Estão presentes nos momentos mais delicados da vida humana. Estão presentes no nascimento, na doença, na prevenção, na cura, na morte. São anjos vestidos de farda, que têm uma das profissões mais nobres. Apesar das dificuldades do setor, dos turnos extenuantes e dos cenários complexos, estes profissionais nunca viram as costas ao doente e têm sempre uma palavra, um sorriso e um abraço para dar. O NT conta um pouco da história de cinco enfermeiros que, em Portugal ou no estrangeiro, tentam dignificar a classe que representam.

Senhor Enfermeiro, ao domicílio!

Se um dia passar por um automóvel branco, com um estetoscópio em forma de coração desenhado, saiba que a ocupá-lo está Paulo Martins, um enfermeiro que perante as dificuldades de arranjar trabalho, decidiu criar o próprio emprego.
Foi há quatro anos que o trofense implementou um projeto diferenciado no concelho, com enfermagem ao domicílio. Por isso, é normal vê-lo pelas estradas do concelho enquanto cumpre a jornada de visita aos pacientes.
Esta foi a resposta que Paulo Martins deu à falta de oferta na área da enfermagem. Ir para o estrangeiro nunca esteve em equação, por isso teve de “arregaçar as mangas”.
“Decidi fazer um estudo de mercado para perceber as lacunas que poderia colmatar com este projeto. Ao longo do tempo, fui percebendo que seria uma área com margem para investir, levando um novo serviço particular e individualizado à população”, explicou em entrevista ao NT.
E se dúvidas tivesse da profissão que tinha escolhido, Paulo Martins dissipou-as logo que começou esta aventura: “Tem sido uma experiência fantástica. Sinto todos os dias que foi para isto que nasci. Exercer enfermagem como aprendi, ou seja, cada Pessoa é única, cada tratamento é diferente e cada dia é diferente. Mas, acima de tudo, o que consegui descobrir é que grande parte das famílias precisam de um ‘ombro amigo’ com quem desabafar e pedir ajuda”.
Mas para concretizar este projeto, Paulo Martins teve de cumprir alguns procedimentos legais para obter da Ordem dos Enfermeiros a devida autorização para exercer a profissão nestes moldes. Em casa dos pacientes, Paulo Martins oferece diversos serviços, como tratamentos de reabilitação pós-AVC (Acidente Vascular Cerebral), a doentes com patologia de Parkinson ou Alzheimer e outras demências, ou a pessoas com prótese na anca e no joelho. Aplica exercícios para melhorar a função do aparelho respiratório e cumpre os procedimentos mais indiferenciados, como aplicação de injetáveis, tratamento de feridas e colheitas de sangue para análise.
Os frutos materializam-se nas solicitações cada vez mais numerosas. Com a aceitação, o futuro começa a ser traçado com mais ambição e Paulo Martins já coloca a hipótese de, além da Trofa, estender o serviço a concelhos vizinhos.
Mas Paulo Martins não descansa à sombra do sucesso. Desde que se licenciou, na Escola Superior de Saúde do Vale do Ave, Vila Nova de Famalicão, que tem somado especializações e formações. Além de ser especialista em enfermagem de reabilitação (pela Universidade do Minho), o enfermeiro é ainda graduado em reabilitação no futebol pela Federação Portuguesa de Futebol, através da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e exerce atualmente no Clube Desportivo Trofense. Também é formador na área da saúde e, atualmente, presta serviço no Instituto de Emprego e Formação Profissional de Braga.
Desde criança que Paulo desejou ser enfermeiro. Conta que quando dizia aos pais desta vontade “ainda nem sabia o que efetivamente um enfermeiro fazia”, porque, além das “picas” e curativos, quem tem esta profissão tem que ser muito mais que um expert em procedimentos técnicos. “É preciso ser-se um ‘ser humano’ de excelência. Afeto, compreensão e diálogo são algumas das atitudes que um enfermeiro deve ‘aplicar’ a cada pessoa de forma única e individual. A enfermagem é uma arte, é uma vocação”, defendeu.