O Governo do Eng. José Sócrates, tem tido o mérito de saber aproveitar as fragilidades confrangedoras das oposições e governado como bem entende a contento do Partido Socialista, que na campanha eleitoral prometeu "mundos e fundos" e agora no poder está a praticar o contrário.

     A oposição ao Governo Socialista "é muito fraquinha", pelo que é necessário uma oposição credível, a começar por um CDS/PP que se deseja dinâmico, forte e coeso, ao contrário do que tem acontecido nos últimos tempos. É tempo de chamar a atenção ao Governo, que está a falhar a compromissos que fez na campanha, nomeadamente no aumento da idade da reforma e dos impostos, no pagamento de portagens nalgumas SCUT's e na reorganização dos serviços de urgência hospitalares. Já se começa a sentir, por parte da população, a um apelo enérgico à mudança.

     Na primeira iniciativa de uma nova etapa do movimento de apoio à convocação de eleições directas para a liderança do CDS/PP que reuniu num jantar em Gaia, perto de um milhar de pessoas, uma das notas principais foi de que o partido tem de deixar de ser notícia por causa de demissões, exonerações, convulsões, suspensões e facções. Só Paulo Portas pode acabar com a actual imagem de «partido dividido».

     A vida interna do partido, tem sido de grandes divisões, provocadas pela direcção do partido nas convocações de congressos extraordinários sem fortes justificações, discussões de limitações de mandatos, demissões de líderes parlamentares, suspensão de eleições para o grupo parlamentar. Enfim, dois anos de quezílias a mais e orientação a menos. Liderança que deixa muito a desejar!

     A grande mobilização verificada nesta primeira iniciativa para o regresso de Paulo Portas, incomodou muita gente, com o que se passou e é um bom sinal para um grande recomeço de uma nova etapa da vida do CDS. A grande maioria das estruturas já subscreveu o apoio às eleições directas. Das 175 Concelhias eleitas, 118 assinaram o que corresponde a 67%. Das 13 Distritais eleitas, 10 assinaram, o que corresponde a 77%. Em menos de 5 dias, 68% da estrutura local do Partido subscreveu o movimento e apoia a convocação de eleições directas. O Conselho Nacional de Jurisdição também aprovou por unanimidade, a convocação imediata de eleições directas.

     Com o anúncio da sua candidatura, Paulo Portas já teve o mérito de fazer abanar as estruturas instaladas no seu partido, mas também as "hostes laranjas" que vivem momentos muitos agitados com o seu anúncio, pois sabem que Paulo Portas poderá capitalizar para o CDS/PP toda a contestação ao governo socialista vinda do centro e do centro-direita. É interessante verificar que alguns jornais locais de tendência "laranja" e também "rosa", e até alguns nacionais, já começaram a colocar à disposição de militantes contestários ao regresso de Paulo Portas, páginas de entrevistas e artigos de opinião para dizerem mal de Paulo Portas.

     Nunca se viram esses ditos militantes com pouca, ou nenhuma ligação às bases, a dizerem mal das políticas governamentais! Bem pelo contrário! Claro que há também os "camaleões" que "jogam com as duas pernas" para verem para que lado "cai a balança" e na hora da vitória lá estarão eles a dar um abraço de partir as costelas ao vencedor, seja ele qual for, mas à frente das câmaras para ficar bem na fotografia, «pois sempre estiveram do seu lado!?!». Oportunistas que lá vão levando a água ao seu moinho… até serem desmascarados! Para esses, «só está em causa o seu moinho» mas na hora da vitória lá vão eles cantá-la! Bem desafinados, mas cantam!

     Ao CDS/PP falta liderança forte, implantação e uma política adequada aos desafios de hoje e aberta a novas causas e a novos valores. Se tudo ficar como está, é mais do que certo que o Eng. Sócrates e o Partido Socialista vencem as próximas eleições, o centro-direita recua fortemente e o CDS corre o risco de voltar ao tamanho de um partido do táxi como o era, tempos antes de Paulo Portas ter sido eleito Presidente.

         José Maria Moreira da Silva

     moreira.da.silva@sapo.pt