Se houve tema que me levou a escrever e do qual sempre tive opinião definida, foi este tema da localização dos Paços do Concelho.

       Sem ser um iluminado, ou defensor de teorias mirabolantes de urbanismo, sempre tive a exacta noção de qual a correcta localização do nosso Centro Cívico. Sempre recusei a confusão entre centro urbano e centro geométrico, que nada têm a ver um com o outro.

      Nunca procurei demagogias à volta do Catulo como centro da Trofa e nunca defendi falsas e desnecessárias novas centralidades.

      Nunca tivemos um centro digno desse nome e entendo chegada a hora de darmos ao nosso centro a dignidade que sempre lhe faltou.

      Disse e insisto que não temos um problema de saturação do Catulo. Pelo contrário, entendo que o Catulo tem um problema de trânsito cuja solução terá de ser encontrada na variante às antigas EN-14 e EN-104.

      Escamotear estas verdades é fugir aos verdadeiros problemas da Trofa, fugindo aos problemas reais e procurando outros problemas que, verdadeiramente, não se colocam.

      Em 2006, Novembro, foi votada na Assembleia Municipal, depois de aprovada pela Câmara Municipal, a localização na zona do bairro da Capela. Os órgãos democraticamente eleitos votaram por clara maioria e nada sucedeu que justificasse que voltássemos a discutir o mesmo assunto que já tinha sido discutido durante quase dez anos.

      Depois destas aprovações, a Câmara Municipal resolveu voltar a discutir o mesmo assunto. Não pode alterar sem a revogação da deliberação anterior. E deve anular o concurso que a empresa municipal, Trofapark, promoveu na época, baseado num estudo de localização.

      Insisto que acredito que exista um problema de implantação (o terreno da antiga feira), mas não existia um problema de localização que agradou à maioria das pessoas, mesmo algumas que deram agora um passo atrás.

      A decisão de Novembro de 2006, da Câmara Municipal e da Assembleia Municipal, foi baseada em estudos que sustentaram ser o bairro da Capela o melhor local, segundo o Sr. Presidente da Câmara Municipal, o que acredito e subscrevo. Um local digno, com o parque de Nossa Senhora das Dores como fundo e que vai dar uma nova imagem àquele bairro. O objectivo era o de criar uma nova centralidade neste espaço nobre do concelho.

      A verdade é que este local nobre da cidade não deixou de ser uma boa localização, apesar de não ser o único bom local.

      O que nunca poderia acontecer é localizar os Paços do concelho numa zona industrial, como é a Feruni.

      Não falta quem goste de considerar o Burundi como um país atrasado, ou o Bangladesh, ou o Zimbabwe, ou outros. Pois bem: nem esses países considerados atrasados localizam um edifício desta natureza no meio de indústrias.

      Os defensores da Feruni já se deram ao trabalho de orçamentar os custos de deslocação das indústrias para outros locais? E quem paga essas deslocações? Quantos edifícios valerão essas deslocações? Ou será que pensam que os empresários fazem isso gratuitamente?

      Se existe um problema com a implantação, é esse problema que deve ser solucionado e não creio que se solucione esse problema criando outro ainda maior.

      A Câmara Municipal e a Junta de Freguesia de S. Martinho de Bougado têm um importante papel a desempenhar neste processo e não creio que sejam beneficiadas com esta nova discussão.

      Há já quem insinue que a Câmara Municipal deixou desenvolver este imbróglio para encontrar uma justificação para ir para a Feruni.

      E a Junta de Freguesia começa, em surdina, a ser acusada de empurrar os Paços do concelho para fora de sua freguesia.

      Ao Dr. António Barbosa, que faz o favor de ser meu amigo e a quem retribuo a consideração, darei resposta logo que me for possível, pelo respeito que me merece. 

                        Afonso Paixão