Paradela conseguiu a manutenção, fruto dos três pontos conquistados na “secretaria”. Apesar de apontar alguns pontos negativos que marcaram a temporada, João Cruz relembrou algumas conquistas da equipa nos últimos três anos.

Depois de alguns dias de suspense, o Paradela ficou a saber que a Associação de Futebol do Porto lhe atribuiu três pontos, que permitem a manutenção da coletividade na 1ª Divisão distrital. Esta decisão vem na sequência de um castigo ao Alfenense, que utilizou um jogador mal inscrito. João Cruz, treinador do Paradela, afirmou que este era um desfecho “que já esperava, porque a decisão já tinha sido tomada há algum tempo, mas só agora a Associação do Porto retificou a classificação”.

Apesar de considerar que a época não correu bem ao Paradela “devido a vários fatores”, o técnico também não se isenta de culpas: “Eu assumo aquilo que acho que correu mal, mas não se pode esperar de uma equipa como o Paradela que tenha um futuro promissor no futebol nacional, era um crime a própria associação pensar assim”.

João Cruz esteve afastado do clube da Trofa durante dois meses, depois da derrota por 5-3 na 18ª jornada. Regressou dois meses depois, quando a equipa já navegava pelos lugares perigosos da tabela classificativa: “Ao ouvir na rádio a derrota do Paradela frente ao Marco por 6-0, senti-me um pouco obrigado a regressar, porque era, e foi, a maior derrota que a associação teve desde que existe. Apesar de ter pessoas competentes, o Paradela era uma equipa à deriva e os jogadores também achavam isso e pediram-me para regressar”.

O treinador nunca esperou facilidades nesta divisão, depois de uma temporada de glória, graças à subida de divisão. No entanto, nesta época, a equipa teve que jogar com “equipas de topo” como “o Ermesinde, o S. Martinho, o Baião, o Dragões Sandinenses e o Marco”.

Um dos obstáculos da temporada para João Cruz foi a dificuldade de ter “um onze base”, devido às expulsões e às lesões de jogadores.

Mas o feito de participar numa equipa de aldeia que conseguiu chegar à 1ª Divisão distrital deu-lhe “um grande gozo”. “Os objetivos dos três anos foram conseguidos”, frisou.

João Cruz ainda não sabe se vai continuar no comando técnico, pois ainda não lhe endereçaram nenhum convite, mas gostava de se manter na 1ª Divisão. “A única vez que eu acho que consegui repetir um onze, ganhámos o jogo, que foi precisamente no meu regresso com o Gens”.

O segredo para o Paradela conseguir mais pontos no campeonato no regresso de João Cruz foi a equipa pensar “no bem-estar”. “Trabalhámos pelo nosso bem-estar, esquecemo-nos um pouco de quem nos rodeava. Não estou a desprezar ninguém e não tem nada a ver com o concelho ser meu ou não ser meu, mas quando eu digo que o concelho nos virou as costas isso prende-se com algumas situações que aconteceram ao longo da época”, frisou.

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