A crise que se está a viver, faz aumentar cada vez mais o número de pessoas (já são mais de dois milhões de portugueses), que vivem no limiar da pobreza. É uma triste realidade, que deve envergonhar todos, a começar pelos governantes. As pessoas que fizeram o “pecado capital” de trabalhar e envelhecer e quem tem o estômago vazio, não entendem as falsas promessas de uma vida melhor, que lhe foram “enfiadas” na cabeça, em tempos de campanha eleitoral.

É muito difícil aceitar, que alguém viva dignamente em situação de desemprego (aproxima-se do milhão de pessoas), com pensões de miséria (nalguns casos com menos de 200 euros por mês, são já dezenas de milhares de pessoas que trabalharam uma vida), ou com ordenados abaixo dos 500 euros por mês (já se começa a perder a conta, quantos são). Os governantes dedicam-se muito mais à frieza dos números da alta finança, esquecendo constantemente, que as sociedades são feitas de pessoas e é para as pessoas que devem governar. Cá como lá; a nível local ou a nível nacional, a qualidade de vida das pessoas deve estar sempre em primeiro lugar. É para isso, que as pessoas lhes dão o seu voto.

É interessante verificar o comportamento dos políticos, locais e nacionais, com a situação que herdaram, em termos financeiros. Ambos ficaram com o “cofre vazio” e cheios de dívidas. É uma realidade, só que lá, a nível nacional, os que estão no poder são os que cá, a nível local, estão na oposição; e os que cá estão no poder são os que lá estão na oposição. Para uns e para outros, o que é desculpável numa situação é criticável em situação semelhante. É um “nó cego” na cabeça das pessoas, que as levam a distanciar-se cada vez mais da política e a acreditar cada vez menos nos políticos. Paradoxos na política, que nada a dignifica.

Também a similitude no caso das licenciaturas, que estão muito na “berra”, do passado e do presente, originam aprovações e reprovações consoante o “quadrante”, em que se situa. Os que estavam no poder no passado, alegavam uma perseguição inqualificável, mas agora atacam ferozmente a do presente, enquanto os do poder no presente, criticaram impetuosamente a do passado, mas defendem “com unhas e dentes” a do presente. Vamos lá entendê-los!

Atente-se ao que se está a passar com a “vinda do metro à Trofa”: foi aprovada, na Assembleia da República, uma proposta que visava a integração na 2ª fase, das obras do metro de superfície, do ISMAI à Trofa e uma boa parte dos trofenses rejubilaram com tal facto, só que os que lá estão no poder e que cá estão na oposição, aprovaram uma proposta de um estudo de viabilidade económica da linha “ISMAI/Trofa”.

É uma autêntica “habilidade saloia”, que já não engana ninguém, pois o “estudo” só vai contemplar as viagens nos poucos autocarros, que estão a fazer o serviço nesse trajeto, mas não calculam o número de pessoas que poderiam utilizar o metro, se já houvesse, e muito menos as pessoas que poderiam fazer o transbordo na Trofa, do comboio para o metro. Assim, haveria uma viabilidade económica do “troço” ainda por fazer, só que contabilizando uma pequena parte, vai apontar para a inviabilidade, que os “habilidosos” pretendem. Ninguém tem dúvidas, que se este “troço” estivesse localizado em Lisboa, já tinha sido inaugurado há muito tempo.

Os políticos em campanha eleitoral, sabem “sacar” muito bem o voto das pessoas, mas nas situações em que as pessoas esperam deles, atitudes positivas e benéficas para a sua qualidade de vida, espetam-lhe a “faca nas costas”, sem contemplações. De traição em traição até ao “divórcio” total. É por isso, que as pessoas vivem de entusiasmos, que cedo se desvanecem.

José Maria Moreira da Silva

moreira.da.silva@sapo.pt

www.moreiradasilva.pt

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