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Edição 670

Os anjos de farda

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Estão presentes nos momentos mais delicados da vida humana. Estão presentes no nascimento, na doença, na prevenção, na cura, na morte. São anjos vestidos de farda, que têm uma das profissões mais nobres. Apesar das dificuldades do setor, dos turnos extenuantes e dos cenários complexos, estes profissionais nunca viram as costas ao doente e têm sempre uma palavra, um sorriso e um abraço para dar. O NT conta um pouco da história de cinco enfermeiros que, em Portugal ou no estrangeiro, tentam dignificar a classe que representam.

Ir e voltar para ter emprego e ser bombeiro

Há quatro anos, Marco Silva tomou a decisão “difícil” de emigrar. Viajou para Inglaterra para conseguir exercer enfermagem, área em que se formou, mas que em Portugal não conseguiu adquirir experiência. Até voar para Inglaterra, o jovem, atualmente com 27 anos, trabalhou numa empresa de sistemas de extinção de incêndios, numa pastelaria e numa serralharia. A única proposta na área de enfermagem não lhe pareceu “justa”. “Queriam que fosse responsável clínico de um lar, a receber o salário mínimo nacional”, contou.
Sem soluções, Marco decidiu pela emigração, chegando a um país “em que mal conseguia ter uma conversa informal, quando mais um diálogo técnico”. Mas tudo se consegue e a adaptação foi acontecendo “com o suporte” dos superiores hierárquicos. E o crescimento foi tal que, atualmente, Marco Silva é “chefe de turno” no serviço de urgência do Luton and Dunstable University Hospital. “Sou também responsável por gerir a equipa de enfermagem e coordenar o funcionamento do serviço de urgência na maioria dos meus turnos”, explicou.
A ligação com Portugal, porém, manteve-se forte, já que durante algum tempo regressava “de dois em dois meses” para conseguir cumprir o número de horas obrigatórias de voluntário nos Bombeiros Voluntários da Trofa. “Muitos diziam que era impossível, tentei provar o contrário e por algum tempo consegui com a ajuda e flexibilidade do comandante dos bombeiros na altura, basicamente mais de metade do tempo das minha férias era passado no quartel de forma a atingir as horas mínimas e assim fui conseguindo, aliás superei por muito o número mínimo de horas”, relatou.
Com prejuízo no convívio com família e amigos, Marco foi conseguindo levar este ritmo de vida até a namorada decidir ir viver com ele em Inglaterra. “Optamos por viajar pelo mundo e, agora, vamos mais ou menos a cada três meses. Este facto fez com que não conseguisse atingir o número mínimo de horas de formação e passasse ao quadro de reserva onde me encontro agora”, explicou.
Ora, o esforço que Marco fez é prova mais do que suficiente do amor que sente por vestir a farda de bombeiro. “Não abdiquei dos meus amigos, da minha namorada ou da minha família, porque iria abdicar da paixão de ajudar os outros e daquilo que me faz sentir vivo e importante na sociedade?”, atira, para logo depois explicar, com lamento, que se vai manter no quadro reserva para conseguir “ter uma vida mais estável com a noiva”.
Marco Silva sente-se vivo a ajudar e o cenário de urgência é aquele que melhor encaixa nas preferências. “Quem sabe um dia vou um pouco mais longe e chego a trabalhar como enfermeiro de pré-hospitalar numa equipa helitransportada?”, vaticina.

