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Edição 670

Os anjos de farda

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Estão presentes nos momentos mais delicados da vida humana. Estão presentes no nascimento, na doença, na prevenção, na cura, na morte. São anjos vestidos de farda, que têm uma das profissões mais nobres. Apesar das dificuldades do setor, dos turnos extenuantes e dos cenários complexos, estes profissionais nunca viram as costas ao doente e têm sempre uma palavra, um sorriso e um abraço para dar. O NT conta um pouco da história de cinco enfermeiros que, em Portugal ou no estrangeiro, tentam dignificar a classe que representam.

Senhor Enfermeiro, ao domicílio!

Se um dia passar por um automóvel branco, com um estetoscópio em forma de coração desenhado, saiba que a ocupá-lo está Paulo Martins, um enfermeiro que perante as dificuldades de arranjar trabalho, decidiu criar o próprio emprego.
Foi há quatro anos que o trofense implementou um projeto diferenciado no concelho, com enfermagem ao domicílio. Por isso, é normal vê-lo pelas estradas do concelho enquanto cumpre a jornada de visita aos pacientes.
Esta foi a resposta que Paulo Martins deu à falta de oferta na área da enfermagem. Ir para o estrangeiro nunca esteve em equação, por isso teve de “arregaçar as mangas”.
“Decidi fazer um estudo de mercado para perceber as lacunas que poderia colmatar com este projeto. Ao longo do tempo, fui percebendo que seria uma área com margem para investir, levando um novo serviço particular e individualizado à população”, explicou em entrevista ao NT.
E se dúvidas tivesse da profissão que tinha escolhido, Paulo Martins dissipou-as logo que começou esta aventura: “Tem sido uma experiência fantástica. Sinto todos os dias que foi para isto que nasci. Exercer enfermagem como aprendi, ou seja, cada Pessoa é única, cada tratamento é diferente e cada dia é diferente. Mas, acima de tudo, o que consegui descobrir é que grande parte das famílias precisam de um ‘ombro amigo’ com quem desabafar e pedir ajuda”.
Mas para concretizar este projeto, Paulo Martins teve de cumprir alguns procedimentos legais para obter da Ordem dos Enfermeiros a devida autorização para exercer a profissão nestes moldes. Em casa dos pacientes, Paulo Martins oferece diversos serviços, como tratamentos de reabilitação pós-AVC (Acidente Vascular Cerebral), a doentes com patologia de Parkinson ou Alzheimer e outras demências, ou a pessoas com prótese na anca e no joelho. Aplica exercícios para melhorar a função do aparelho respiratório e cumpre os procedimentos mais indiferenciados, como aplicação de injetáveis, tratamento de feridas e colheitas de sangue para análise.
Os frutos materializam-se nas solicitações cada vez mais numerosas. Com a aceitação, o futuro começa a ser traçado com mais ambição e Paulo Martins já coloca a hipótese de, além da Trofa, estender o serviço a concelhos vizinhos.
Mas Paulo Martins não descansa à sombra do sucesso. Desde que se licenciou, na Escola Superior de Saúde do Vale do Ave, Vila Nova de Famalicão, que tem somado especializações e formações. Além de ser especialista em enfermagem de reabilitação (pela Universidade do Minho), o enfermeiro é ainda graduado em reabilitação no futebol pela Federação Portuguesa de Futebol, através da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e exerce atualmente no Clube Desportivo Trofense. Também é formador na área da saúde e, atualmente, presta serviço no Instituto de Emprego e Formação Profissional de Braga.
Desde criança que Paulo desejou ser enfermeiro. Conta que quando dizia aos pais desta vontade “ainda nem sabia o que efetivamente um enfermeiro fazia”, porque, além das “picas” e curativos, quem tem esta profissão tem que ser muito mais que um expert em procedimentos técnicos. “É preciso ser-se um ‘ser humano’ de excelência. Afeto, compreensão e diálogo são algumas das atitudes que um enfermeiro deve ‘aplicar’ a cada pessoa de forma única e individual. A enfermagem é uma arte, é uma vocação”, defendeu.

