Já não é a primeira vez, e provavelmente não será a última, que abordo em diferentes Crónicas esta temática, mas como nada tem mudado volto ao assunto, em tempos de discussão do OE e depois do Presidente da República ter chamado os partidos para ouvir a opinião dos dirigentes partidários se vai continuar a haver estabilidade política ou não. O que o Presidente deveria discutir com todos os responsáveis partidários era a forma de ser resolvida a nossa grave crise, o nosso verdadeiro problema. Pela enésima vez vou repetir: o nosso problema é económico, pois os números que se leem são dor e lágrimas, são desânimo e dúvidas, são ilusões e enganos! Este é um momento histórico que será pena, por falta de visão ou de coragem deixar perder!
Será que os nossos políticos têm consciência de que Portugal tem uma economia que nos últimos quinze anos não tem tido crescimento? É uma economia que está condenada, pois é impensável, nos últimos 15 anos não crescemos rigorosamente nada, depois de termos, na década de 1960-1970, crescido 7,5% e temos vindo, neste meio século, sempre a decair no crescimento, a crescer sempre cada vez menos, até chegar ao nada!
Existem causas externas que nos ultrapassam, desde a globalização, a concorrência internacional, a forte crise financeira na Europa e nos Estados Unidos, a mão-de-obra barata em países asiáticos, como a China e tantos outros, que não podemos combater, pois somos impotentes, não temos uma verdadeira indústria, não temos capitalistas, não temos investidores, não temos industriais. Devemos acrescentar às causas internacionais as nossas próprias causas, pois aqui bem ao lado, a vizinha Espanha está a crescer e a Irlanda, que também teve de pedir ajuda externa, e foi intervencionada pela «troika» como nós, mas está com um crescimento de 5% a 6% ao ano. É fácil entender que o problema é nosso! Portugal faz parte do conjunto de quatro economias do euro com crescimento mais baixo.
Perante este cenário macroeconómico é preciso fazer crescer a nossa economia. Urgentemente! Para isso precisamos: aumentar as exportações; ter competitividade; atrair investimento. Para tudo isto acontecer é preciso estabilidade legislativa, judicial e política, que é importantíssima para que se consiga o investimento interno e ainda mais importante, pelos valores que representam, o investimento externo (sem investimento estrangeiro é muito difícil a economia crescer). A previsibilidade é um fator importantíssimo para haver investimento, por isso as regras só devem ser mudadas em décadas e não em cada mandato, como tem acontecido sempre que muda um governo, ou mesmo dentro do prazo de uma legislatura.
A nossa economia não está a crescer e, ainda mais grave, o Estado «engorda» todos os dias, em vez de «emagrecer» até ao necessário. A continuar assim, um dia vai ter que ser, mesmo que seja à força, pois quando não se faz nada, fica-se pior a cada dia que passa! A evolução da despesa pública tem vindo a crescer desde 2001, que teve 60 MM€ de despesa pública, para em 2010 atingir o máximo com 93 MM€ e em 2015 atingir 87 MM€. Para não falar da forma como foi gerida a banca portuguesa (com falências atrás de falências), as empresas do Estado (foram destruídas quase na sua totalidade), a maneira como foram feitos os contratos das PPPs – Parcerias Público-Privadas (beneficiaram fortemente os privados em desfavor do Estado) e a gestão ruinosa das empresas municipais (a maior parte delas estão falidas tecnicamente).
Estamos a viver à custa do endividamento e não é pelo clima «geringonçado» que está a ser criado por este governo a três, que não se consegue fazer crescer a economia. Não é tanto a ideologia de quem governa ou a estabilidade política. Não é por aí «que o gato vai às filhoses». Os portugueses não comem ideologia. O mais importante é reanimar a economia e fazer «emagrecer», substancialmente a despesa com o Estado.
A Despesa Corrente deveria ter uma descida significativa e como não teve, os impostos é que têm vindo a crescer constantemente; em 1990 eram colocados dos valores dos impostos 19% para as pensões; em 2000 foram 22% dos impostos para as pensões; em 2010 já cresceu para 36% e em 2014, quase 40% dos impostos cobrados foram destinados ao pagamento de pensões. A Balança Corrente (bens, serviços e transações correntes) tem vindo a ser deficitária desde o início do século, originando um permanente défice externo e alimentando-se uma das maiores dívidas externas do mundo. É uma perigosa asneira o que o atual governo defende que é o crescimento económico ser feito através do consumo interno, pois a maioria do que consumimos é importado. A solução é bem o contrário disto: uma forte aposta na produção interna do que importamos e diversificarmos as nossas exportações. O resto é incompetência, interesses escondidos e demagogia política.
Mais importante que os «casamentos» por interesse é a sustentabilidade da dívida e fazer com que a nossa economia cresça, para ver se as nossas contas ficam equilibradas e proporcionar uma melhor qualidade de vida aos portugueses. Mas, infelizmente, não é isso que se verifica. O que se vê é António Costa muito mais preocupado em manter o poder a todo custo, que é a sua principal prioridade. Para ele o que é mais importante é o poder; é o seu partido e só depois o país. Isto são as prioridades dos políticos fracos. É o que nós temos!

moreira.da.silva@sapo.pt
www.moreiradasilva.pt