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Edição 670

Olhar o cinema nacional

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Crónica: Vasco Bãuerle

Caros Leitores,
Espero ter sido de proveito para os vossos apetites cinematográficos as sugestões da minha última crónica e faço votos para que a próxima reserve, igualmente, agradáveis surpresas.
Por falta de confirmação até à data da última crónica, refiro agora dois filmes que fecham o mês de Maio. CABARET MAXIME, do realizador Bruno de Almeida, estreia a 28 de Maio. É em Nova Iorque, que vai realizar a maior parte do seus filmes, destacando-se THE LOVEBIRDS (2007), THE DEBT (1993) e ON THE RUN (1999). O seu mais recente filme aborda a história de Bennie Gaza, dono do Cabaret Maxime, que terá de se bater por manter o seu clube à tona, alheio a pressões mundanas e a tentativas de corrupção (Fonte: ICA).
A 31 de Maio estreia HISTÓRIA DE UMA SURFISTA, de Joaquim Sapinho, um filme na linha do seu anterior, DESTE LADO DA RESSUREIÇÃO (2011) que toma o “surf” como mote. Com um vasto historial na área, Joaquim Sapinho conta já com uma modesta reputação no panorama do cinema nacional, após o badalado CORTE DE CABELO (1995).
Transcrevo agora a menção feita ao filme IMAGENS PROIBIDAS, erradamente anunciado na primeira crónica, ao qual, desde já, peço as mais sinceras desculpas. A 1 de Junho estreia o filme IMAGENS PROIBIDAS de Hugo Diogo, realizador de MARGINAIS. Baseado na obra de Pedro Paixão, “Saudades de Nova Iorque”, retrata as venturas e desventuras de David, que procurando escapar a um amor perdido, foge de Londres para Lisboa, e, com ele, traz um projeto, recriar o amor entre duas mulheres que não se conhecem, que comunicam através dele e das fotografias Polaroid.
A 14 de Junho estreia o mais recente filme de Edgar Pêra, CAMINHOS MAGNÉTICOS, que, segundo define o próprio, retrata “alguém que se apercebe que o dinheiro não é tudo, no dia do casamento da sua filha com um homem mais velho, rico, e é toda uma noite de dúvidas, hesitações, consignações, que faz com que a sua consciência vá evoluindo e tenha outra perceção do mundo”. Seguindo um estilo muito próprio, afirma, a “ideia é criar um universo totalmente artificial, no domínio da imaginação em que não existam limites realistas”.
Feitas as breves apresentações aos filmes do mês de Maio e Junho, faço agora menção ao festival FEST Festival Novos Realizadores | Novo Cinema, que se define como “uma celebração única de novo cinema e de novos cineastas”. Nos dias de hoje, os festivais assumem um papel preponderante na promoção de novos cineastas e novos filmes, dificilmente acessíveis ao grande público, proporcionando debates, conferências de imprensa e outros eventos sociais. Assumem-se assim como os espaços, por excelência, de mostra de produções e novas formas de expressão cinemática.
O festival FEST, que vai na sua 14.ª edição, toma lugar entre os dias 18 e 25 de Junho de 2018 e propõe “criar um espaço onde cineastas emergentes possam mostrar e promover o seu trabalho, assim como desenvolver os seus conhecimentos e partilhar oportunidades, criando ao mesmo tempo novos públicos para o cinema independente”. Uma oportunidade interessante para conviver e fomentar a cultura cinéfila dos nossos ilustres leitores.
Até à próxima rubrica, e, até lá, boas sessões de cinema!

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Trofa zumbástica (com galeria fotográfica)

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Andei pelo concelho à procura de quem pratica zumba. Modalidade que esteve na ribalta há uns anos, o zumba ainda goza de muita popularidade pela Trofa. Aceite o convite e entre nesta viagem pelo mundo zumbástico, onde música, alegria, energia e preconceito são palavras que reinam.

Odete Correia pratica zumba há cinco anos. Até aqui, nada de surpreendente, uma vez que a modalidade é, por norma (e preconceito), mais feminina que masculina. Mas o que muda esta realidade é que Odete tem 74 anos e a forma como se mexe faz corar de vergonha qualquer sedentário na flor da idade.
Residente na vila do Coronado, Odete faz parte do grupo que duas vezes por semana “zumba” no pavilhão da Escola Básica e Secundária do Coronado e Covelas. Começou para contrariar a subida do colesterol e hoje não se vê a encostar as sapatilhas. Do zumba, gosta “de tudo”, tanto da dança como dos exercícios de ginástica, muitas vezes aplicados nas coreografias. Garante que nada a incomoda, nem mesmo o agachamento, “rei” do indesejável entre o mulherio. Com o zumba, Odete não está em casa no sofá, convive, vive.
A aula começa e Odete ocupa o seu lugar, na primeira fila. A experiência de vida dá-lhe legitimidade para achar a timidez um acessório, mesmo com a presença da jornalista.

Leia a reportagem na íntegra na edição nº 670 do jornal O Notícias da Trofa

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