Nos últimos tempos, tem voltado à ribalta a discussão sobre a localização dos Paços do Concelho.

 Certamente, há boas intenções na iniciativa, mas o tempo de discutir a localização dos Paços do Concelho e do centro cívico já passou. Durante muitos anos, esteve na ordem do dia e viu-se poucas pessoas a participar na discussão.

      Neste momento, tratando-se dum assunto decidido, estarmos a voltar ao início da discussão, serve para lançar confusão e não para ajudar.

      Aliás, tenho dificuldades em entender o aparecimento dum forum para o aparecimento de sugestões sobre a localização do centro cívico.

     Estarmos a discutir um assunto que já foi deliberado e aprovado pela Câmara Municipal e pela Assembleia Municipal, que já foi posto a concurso público, estando já em fase de apresentação da solução final, como o projecto, sua implantação e modelo, é como que chover no molhado.

     Não ajuda, confunde as pessoas e evita a discussão daquilo que pode e deve ser discutido.

     Salvo o devido respeito que as pessoas me merecem, principalmente as pessoas que têm procurado participar, a discussão devia focar-se no projecto e na sua implantação.

      Considero que se trata dum assunto decidido e bem decidido. O local foi bem escolhido, é um local nobre da cidade sem que isso signifique que não existam outros locais também bons. Ou seja: não significa que fosse o único bom local. É um bom local, para mim o melhor.

      Já tive oportunidade de afirmar que, sendo um bom local, tudo dependeria do projecto: pode ser óptimo com um bom projecto e pode ser péssimo se o projecto for mau.

     Obviamente, o conceito de bom e mau projecto é subjectivo e jamais haverá um projecto, tal como a localização, que reuna a unanimidade das opiniões.

      Será bom se reunir um razoável consenso.

      A discussão actual tem a ver com o caso do terreno da antiga feira. Não creio que se justifique, por esse motivo, uma re-discussão da localização do centro cívico. Por um lado, depois de serenarem os ânimos, as pessoas sentar-se-ão à mesa e resolverão as dificuldades, com mais ou menos negociações. Por outro lado, a eventual localização do edifício naquele parque, não poderá ser feito de ânimo leve.

      Não parece, à primeira impressão, que essa implantação seja melhor que a antiga serração. Mesmo em termos de espaço disponível, quer para a implantação do edifício dos Paços do Concelho, quer para efeitos da parceria com privados que pretenderão, naturalmente, construir edifícios para habitação e escritórios.

     Com um Plano de Pormenor para o local, com as implantações definidas, a discussão será mais produtiva porque baseada em dados mais firmes e seguros. Não parece seguro discutir-se o assunto sem qualquer estudo que sustente uma troca de opiniões produtiva.

      Não me parece que, se houvesse alguma intenção de implantar o edifício dos Paços do Concelho na terreno da antiga feira, haja condições políticas para o fazer. O modo como os factos se sucederam e as reacções que daí advieram não aconselham que essa solução avance.

      Estou, no entanto, convencido que não haverá necessidade de utilização do terreno para esse fim, dada a área disponível no o terreno da antiga serração.

      Também acredito que o técnico que está a estudar o assunto, um arquitecto conceituado, terá bom senso e estará a estudar soluções que beneficiem o local.

      Esta é, para mim a discussão que está na ordem do dia. Não é a localização que deve discutir-se agora. É assunto já decidido e discutir o já decidido nada irá acrescentar. 

                        Afonso Paixão