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Os Rostos da Conquista

Os Rostos da Conquista

Lembro-me de, logo pela manhã, estarmos todos juntos à espera das camionetas para ir para Lisboa. Vinham todos com as cestas e os garrafões de vinho como é típico dos nortenhos. Quando chegamos a Lisboa, paramos todos no Parque Eduardo VII para podermos almoçar. Lembro-me também de haver imensa polícia por todo lado onde estávamos. Eram 2 ou 3 horas da tarde quando começamos a nossa romaria até à Assembleia da República. Fomos sempre acompanhados pela polícia e acarinhados por onde passávamos. Quando chegamos, já lá se encontravam os de Canas de Senhorim, coitados meia dúzia de pessoas. O rancho que nos acompanhou foi tocando pelo caminho e lá fez uma apresentação.
Entretanto, começamos a ver a polícia de segurança a chegar para estar à nossa frente e aí os ânimos exaltaram-se um bocadinho. Eu reparei que um deles era da Trofa e era meu amigo e só pedia para não ficarmos à frente dele. Pedia mesmo por favor. Tenho a certeza que ele, se não estivesse a trabalhar estaria do nosso lado e não do deles. As horas começaram a passar e nada se decidia lá dentro e nós cá fora desesperados, estávamos sempre a olhar para as varandas na esperança de haver um OK. Foi muito dura a espera, mas quando vieram dizer sim, foi a explosão total. Muitos queriam entrar à força na Assembleia, havia choros de alegria, já quase não tínhamos voz para gritar. Uma sensação indescritível. Acho que enquanto viver vou ter sempre na lembrança aquele dia”.

Arminda Gomes

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