Este ano de 2020 que agora termina e não deixa grandes saudades, tem inexoravelmente a marca do vírus que, parece, “veio para ficar e ficou mesmo”. É uma marca que não se pode tirar, quase como uma nódoa encardida: por mais que se queira lavar, não há hipótese de sair. Para a história, 2020 será sempre o “Ano Covid”: da distância, do medo, da insegurança, da incapacidade, da doença e muitas vezes da morte…

É neste cenário que se aproximam as grandes festas do final do ano… Não sem as necessárias restrições e apelos ao bom senso que, neste caso, gostaria de subscrever e evidenciar. Serão festas celebradas em ambiente anuviado mas isso não deve diminuir a vontade e a necessidade que todos temos de assinalar as datas importantes da nossa vivência humana. Para uns serão festas de celebração da família e de um novo ano que se deseja melhor, para outros (os crentes como eu), além desta dimensão humana, sublinha-se a entrada do Divino na nossa história a partir da encarnação de Jesus Cristo no seio de uma família humana, a Sagrada Família. Este mistério dá uma dimensão nova à história, de tal forma que todos os tempos, sobretudo os que se avizinham, terão sempre esta marca da presença de Deus – a sua Bênção.

E a Bênção não é mais do que a presença e o olhar de Deus que se lança amorosamente sobre a criatura tal como Jesus, o Filho de Deus abraçou a humanidade e se tornou Filho do Homem no seio de Maria. Haja o que houver, aconteça o que acontecer, venha o que vier, este é um tempo abençoado. Não é abençoado porque todos os problemas, receios ou sofrimentos se resolvam como por magia (geralmente as artes mágicas são apenas ilusões que levam a desilusões), mas sim porque sabemos que na aventura da vida – muito maior do que imaginamos – Deus vive connosco. Este Natal carregado com cores cinzentas, bem vistas as coisas, não é mais tenebroso do que o primeiro Natal com a Matança dos Inocentes.

Desejo pois que este tempo abençoado seja acalentador da Esperança, às vezes frágil, no coração de quantos vivem esta quadra particularmente no nosso concelho da Trofa e na Vigararia. Que a Bênção fecunda se estenda às famílias que neste ano ficaram sem a presença física de algum ente querido (por causa da epidemia ou não), a todos os que vivem nos lares do nosso concelho ou vigararia (talvez mais do que ninguém sejam eles quem mais tem sofrido com o vírus), a todos os doentes e pessoas mais necessitadas e carenciadas, a todos os profissionais de saúde que lutam contra este e outros vírus, a todos os outros profissionais no cumprimento dos seus deveres e obrigações, às nossas autoridades, a todos os que no escondido das suas casas ou dos Lares acolhem e tratam os doentes ou idosos, a todos os voluntários nos vários sectores de actividade mas de um modo especial os que colaboram com as paróquias, a todas as crianças, adolescentes e jovens e a todos os homens e mulheres de boa vontade. Em nome dos padres do concelho e da vigararia, um Alegre Natal para todos e um Ano Novo de PAZ…

Pe. Luciano Lagoa – vigário da Vigararia Trofa/Vila do Conde