissional e não pode acontecer o que aconteceu desta vez, em que tivemos quase quase oito dias dedicados em pleno a uma iniciativa destas. Ajudaremos, mas de outra forma”.

Joana Lima, presidente da Câmara Municipal, assistiu às prestações dos pilotos, tecendo vários elogios à organização: “Servindo a Trofa, servindo os trofenses, deram um contributo fundamental para que esta prova tivesse o sucesso que tem”.

Talvez por isso, a autarca espere que a decisão de abandonarem a organização não seja definitiva. “Sem eles será quase impossível organizar a Super Especial da Trofa e tenho quase a certeza que eles não vão deixar a prova morrer”, referiu.

Aleixo Roriz vai mais longe e apelida mesmo a decisão dos companheiros de “conversa de treta”. É certo que “passam-se muitos dias e muitas noites” na organização da prova e “há algumas coisas que têm de ser alteradas”, incluindo “mais elementos” da comissão responsável, mas “quando acabam estas pessoas, acaba o evento”.

Em relação à alteração do local de realização da corrida, Joana Lima garantiu que “foi uma aposta ganha”. A edil trofense garantiu que esta é uma iniciativa para continuar, podendo o futuro passar pela separação entre a prova e os automóveis clássicos, uma vez que “excedeu as expectativas”. “Assim, os trofenses têm o prazer de apreciar os carros antigos de uma outra forma e estarão também mais atentos à Super Especial”, reiterou.

O vencedor da Super Especial 2011 foi Luís Barros e o melhor trofense em prova foi Rui Alves, que fez o segundo melhor tempo da geral. Já Cátia Silva foi a única piloto feminina a participar na prova.

A Super Especial da Trofa é uma organização da Câmara Municipal, com o apoio das Juntas de Freguesia de S. Martinho e Santiago de Bougado, da Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting, do Clube de Desportos Motorizados do Porto e do Clube Trofense de Automóveis Antigos.

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