A estratégia de um país é um farol, ou um fio condutor, que deve orientar um povo e os responsáveis pelo poder político, que têm o compromisso de garantir e assegurar a estabilidade social, o crescimento económico e a independência nacional. Mas, o sucesso de um país, está sempre dependente do rumo, da forma, do projeto e da adesão nacional.

Portugal, que desde a sua fundação tem navegado nos mares da história com um determinado rumo; o de ser um país desenvolvido, procura agora de uma forma “atabalhoada” vencer as vagas alterosas que nos últimos anos se têm levantado contra esse desígnio.

O povo português, povo extraordinário com séculos de história e uma forma peculiar de ser português, terá que se adaptar aos novos ventos, que agora vêm de Bruxelas (UE) e de Washington (FMI), para sair desta bruma em que se encontra, sempre com o intuito de chegar a bom porto.

Ao dissipar-se a neblina, o povo está a constatar que, afinal, a realidade do país parece ser aterradora demais para ser verdade. Assim sendo, não deverão ser os mesmos timoneiros de sempre, aqueles que afundaram o barco, a dirigir os nossos destinos. O pior erro é o erro repetido sucessivamente, que não se transforma em força para vencer. Chega de tanto erro repetido. Chega de tanta asneira!

Os disparates feitos, por quem governou Portugal nos últimos anos, deixaram marcas negativas que vão exigir muito tempo para serem eliminadas. São muitas, e descomunais, essas marcas: a maior taxa de desemprego de sempre; o maior número de falências de sempre; a maior quantidade de entidades e organismos públicos de sempre; a maior dívida soberana de sempre, que foi arranjada por alguns mas que vai ser paga por todos; o pior crescimento económico desde a última guerra mundial; a maior fuga de cérebros de sempre e a segunda maior vaga de emigração de sempre. São tantos, e profundos, os “rombos no casco da nau”, que vão ser precisos muitos anos de conserto, para que se possa navegar de novo no “mar da esperança”.

O sol e o mar, que são ímpares, fazem desta Terra, que é Portugal, um lugar apetecível e único no mundo. Será por esse motivo que em três décadas o FMI está cá pela terceira vez? Ou será que eles vêm cá corrigir o descalabro das Finanças Públicas para depois, os nossos governantes desbaratarem-nas de novo? Será que temos de mudar de lugar, mudar de sol e de mar ou mudar de paradigma de governantes?

Os arquitetos de uma estratégia de sucesso deveriam ser os detentores do poder, aqueles que foram escolhidos pelo povo para governar o país. Mas, estes já provaram até à saciedade a sua incapacidade de endireitar a “nau”. Também por isso, foi preciso a intervenção do FMI, que tem por missão, para além da assistência financeira, a supervisão económica e aconselhamento técnico.

As eleições servem para escolher as políticas e os políticos que as vão implementar. No próximo ato eleitoral só vão ser escolhidos os políticos. O verdadeiro poder político e as políticas que vão governar o país, nos próximos anos, na próxima década, serão as ditadas pela UE e pelo FMI e não aquelas que os partidos políticos vão tentar “vender” ao eleitorado na campanha eleitoral que se avizinha. As promessas contidas nos programas eleitorais, que sejam contrárias às exigências da UE e do FMI, deverão ser consideradas pelos eleitores uma mentira, uma “fraude política”. Em abono da verdade!    

José Maria Moreira da Silva
moreira.da.silva@sapo.pt
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