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Edição 670

Os anjos de farda

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Estão presentes nos momentos mais delicados da vida humana. Estão presentes no nascimento, na doença, na prevenção, na cura, na morte. São anjos vestidos de farda, que têm uma das profissões mais nobres. Apesar das dificuldades do setor, dos turnos extenuantes e dos cenários complexos, estes profissionais nunca viram as costas ao doente e têm sempre uma palavra, um sorriso e um abraço para dar. O NT conta um pouco da história de cinco enfermeiros que, em Portugal ou no estrangeiro, tentam dignificar a classe que representam.

Pedro Leal
“Não há ordenado que pague um ‘obrigado’”

Trabalhou debaixo de neve e gelo e no “inferno” dos incêndios. Já foi ao mar resgatar uma vítima a bordo de um cargueiro e já subiu a uma grua, porque o manobrador enfartou. Está “onde ninguém quer estar” e vê “o que ninguém quer ver”. Mas a paixão pela emergência extra-hospitalar faz Pedro Leal aceitar o risco e as dificuldades inerentes a quem veste a farda do INEM.
Trofense de gema, este enfermeiro que começou por estudar Ciências Farmacêuticas percebeu que o seu lugar era junto do doente, a ajudá-lo. A confirmação da vocação surgiu na primeira hora que cumpriu no estágio de observação na Viatura Médica de Emergência e Reanimação do Hospital de S. João. “Aquela hora mudou radicalmente a minha vida. Foi ali que decidi que o meu futuro teria, inevitavelmente, que passar pela farda INEM”, contou ao NT.
Hoje, passada mais de uma década e a integrar atualmente a equipa de Suporte Imediato de Vida (SIV) de Vila do Conde, garante que continua a viver este trabalho “com o mesmo amor e entrega daquela primeira hora”. Pedro Leal encontrou no INEM tudo o que procurava, “ausência de rotina, um misto de emoção e adrenalina, mas acima de tudo poder fazer realmente a diferença na vida das pessoas”.
E porque os enfermeiros nesta condição estão presentes “nos momentos mais delicados da vida das pessoas”, é necessário “estofo” emocional para enfrentar “cenários muitas vezes traumáticos e cuja gestão não é fácil”. Para isso, conta Pedro, há “formação” para responder à “exigência” psicológica, mas também, “e não menos importante”, aguentar com o “desgate físico e o risco elevado de lesões”.
Às formações periódicas e recertificações obrigatórias, Pedro Leal, que cumpriu pós-graduação e mestrado na área da emergência e doente crítico, acrescenta diversos diplomas: “Curso de Triagem CODU, Suporte Básico de Vida, Desfibrilhação Automática Externa, Tripulante de Ambulância de Socorro, Condução em Marcha de Emergência, Suporte Imediato de Vida, Suporte Avançado de Vida, Trauma/Desencarceramento”. “Em contexto de serviço, temos formação contínua em Unidade de Cuidados Intensivos, Sala de Emergência, Bloco de Partos e, brevemente, Pediatria, já que no âmbito da nossa missão atendemos desde o utente recém-nascido até ao adulto”, explicou.
Toda esta preparação contribui para que um enfermeiro que encontra situações muitas vezes difíceis de enfrentar, consiga atuar com eficiência e distanciamento emocional. E se, no momento, os sentimentos não podem ser extravasados, fora do serviço há que “descarregar” o peso das emoções. “Esta catarse pode, deve e tem de ser feita. Normalmente é feita dentro da equipa e, verdade seja dita, estamos inseridos numa verdadeira família – os nossos colegas – que nunca desiludem e estão sempre presentes. E é dentro desta família que se conversa, que se chora, que se ri e que se ganha força para a próxima vez que o telefone toque”, explicou Pedro Leal, que admitiu que, apesar de não conseguir dissociar completamente a vida profissional da vida pessoal, os momentos em família, com amigos ou na solidão são “essenciais”.
E se em cada cenário, houver um “obrigado”, o enfermeiro garante que todo o esforço compensará: “Não há ordenado que pague esta palavra e em tom de confidência admito que são os muitos ‘obrigados’ pelo caminho que me fazem querer ficar nesta missão muitos mais anos”.
São já muitas as experiências que Pedro Leal viveu com a farda do INEM e que tem anotadas para, quem sabe, um dia na reforma publicar um livro de memórias. Desse levantamento, soma ocorrências “atípicas ou marcantes”, relatando o que existe “de melhor”, como “os partos, um louvor da PSP e da Marinha/ISN e uma caixa de leitão entregue na base por um senhor que nesse mesmo ano tinha entrado em paragem cardiorrespiratória e que foi revertida”, e “de pior”, como “a morte de crianças, os bombeiros queimados nos incêndios, a chegada a ocorrências multivítimas onde ainda não chegou ninguém, a ida ao mar em pleno alerta vermelho de tempestade e os agentes da autoridade baleados num assalto numa noite no Porto”. Este livro, garante, “será o derradeiro exercício de catarse”.

