A Europa está uma balbúrdia. Os direitos dos europeus são constantemente postos em causa pelos governantes do velho jogo da cadeira – Ora sentas tu, ora sento eu! O que interessa é sentar e comandar.

A população está cada vez mais envelhecida e há menos nascimentos. É bom saber que nos esperam mais anos de vida, mas as dificuldades que os governantes europeus nos querem impor a cada dia que passa, faz-nos pensar no futuro pesado e triste.

Quando temos a “sorte” de ter emprego no nosso país, o valor do salário diminui todos os dias por várias razões – Ora porque a concorrência nos combustíveis não existe, ora porque a eletricidade aumenta, ora porque é necessário reduzir os salários, ora…, ora…, e muitos oras mais.

Os salários diminuem e a idade da reforma aumenta. Já não chega estragar o presente, é necessário prejudicar o futuro. Para piorar, os que têm de trabalhar mais 10 anos já não sabem o que pode acontecer à sua reforma. Os que a recebem sentem o peso da solidão e abandono, porque a vida frenética não permite a solidariedade dos mais próximos de outrora.

Os jovens, que um dia aspiram a ganhar a vida em troca de trabalho, sentem-se como se estivessem num barco a remos à deriva no meio de um oceano e rodeado de tubarões. Estudam no vazio da esperança e com o futuro do tamanho do buraco de ozono.

Os que conseguem acabar o curso, grande parte com o esforço financeiro dos seus pais, têm um emprego precário ou nenhum, fazendo-os permanecer em casa dos seus ascendentes até longa idade.

A liberdade de todos está condicionada pela dependência monetária que todos os dias silencia a alegria que deve ser a vida.

A libertinagem, seja de que natureza for, ataca a voz e os movimentos dos europeus, até o seu silêncio.

Pessimista?

Não. Não sou pessimista, apenas constato fatos e luto todos os dias para os tornar menos pesados. Confesso-vos que para poder lutar e não perder a esperança, há dias que me recuso a ouvir notícias. Apenas procuro aquelas que estão relacionadas com a minha área de atividade.

As eleições na Grécia e França demonstram um fenómeno preocupante. Os radicais, de esquerda ou de direita, obtiveram bons resultados eleitorais. Pode ser um grito de revolta momentâneo, mas espero que dê para todos os outros países refletirem um pouco. Os governantes e todos os eleitores, mesmo os mais adormecidos e que não participam na vida da sociedade, nem com o seu voto.

Apesar de me recusar a ver e ouvir notícias em alguns dias do ano, não deixo de lutar e procuro contribuir para uma Europa melhor. Não alinho em radicalismos e vibro com os casos de sucesso.

Apesar de tudo isto, devemos ter esperança. Lutar por ela de todas as formas cívicas ao nosso alcance, por mais lírico que se possa parecer.

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