Membros do Partido Comunista Português da Trofa percorreram no domingo, dia 17 de junho, o concelho da Trofa, alertando a comunidade para os problemas sociais e a Reforma Administrativa.

Os problemas de carácter social, como o desemprego e asfixia das “pequenas e médias empresas”, e a Reforma Administrativa fizeram com que o núcleo da Trofa do Partido Comunista Português (PCP) percorresse o concelho da Trofa e alertasse a comunidade para que “se levantem e digam não a esta política”. Na opinião de Atanagildo Lobo, membro do partido, se a população “deixar as coisas andarem, obviamente o poder político, o governo e a maioria que tem na Assembleia da República, fará aquilo que nós não queremos que faça”. 

O comunista salientou que existe “uma data de problemas” que não afetam apenas o País, mas o concelho, tais como o desemprego e o asfixiamento das pequenas e médias empresas, que têm levado a “uma forte recessão da economia e ao empobrecimento do nosso povo”.

A reforma administrativa foi outro dos pontos focados pelos membros do partido, que a consideram “uma violência, por atingir profundamente as populações, no sentido de piorar significativamente a sua vida futura”.

Na exposição à população trofense, os membros do PCP Trofa mostraram que são contra esta reforma administrativa, explicando, em “três partes fundamentais”, o porquê de o serem. “Primeiro há a questão política que passa precisamente por uma violação desta dita reforma, porque os órgãos que foram eleitos, e estão neste momento à frente das autarquias, assembleias de freguesia, assembleias municipais, não foram eleitos com esse mandato por parte do povo. Durante a campanha eleitoral jamais é posta esta questão em cima da mesa, portanto não têm legitimidade democrática para fazerem uma coisa que não fez parte dos programas eleitorais, nem foi debatido e, portanto, o povo não lhes conferiu esse mandato, logo não têm esse poder”, apontou. A outra razão tem a ver com a “autonomia legislativa”, explanando que as assembleias municipais “devem abster-se de tomar qualquer decisão (sobre qual freguesia a extinguir) para uma coisa que não estão preparados, nem foram legitimadas para o efeito”. Atanagildo Lobo espera que as assembleias de freguesia mantenham a sua posição contra esta agregação. 

A “questão histórica” é outro dos pontos que leva o partido a reiterar esta agregação de freguesias, pois, cada uma tem a “sua identidade, costumes e tradições”. O membro do PCP acredita que esta reforma “não vai ter absolutamente qualquer influência no défice”, frisando que poderá haver um aumento dos custos. “Se houver junção de freguesias vai haver coincidência de nomes da toponímia, vai ser necessário fazer novos registos, um novo recenseamento eleitoral. Uma data de coisas que, provavelmente, vão até encarecer aquilo que eles estão a pensar ser mais barato”, afirmou.

O despedimento de trabalhadores é um dos prováveis resultados desta agregação de freguesias, o que “assusta um bocadinho” os membros do partido, que acreditam existir “muitas formas de poupar”, sem a necessidade de haver fusão. “As freguesias podem, nomeadamente, associar-se. Por exemplo, freguesias como Guidões, Alvarelhos e Muro, precisam de uma determinada máquina. Associam-se e compram-na em conjunto. A máquina pode servir distintamente as três freguesias, sem necessidade nenhuma de haver fusão dessas freguesias”, exemplificou.

PCP apresenta moção de censura

Na tarde de terça-feira, dia 19 de junho, o PCP da Trofa distribuiu, no centro da cidade da Trofa, panfletos com o intuito de “dar a conhecer” os principais “motivos para a apresentação da moção de censura do PCP a este governo”, que será apresentada na Assembleia da República, em Lisboa.

Os comunistas organizaram esta “jornada nacional”, que decorreu na terça e quarta-feira, para que as “pessoas consigam perceber a motivação que existe para apresentar esta moção” e para “dizer a este povo que não nos podemos conformar nem resignar, mas temos que lutar, pois só assim é que se conseguem vitórias de interesse para este País”. “É tempo de travar esta onda de destruição” é o apelo do PCP que, afirma ser necessário “pôr termo à desestabilização económica e social do país”. 

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