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Edição 670

Olhar o cinema nacional

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Crónica: Vasco Bãuerle

Caros Leitores,
Espero ter sido de proveito para os vossos apetites cinematográficos as sugestões da minha última crónica e faço votos para que a próxima reserve, igualmente, agradáveis surpresas.
Por falta de confirmação até à data da última crónica, refiro agora dois filmes que fecham o mês de Maio. CABARET MAXIME, do realizador Bruno de Almeida, estreia a 28 de Maio. É em Nova Iorque, que vai realizar a maior parte do seus filmes, destacando-se THE LOVEBIRDS (2007), THE DEBT (1993) e ON THE RUN (1999). O seu mais recente filme aborda a história de Bennie Gaza, dono do Cabaret Maxime, que terá de se bater por manter o seu clube à tona, alheio a pressões mundanas e a tentativas de corrupção (Fonte: ICA).
A 31 de Maio estreia HISTÓRIA DE UMA SURFISTA, de Joaquim Sapinho, um filme na linha do seu anterior, DESTE LADO DA RESSUREIÇÃO (2011) que toma o “surf” como mote. Com um vasto historial na área, Joaquim Sapinho conta já com uma modesta reputação no panorama do cinema nacional, após o badalado CORTE DE CABELO (1995).
Transcrevo agora a menção feita ao filme IMAGENS PROIBIDAS, erradamente anunciado na primeira crónica, ao qual, desde já, peço as mais sinceras desculpas. A 1 de Junho estreia o filme IMAGENS PROIBIDAS de Hugo Diogo, realizador de MARGINAIS. Baseado na obra de Pedro Paixão, “Saudades de Nova Iorque”, retrata as venturas e desventuras de David, que procurando escapar a um amor perdido, foge de Londres para Lisboa, e, com ele, traz um projeto, recriar o amor entre duas mulheres que não se conhecem, que comunicam através dele e das fotografias Polaroid.
A 14 de Junho estreia o mais recente filme de Edgar Pêra, CAMINHOS MAGNÉTICOS, que, segundo define o próprio, retrata “alguém que se apercebe que o dinheiro não é tudo, no dia do casamento da sua filha com um homem mais velho, rico, e é toda uma noite de dúvidas, hesitações, consignações, que faz com que a sua consciência vá evoluindo e tenha outra perceção do mundo”. Seguindo um estilo muito próprio, afirma, a “ideia é criar um universo totalmente artificial, no domínio da imaginação em que não existam limites realistas”.
Feitas as breves apresentações aos filmes do mês de Maio e Junho, faço agora menção ao festival FEST Festival Novos Realizadores | Novo Cinema, que se define como “uma celebração única de novo cinema e de novos cineastas”. Nos dias de hoje, os festivais assumem um papel preponderante na promoção de novos cineastas e novos filmes, dificilmente acessíveis ao grande público, proporcionando debates, conferências de imprensa e outros eventos sociais. Assumem-se assim como os espaços, por excelência, de mostra de produções e novas formas de expressão cinemática.
O festival FEST, que vai na sua 14.ª edição, toma lugar entre os dias 18 e 25 de Junho de 2018 e propõe “criar um espaço onde cineastas emergentes possam mostrar e promover o seu trabalho, assim como desenvolver os seus conhecimentos e partilhar oportunidades, criando ao mesmo tempo novos públicos para o cinema independente”. Uma oportunidade interessante para conviver e fomentar a cultura cinéfila dos nossos ilustres leitores.
Até à próxima rubrica, e, até lá, boas sessões de cinema!

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Trofa zumbástica (com galeria fotográfica)

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Andei pelo concelho à procura de quem pratica zumba. Modalidade que esteve na ribalta há uns anos, o zumba ainda goza de muita popularidade pela Trofa. Aceite o convite e entre nesta viagem pelo mundo zumbástico, onde música, alegria, energia e preconceito são palavras que reinam.

Odete Correia pratica zumba há cinco anos. Até aqui, nada de surpreendente, uma vez que a modalidade é, por norma (e preconceito), mais feminina que masculina. Mas o que muda esta realidade é que Odete tem 74 anos e a forma como se mexe faz corar de vergonha qualquer sedentário na flor da idade.
Residente na vila do Coronado, Odete faz parte do grupo que duas vezes por semana “zumba” no pavilhão da Escola Básica e Secundária do Coronado e Covelas. Começou para contrariar a subida do colesterol e hoje não se vê a encostar as sapatilhas. Do zumba, gosta “de tudo”, tanto da dança como dos exercícios de ginástica, muitas vezes aplicados nas coreografias. Garante que nada a incomoda, nem mesmo o agachamento, “rei” do indesejável entre o mulherio. Com o zumba, Odete não está em casa no sofá, convive, vive.
A aula começa e Odete ocupa o seu lugar, na primeira fila. A experiência de vida dá-lhe legitimidade para achar a timidez um acessório, mesmo com a presença da jornalista.

Leia a reportagem na íntegra na edição nº 670 do jornal O Notícias da Trofa

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