Decorria o final da década de vinte do século XIX e Portugal estava a viver uma situação complexa em termos financeiros e também políticos. O liberalismo dava os primeiros passos e como sempre as mudanças são sempre complicadas.
Numa tentativa de equilibrar as contas da nação, o bispado do Porto vai realizar uma ação de recolha de donativos, que iria contar com o apoio de párocos que deveriam receber os donativos e entregá-los na residência episcopal.
Os párocos eram as figuras centrais das comunidades, as vozes de autoridade, sobretudo em meios pequenos onde a informação tardava em chegar e o poder político/administrativo era extremamente frágil.
O valor arrecadado quando comparado pelas outras dádivas era de fácil perceção se a localidade e os seus respetivos habitantes tinham um bom nível económico. Assim se torna possível compreender as dinâmicas económicas locais e é importante escrutinar as várias freguesias do futuro concelho da Trofa.
Relativamente a Santiago de Bougado, esse valor seria de 110$00, para em S. Martinho de Bougado o valor se fixar em 9$600, em S. Mamede do Coronado foi de 14$400, Covelas 6$000 e por último, o valor referente a Alvarelhos foi de 5$000.
Escrutinando os valores referidos anteriormente, é percetível a importância económica de Santiago de Bougado e de S. Mamede do Coronado que, de forma destacada, lideravam a recolha de fundos. Na prática, é a confirmação das dinâmicas referidas ao longo de várias crónicas que colocam aquelas duas freguesias como motor da economia local.
Analisando a própria prática económica em que os habitantes financiavam o Estado, cenário que é praticamente utópico e impensável para o presente, pois, seguramente, nenhum cidadão irá financiar o Estado a não ser através do pagamento dos seus impostos. Uma prática parecida com a que se verificou ainda no século XIX, somente o que se passou no PREC (Período Revolucionário em Curso) em que os portugueses trabalharam a um domingo com o dinheiro desse dia de trabalho a reverter para o Estado Português.