A Alameda da Estação foi o local escolhido pelas equipas de automobilismo da Trofa para mostrarem as viaturas que vão acelerar no Troféu CIN, da Team Baia. 

Durante o dia de domingo, 25 de fevereiro, os carros de rali chamaram à atenção daqueles que, aproveitaram o sol e a temperatura amena, foram passear para a Alameda da Estação. Além de dar a conhecer a realidade trofense no que à modalidade diz respeito, as equipas procuraram também fazer operação de charme a possíveis patrocinadores. “Divulgar que na Trofa há muitos pilotos” e “chamar a atenção da Câmara” para que dê mais apoio foram outros dos objetivos que levaram à realização desta exposição, explicou ao NT e à TrofaTv o promotor, João Gomes. “Não existe só velocidade. Nós também fazemos uns ralis e até vamos mais longe do que eles”, afiançou.
Uma época pode custar milhares de euros a uma equipa. Segundo João Gomes, há provas cujas inscrições “podem chegar aos 500 euros” e depois é necessário fazer contas à manutenção das viaturas e à logística, como alimentação e alojamento. Sem grandes apoios, os pilotos da Trofa tentam gerir o orçamento de acordo com quadro de provas que estão agendadas. Por exemplo, Cláudio Santos ainda está a fazer contas à verba que poderá angariar para depois definir as provas que vai juntar às de Santo Tirso e Famalicão, que “estão certas”. “Os ralis estão cada vez mais caros”, confidenciou. Por sua vez, Joaquim Maia conta fazer “três provas” do CIN, se garantir o apoio dos patrocinadores com quem está a negociar.

“O automobilismo está esquecido”

Na Trofa, o automobilismo sempre foi uma modalidade com tradição, graças ao esforço impulsionado pelas várias gerações de pilotos. No entanto, a opinião parece unânime quanto à importância que entidades institucionais locais dão ao automobilismo. “Há tradição só nos pilotos, porque no concelho não se vê muita coisa. Podiam fazer mais algumas iniciativas”, defendeu Sérgio Ramalho.
Filipe Moreira complementou: “Nós temos muitos e bons pilotos, só que falta um bocadinho de apoio a nível camarário, porque investe-se no futebol e o automobilismo fica à parte. Valem-nos algumas empresas da Trofa que nos têm ajudado”.
Já Nuno Freitas espera que, este ano, haja Super Especial na Trofa. “Acho que já o ano passado devia ter havido”, referiu.
João Gomes considera que a modalidade está “esquecida” no concelho. “Eu tive reuniões na Câmara e na vereação do Desporto revelaram estar suscetíveis de receber mais propostas e realizar mais eventos. Nós compreendemos que as dificuldades tocam a todos, mas nós também não pedimos grandes apoios monetários. Neste caso, só tenho de agradecer por nos terem ajudado nesta exposição, agora vamos esperar que a Câmara se lembre de nós também”, sublinhou.
O sentimento de injustiça que os pilotos sentem justifica-se pela convicção de serem capazes de levar o nome da Trofa mais longe que algumas modalidades apoiadas institucionalmente. “Normalmente, falam de nós pelo concelho que representamos e não pelo nosso nome. Neste tipo de campeonatos, toda a gente sabe que há pilotos da Trofa”, acrescentou João Gomes, que revelou ainda que esta época está prevista uma prova ibérica. “Elevaremos o nome do concelho não só a nível nacional, mas também a nível internacional”, concluiu.