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Edição 670

Olhar o cinema nacional

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Crónica: Vasco Bãuerle

Caros Leitores,
Espero ter sido de proveito para os vossos apetites cinematográficos as sugestões da minha última crónica e faço votos para que a próxima reserve, igualmente, agradáveis surpresas.
Por falta de confirmação até à data da última crónica, refiro agora dois filmes que fecham o mês de Maio. CABARET MAXIME, do realizador Bruno de Almeida, estreia a 28 de Maio. É em Nova Iorque, que vai realizar a maior parte do seus filmes, destacando-se THE LOVEBIRDS (2007), THE DEBT (1993) e ON THE RUN (1999). O seu mais recente filme aborda a história de Bennie Gaza, dono do Cabaret Maxime, que terá de se bater por manter o seu clube à tona, alheio a pressões mundanas e a tentativas de corrupção (Fonte: ICA).
A 31 de Maio estreia HISTÓRIA DE UMA SURFISTA, de Joaquim Sapinho, um filme na linha do seu anterior, DESTE LADO DA RESSUREIÇÃO (2011) que toma o “surf” como mote. Com um vasto historial na área, Joaquim Sapinho conta já com uma modesta reputação no panorama do cinema nacional, após o badalado CORTE DE CABELO (1995).
Transcrevo agora a menção feita ao filme IMAGENS PROIBIDAS, erradamente anunciado na primeira crónica, ao qual, desde já, peço as mais sinceras desculpas. A 1 de Junho estreia o filme IMAGENS PROIBIDAS de Hugo Diogo, realizador de MARGINAIS. Baseado na obra de Pedro Paixão, “Saudades de Nova Iorque”, retrata as venturas e desventuras de David, que procurando escapar a um amor perdido, foge de Londres para Lisboa, e, com ele, traz um projeto, recriar o amor entre duas mulheres que não se conhecem, que comunicam através dele e das fotografias Polaroid.
A 14 de Junho estreia o mais recente filme de Edgar Pêra, CAMINHOS MAGNÉTICOS, que, segundo define o próprio, retrata “alguém que se apercebe que o dinheiro não é tudo, no dia do casamento da sua filha com um homem mais velho, rico, e é toda uma noite de dúvidas, hesitações, consignações, que faz com que a sua consciência vá evoluindo e tenha outra perceção do mundo”. Seguindo um estilo muito próprio, afirma, a “ideia é criar um universo totalmente artificial, no domínio da imaginação em que não existam limites realistas”.
Feitas as breves apresentações aos filmes do mês de Maio e Junho, faço agora menção ao festival FEST Festival Novos Realizadores | Novo Cinema, que se define como “uma celebração única de novo cinema e de novos cineastas”. Nos dias de hoje, os festivais assumem um papel preponderante na promoção de novos cineastas e novos filmes, dificilmente acessíveis ao grande público, proporcionando debates, conferências de imprensa e outros eventos sociais. Assumem-se assim como os espaços, por excelência, de mostra de produções e novas formas de expressão cinemática.
O festival FEST, que vai na sua 14.ª edição, toma lugar entre os dias 18 e 25 de Junho de 2018 e propõe “criar um espaço onde cineastas emergentes possam mostrar e promover o seu trabalho, assim como desenvolver os seus conhecimentos e partilhar oportunidades, criando ao mesmo tempo novos públicos para o cinema independente”. Uma oportunidade interessante para conviver e fomentar a cultura cinéfila dos nossos ilustres leitores.
Até à próxima rubrica, e, até lá, boas sessões de cinema!

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Edição 670

Trofa zumbástica (com galeria fotográfica)

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Andei pelo concelho à procura de quem pratica zumba. Modalidade que esteve na ribalta há uns anos, o zumba ainda goza de muita popularidade pela Trofa. Aceite o convite e entre nesta viagem pelo mundo zumbástico, onde música, alegria, energia e preconceito são palavras que reinam.

Odete Correia pratica zumba há cinco anos. Até aqui, nada de surpreendente, uma vez que a modalidade é, por norma (e preconceito), mais feminina que masculina. Mas o que muda esta realidade é que Odete tem 74 anos e a forma como se mexe faz corar de vergonha qualquer sedentário na flor da idade.
Residente na vila do Coronado, Odete faz parte do grupo que duas vezes por semana “zumba” no pavilhão da Escola Básica e Secundária do Coronado e Covelas. Começou para contrariar a subida do colesterol e hoje não se vê a encostar as sapatilhas. Do zumba, gosta “de tudo”, tanto da dança como dos exercícios de ginástica, muitas vezes aplicados nas coreografias. Garante que nada a incomoda, nem mesmo o agachamento, “rei” do indesejável entre o mulherio. Com o zumba, Odete não está em casa no sofá, convive, vive.
A aula começa e Odete ocupa o seu lugar, na primeira fila. A experiência de vida dá-lhe legitimidade para achar a timidez um acessório, mesmo com a presença da jornalista.

Leia a reportagem na íntegra na edição nº 670 do jornal O Notícias da Trofa

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