O povo quando escolhe, em eleições livres, os seus representantes tem como objetivo principal, a escolha de personalidades habilitadas para o cargo a que se candidatam e que sabem interpretar o seu sentir e responder às suas aspirações para o representar dignamente. Ao votar, o povo está a delegar naqueles que pensa serem os mais capacitados para gerir em seu nome. É assim, numa democracia representativa.

O problema não está quando o povo vota; o problema está no dia seguinte à contagem de votos. Aí, o interesse pelo bem-estar do povo e as suas aspirações já não contam para nada, ou contam muito pouco, pois o eleito já conseguiu o que queria: ser eleito e ocupar o lugar que tanto trabalho deu para o conquistar (nalguns casos) e diga-se em abono da verdade, o lugar que tanto ambicionava (em muitos casos). É como o povo diz: “quem quer a bolota trepa”… e eles treparam.

Sentados na “cadeira do poder”, muitos dos eleitos começam a sofrer de doenças neurológicas, cujo primeiro sintoma é perda de memória, provavelmente provocada pelo excesso de uso de ansiolíticos, essenciais no combate ao peso na consciência.

É assim, muitas vezes, o exercício de poder: muita canseira, muita asneira, muita verborreia, que originam muitos cabelos brancos (a quem ainda não os tem), e muitas rugas no rosto (mesmo que encobertas com cremes especiais). Tudo isto provocado pelas insónias. Todos sabem, que o que tira o sono não é a obra feita, mas a obra que não foi feita; não são as promessas cumpridas, mas as promessas por cumprir, que tiram o sono.

Já é mais que tempo, de o povo entender, que as promessas feitas pelos políticos, em campanha eleitoral, não são para cumprir. É assim, tem sido quase sempre assim. Quem não se lembra do político criticar, em campanha eleitoral, o seu antecessor, por ter aumentado os impostos e fazer a promessa de não os aumentar, mas mal chega ao poder é a primeira medida que toma? Quem não se lembra da promessa de políticos, em campanha eleitoral, de construir uma nova via rodoviária e quando chegam ao poder, nem sequer constroem um passeio, quanto mais uma estrada, mas empregam de imediato o irmão, a irmã, o cunhado, o tio, o sobrinho, o primo, a cunhada do cunhado e também o “jota”, com a obrigação de ele arrancar com a “jota” lá do sítio? Não é nenhuma ficção; é mesmo assim a realidade. Infelizmente!

É preciso votar nos candidatos mais capacitados, nos mais honestos, naqueles que oferecem mais confiança, que vão cumprir com o prometido. É preciso que os eleitos sejam excelentes gestores do bem público e que considerem o Poder como sinónimo de serviço, de missão.

Um eleito serve para ajudar o povo que o elegeu a construir a sua própria felicidade. É tempo de o povo não dar o seu voto àqueles que consideram o Poder um “arranjinho” para si, para os seus familiares e amigos, para os seus apaniguados.

Os políticos que trabalham em função dos seus próprios interesses, não merecem o voto do povo. Um bom político serve o povo, não se serve do Poder. Um bom político cumpre o que promete. A sociedade portuguesa precisa com urgência, de bons políticos, sérios, que prestem serviço ao povo, que sejam dignos representantes de quem os elegeu, enfim… políticos que façam boas políticas, que visem o bem-estar do povo.

José Maria Moreira da Silva 

moreira.da.silva@sapo.pt

www.moreiradasilva.pt

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